quarta-feira, 25 de março de 2020

A ciência da psicologia e as crises


 Informações de pesquisas comportamentais que facilitam lidar com o Covid-19
Oswaldo M. Rodrigues Jr.
InPaSex -Instituto Paulista ed Sexualidade


                Vivemos uma época complicada no Brasil que se acostumou a não registrar as crises na memória. Esquecemos da dengue que nos assola há 30 anos e que anualmente produz milhares de mortos, mas o mosquito é visível e pode ser combatido, emobra não o seja efetivamente.
E quando um vírus se espalha e não será visto?
Como reagiremos?
Desta vez guardaremos na memória a situação de crise?
Mudaremos a atitude do povo brasileiro?
Vejamos!
                As pesquisas psicológicas sobre crises podem ajudar as pessoas a lidar com o cotidiano, até mesmo a cada hora com os noticiários sobre coronavirus.
                A pandemia do Covid-19 trouxe um mundo novo e os pesquisadores de saúde
                Uma nova pandemia é única em muitos sentidos, mas sempre podemos fazer algo aprendido a partir de uma grande soma de material estudado na psicologia sobre reagir e as consequências de desastres.
                A seguir o que já aprendemos:

1- as mídias sociais aumentam ansiedade mais do que a mídia tradicional
                Com o surto de Zika, em 2016, psicólogos estudaram o risco da percepção da doença.
                À medida que as pessoas liam mais sobre o vírus nas mídias sociais, a percepção de risco aumentava
                Quando o volume de informação sobre o Zika aumentou na mídia tradicional as pessoas pareciam se envolver mais em comportamentos de proteção.
                As agências de saúde pública deveriam dedicar-se a uma mídia social para rapidamente despertar a consciência sobre novos problemas e deveriam atuar na mídia tradicional para evitar confusão quando quiserem divulgar atualizações e novos conhecimentos e ações. (Social Science & Medicine, Vol. 212, No. 1, 2018).
                O volume de notícias na atual pandemia pode ser o problema e diferenciar-se da epidemia de Zika.

2- Muita mídia de qualquer tipo pode destruir a saúde mental
                A quantidade de exposição a informações faz diferença.
                Revendo pesquisas passadas sobre crises em saúde pública pode-se compreender como a atenção da mídia pode ampliar o mal estar.
                Após as bombas na Maratona de Boston, e, 2013, pode-se perceber uma forte associação entre a exposição pela mídia ao cobrir o ataque os sintomas de estresse agudo. As pessoas mais expostas à cobertura do atentado pela mídia estressaram mais do que as diretamente expostas ao atentado. (PNAS, Vol. 111, No. 1, 2014).
                Durante a crise do Ebola, em 2014 na África, ouve uma imensa cobertura da imprensa nos Estados Unidos associando diagnósticos de saúde mental e a exposição aos relatórios a respeito do vírus. As pessoas que se mostraram estressadas com ao ataque a bomba na Maratona de Boston foram as que mais se estressaram com as informações a respeito do Ebola, mesmo que não houvesse possibilidade de contágios nos Estados Unidos pelo vírus existente na África. (Thompson, R.R., et. al., Clinical Psychological Science, Vol. 5, No. 3, 2017).
                Assim, quem já viveu estresses em desastres anteriores tem maiores possibilidades de respostas emocionais negativas durante uma epidemia hoje em dia.
                As pessoas, no Brasil que estiveram envolvidas com as epidemias de Dengue e Zika, mais possivelmente tem reações negativas com as notícias sobre o Covid-19.
                Quando a infomação sobr riscos é comunicada de modo consistente e por meios de autoridade (não autoritários) as pessoas podem aprender e se beneficiar.
                O problema será quando estresse e ansiedade podem sser exacerbados exageradamente pela mídia.
                Manter-se informado por fontes fidedignas é o caminho, porém, devemos ter cuidado com o excesso de informações e o tempo dedicado a “saber” sobre o que ocorre.

3- Escolha de fonte de informação
                As pessoas elegem a forma pela qual querem receber informações, não interessando se é correta ou não. Esta compreensão foi o resultado de pesquisas durante o surto do Ebola em países fora da África, em 2014. E isto ocorre mesmo quando as pessoas sabem onde procurar informações a respeito da epidemia. (Risk Analysis, Vol. 38, No. 1, 2018). As pessoas consideram que as autoridades de saúde deveriam fornecer as informações que necessitam, mesmo que elas aumentem a preocupação nas ruas.

4- A fala de controle alimenta o estresse.
                Há décadas que as pesquisas em psicologia demonstram que nossa percepção de risco é mobilizada por nossas emoções. Assim avaliamos os problemas pela emoção que vivemos, sem nos importamos com os números e evidência sobre o problema. O velho chavão de que quando temos convicção não interessam as provas.
                Raiva diminui a percepção de risco e medo aumenta! (Current Directions in Psychological Science, Vol. 15, No. 6, 2006)
                Alguns fatores aumentam o medo, e com isso a percepção de perigo. Quando o que pode atrapalhar é novo e não comum, com o sentimento de pouco controle sobre a situação e a exposição a situação de doença e morte temos o aumento de sensação de risco.
                Assim, essa nova leva de coronavirus tem todos os elementos para aumentar o alarme social para os riscos.
                Isso não significa que estamos alarmados além da conta. Se pensarmos no que ocorreu na Itália, onde a catástrofe se desenvolveu muito rapidamente, sabemos que temos que tomar medidas sérias, e rápidas.
                Mas estas pesquisas sobre comportamentos demonstram que precisamos estar preparados, pois irá ocorrer o sofrimento e o aumento do medo com esta percepção de risco também aumentando.

5- Lidar com estresse o mais breve para prevenir problemas de longo prazo
                As pessoas que viveram situações de estresse agudo nas semanas após um evento traumático têm maiores possibilidades de desenvolverem problemas emocionais de longo prazo e pioras de qualidade de saúde, aumento de percepção de dor, depressão, ansiedade e problemas psicológicos e conflitos familiares, além de aumento de risco de morte.  (Journal of Psychosomatic Research, Vol. 112, No. 1, 2018).

6- Não esquecer das necessidades dos que trabalham com a saúde
                Quando tivemos o SARS (a Síndrome de problemas respiratórios severos agudos) em 2003 pudemos perceber a associação significatia de estresse nos profissionais de saúde. (Canadian Journal of Public Health, Vol. 99, No. 6, 2008).
            Para melhorar resiliencia nestes profissionais da linha de frente já se recomendam medidas técnicas da psicologia, sejam para administar o estresse ou como enfrenta-lo (Psychooncology, Vol. 9, No. 1, 2000) ou utilizar os princípios de primeiros socorros psicológicos (Psychological First Aid Field Operations Guide: 2nd Edition, 2006).

7- Quarentena e isolamento aumentam as consequências negativas
                Estudos sobre o impacto de quarentena em adultos (The Lancet, publicado online, 2020) mostram efeitos psicológicos negativos, incluindo sintomas de Estresse pós-traumático, confusão e raiva.  
                Para minimizar a problemática psicológica, a quarentena deve ser feita em passos, por aproximação sucessiva pelas administrações públicas o mais rapidamente possível. Outro ponto é prover de informações claras e racionais constantemente sobre os protocolos de quarentena e garantir acesso a alimentos e itens de necessidade básica à população.
As pesquisas também nos mostram algo sobre como lidar com as crianças e famílias quando as escolas fecham e as famílias devem estar isoladas em quarentena. (The Lancet, publicado online, 2020).
Para reduzir o risco de consequências psicológicas negativas durante o confinamento devemos ter comunicação clara e afetiva entre pais e filhos, educação mantida através da internet com uso de vídeos educativos que promovam uma vida saudável e um estilo de vida dentro de casa que auxilia vencer o período de quarentena. Os serviços on line de psicólogos devem ser utilizados para auxiliar as crianças a administrarem a ansiedade e tensão que se acumularão.
                E já temos grupos fazendo reuniões através de aplicativos pela interent, inclusive com amigos com quem não se reuniam havia muito tempo. Favorecer estas novas formas de comunicação será de grande auxilia na mudança de como reagimos às situações cada vez maiores e mais fortes.
                Agora é hora de gerenciamento de riscos e procedimentos!
Faça sua parte para reduzir o risco e reduzir a propagação do vírus. Espalhe apenas fatos e números de fontes confiáveis, mas o mais importante é espalhar os fatos de como reduzir o risco e a propagação.
Nem todo mundo vai pegar o vírus, mas TODOS serão afetados pelas consequências. Por favor, mantenha-se informado sobre como se preparar para o vírus.


segunda-feira, 8 de abril de 2019

O problema sexual que ainda assusta o homem


Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicoterapeuta sexual e de casais
Instituto Paulista de Sexualidade


                A incapacidade de manter uma relação sexual é o grande problema masculino, ainda neste final da segunda década do século XXI.
                Não conseguir obter ou manter uma ereção peniana rígida suficiente para conseguir a penetração vaginal continua trazendo homens ao consultório de sexologia, tal qual ocorria nas décadas anteriores e no século XX.
                Interessante é compreender que até a década de 1970, nos textos científicos da psicologia, e da década de 1990 nos textos médicos, a frase ‘impotência sexual masculina’ era como se usava para designar esta dificuldade sexual dos homens.
                O nome “impotência” era e continua sendo o grande medo masculino e esconde muitas coisas nesse medo, pois impotente significa não ser homem, e esta é uma destruição da condição de ser, sendo desclassificado, enfraquecido e percebendo-se sem o poder que deveria ter para ser homem.
                A dificuldade com a ereção atinge o homem da forma mais intensa, como uma doença debilitante, fazendo-o perder a identidade que aprendeu a viver e defender.
                Deixando de sentir-se homem, masculino, sente-se incapaz de relacionar-se com outra pessoa, seja com finalidades sexuais ou trabalho, compreendendo-se com qualidades de quem terá que perder, pois já é um perdedor.
                Mas precisamos compreender um pouco mais esta dificuldade sexual.
                Primeiro devemos observar do ponto de vista científico, a partir de uma compreensão de ser humano e de como funcionamos para viver sendo humano.
                Se este homem compreender que para ser homem ele precisa penetrar e ejacular dentro de uma mulher, ele precisará de rigidez peniana. Porém, e esta rigidez depende do que compreende seja a rigidez. E este homem em particular tem suas compreensões individuais para estabelecer a rigidez necessária para cumprir sua tarefa. Assim baseia-se nas experiências pessoais de vida, lembranças e das regras que sabe que determinam sua masculinidade, sua macheza. Se, em verdade tiver uma ereção peniana rígida o suficiente para penetrar, mas acreditar que precisa de muito mais, ele não será capaz de efetuar a relação sexual, chamando-se de impotente.
                Assim, precisamos, nos consultórios de sexologia, considerar este homem desde sua perspectiva pessoal, individual, subjetiva. Não adianta dizer a ele que “não tem nada”, que “é psicológico”, que “precisa tirar férias”, que “é estresse”, que “é muito trabalho”...
                Tem outro aspecto muito importante em jogo.
                Todos aprendemos desde muito criança a dar nomes a nossas incapacidades físicas, considerando-as “doenças”. No sexo é igual. Então, se o pênis não funciona como queríamos que funcionasse, “ele” deve estar doente. Esta outra compreensão do mundo também terá consequências, e muitas vezes desastrosas.
                Hipotetizar que a dificuldade na relação sexual é devida a uma doença física tem um objetivo: ser curado pelos mesmos métodos que curam outras doenças, como uma gripe ou uma infecção na pele. Esta compreensão coloca a responsabilidade de solucionar este problema em outra pessoa que lhe dará um remédio, algo que coma, tome, engula, injete. Assim não precisará fazer nada, pois funcionará “naturalmente”.
                Assim temos uma condição determinista complicada.
                Este homem não percebe que estamos referindo que sexo depende de relacionamento interpessoal, depende de muito mais que apenas obrigar o pênis a funcionar.
                Este homem sente, tem sentimentos, emoções, sofre com esta dificuldades e quer se livrar delas o mais rápido possível. Mas terá que responsabilizar-se na maneira de cuidar de seu corpo, e só aceitando que precisa mudar suas formas de compreender o mundo onde vive, e mudar suas compreensões de como é e como pode funcionar é que solucionará esta dificuldade sexual.
                E como é que se pode deixar de sofrer?
                Precisa tomar algum ansiolítico?
                Afinal, sempre ouvimos que o lado psicológico precisa ser tratado e que com ansiedade temos dificuldades sexuais.
                É verdade que sob ansiedade homens e mulheres não permitem seus corpos funcionarem sexualmente. Mas tomar um remédio para acabar com a ansiedade não os fará potentes... alguns homens continuarão incapazes de obter ou manter uma ereção, e nem se sentirão ansiosos...
                Mudar a atitude, mudar a forma do corpo reagir emocionalmente às situações pré e pró sexuais será o caminho e fazer isso pode precisar de orientação externa especializada de um profissional que possa compreender o que lhe passa em termos de comportamento, de como o corpo age e reage. E este será um psicólogo que possa dedicar atenção à sexualidade e aos comportamentos sexuais.
                Ainda são muitos homens que sofrem calados com estas dificuldades.
                Estatísticas mostram que até adolescentes de 10-15 anos consideram que tem estas dificuldades e poucos terão ambiente familiar que os permita conversar com os pais e procurar um profissional de saúde comportamental.
                Mas a faixa etária que mais apresenta homens com estas dificuldades é aquela de mais de 40 anos. E só estamos nos referindo aos homens que admitem e compreendem que sofrem com a falta ou incapacidade de ter um pênis rígido suficiente para o coito, para a relação sexual.
                Ainda podem se passar vários anos para que este sofrimento seja considerado para que um tratamento seja buscado.
                Muitos homens compreendem que isto não é coisa para se falar, para se reclamar, e nunca puderam perceber onde procurar ou que profissionais procurar para solucionar esta dificuldade sexual. E como compreendem a dificuldade de funcionamento como algo do corpo e por isso parecido com uma doença, acreditam que precisam procurar um médico que lhes receitará um remédio. Por isso levarão mais outros anos sem solucionar sua dificuldade sexual afinal, comportamento não se modifica com remédios.
                Tem esta dificuldade?
                Isto é um problema em sua vida?
                Tem interesse em solucionar o problema?
                Vamos conversar?
                Mudar comportamentos é algo possível e não precisa manter sofrimentos e afetar relacionamentos conjugais.
                A psicologia tem como ajudar a mudar comportamentos sexuais!
                Ajude-se!
                Lute por um futuro positivo e feliz!
 www.inpasex.com.br
e-mail oswrod@uol.com.br


domingo, 14 de outubro de 2018

O que é chamado de “narcisismo sexual”



Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo (CRP06/20610)
psicoterapeuta sexual e de casais
Instituto Paulista de Sexualidade – InPaSex


            Este é um termo que alguns profissionais de saúde mental preferem chamar de narcisistas perversos. São pessoas que tem uma combinação com o comportamento sexual de dependência.
            Existem algumas razões para considerar estas pessoas como narcisistas sexuais e até algumas maneiras de se saber se você vive com uma destas.
            O que se denomina narcisista sexual é uma pessoa que não sabe se relacionar e manter intimidades com as parcerias. Eles não conhecem outra maneira de se relacionar. Eles não compreendem isso e não entendem que poderiam ser diferentes ou que as pessoas com quem convivem tem outras necessidades, diferentes das dele. Sendo assim, eles machucam emocionalmente as pessoas com quem convivem.
            O narcisista usa de sedução e manipulação, com o poder que tem explora as parcerias, e as trata como objetos para a satisfação pessoal.
            O narcisista derrama no outro suas coisas ruins por ser impossível conviver com estas ideias e pensamentos.
            Falta-lhes empatia, compaixão e uma compreensão sobre os outros e sobre si mesmo. Assim ignoram completamente os sentimentos da outra pessoa, e tomam para si, no relacionamento, o que querem para satisfazerem-se, entendendo que podem fazê-lo.
            No ato sexual eles se sobrepõe à parceria, coagindo-a para fazer sexo nos momentos que ela não gostaria de fazê-lo. A coação se faz por imposição e jogos de palavras que lhe dão a sensação desse direito, e assim será a outra pessoa submetida.
            A parceira é percebida em débito com ele, portanto ele entende que ela fará o que ele quer. E sob coação, ela efetivamente fará, mesmo que não perceba que determinados atos lhe sirvam ou estejam de acordo com seus padrões morais.
            O narcisista não tem muitos limites, assim forçará a parceira a atos que ela não precisa, mas ele manipulará, intimidará, seduzirá... um dos métodos será uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Estas manipulações são feitas em direção ao desejado, usando o mentir para chegar ao que querem.
            Durante o sexo o narcisista não está conectado emocionalmente com a outra pessoa, não lhes importando se elas estão tirando prazer do ato a dois. Afinal, para ele, o que ocorre, é um direito adquirido, ele só está tirando o prazer que lhe é devido pela parceria.
            Alguns narcisistas sentem um prazer extra pela parceria não estar obtendo este prazer no contato a dois. Se ela disser que lhe faltou algo, que algo não estava bem, o jogo será virado com ataques e agressões defensivas pelo narcisista, tornando-se vítima da situação. Assim faz a parceria sentir-se culpada. Argumentos simples serão sempre usados com frases do tipo “mas você não me parou”, “você nunca quis fazer sexo, você não tinha vontade, e se você me falasse, eu iria fazer outra coisa”. Claro que uma forma de forçar será sempre perguntar “Você gostou, não foi?” ou reforçando a situação “você sabe que me excita fazer sexo mesmo quando não está a fim”.
            Essa falta de interação e apatia pode trazer problemas sexuais de excitação (dificuldades eréteis nos homens e falta de lubrificação vaginal nas mulheres). Assim o narcisista precisa e um ato sexual que os tire da chatice que vivem, seja estimulante, precisam de sobre estimulação erótica. Isso facilita que tenha mais e mais atividades sexuais pervertidas e que não são consideradas comuns ou morais. O uso de pornografia é comum facilitando a busca de novas formas de excitar-se. A busca leva a extremos que chegam ao estupro, o assalto sexual, fetiches de todos os tipos, perversões e explorações de pessoas rebaixando a objetos.
            Eles têm grande prazer vendo a parceria fazer algo que ela não quer, apenas para ele ter prazer. Mostrar que tem prazer em tirar algo da outra pessoa e mostrar como ele conseguiu e o quanto poderoso ele é.
            E o que podemos olhar para saber se acontece ao nosso redor?
1 – Eles querem sexo de você todos os dias, muitas vezes mais, fazendo você sentir-se culpada por não querer sexo;
2 – Assistem bastante pornô e se masturbam frequentemente;
3 – Você se sente objetificada por ele – algumas vezes implica em ser apalpada nas nádegas quando você está lavando pratos, falar sobre outras mulheres de modo a serem inferiores a homens, sem considerar as necessidades sexuais ou sentimento;
4 – Eles ignoram você ou se diz não para o sexo eles continuam a tentar o sexo.
5 – Não se sentir sexualmente segura ou com intimidade ao lado dele, parecendo uma obrigação;
6 – Se você estiver confortável com a situação sexual proposta, ele a fará sentir-se estúpida, envergonhada e desapontada se algo for diferente do que ele quer;
7 – Eles procuram dominação no sexo, papéis que envolvem fantasias de estupro, brincadeiras nas quais a parceira é uma adolescente, não questionar ou mostrar-se importar-se com o que sente durante a atividade sexual...
8 – Quer fotografar e fazer vídeos para assistir depois...

            Estes são sinais em sua parceria sexual que podem significar que precisa de ajuda de um psicoterapeuta para debater e compreender o que lhe acontece neste setor de sua vida.
            Assim foram construídas relações que hoje chamamos de tóxicas, onde existe medo da outra pessoa, impossibilidade de mostrar seus valores morais e limites, sentir-se respeitada enquanto pessoa no que quer ou pode querer. A psicoterapia auxiliará a libertar-se, desenvolver mecanismos de como enfrentar esta situação e mesmo como sair dela.



A psicoterapia funciona?



Oswaldo M. Rodrigues Jr.
Psicólogo (CRP06/20610)
psicoterapeuta sexual e de casais
Instituto Paulista de Sexualidade – InPaSex

             Sou psicoterapeuta há mais de 35 anos. Atendo no consultório de 20 a 50 horas por semana desde que iniciei a carreira na psicologia clínica. Com o trabalho aprendi algumas coisas, mas o que quero apresentar aprendi já nos primeiros anos e foi muito importante para minha profissão e para os que me buscaram no consultório.
             Mas já ia partindo do princípio que todos sabem o que é a psicoterapia...
             Mas acho melhor explicar, mesmo que rapidinho ou parcialmente.
           A psicoterapia é uma forma de tratamento que tem como fundamento a psicologia e se destina a solucionar ou modificar comportamentos que fazem a pessoa sofrer. Os chamados problemas psicológicos são tratados ela psicoterapia. O tratamento e faz através do conversar, com questionamentos e orientações, algumas vezes contém o aconselhamento, mas não damos conselhos. É um processo de aprendizagem de novos caminhos para enfrentar problemas antigos da pessoa, ajudá-la a ter outras formas de enfrentar o problema, resolvê-lo ou superá-lo, deixando de sofrer e tendo forças para desenvolver outras questões na vida, algo mais produtivo do que sofrer com o problema anterior.
            Então, a pergunta é se a psicoterapia funciona...
           Este é um questionamento importante eu todos devem ter e fazer, inclusive nós psicoterapeuta fazemos e com razão e necessidade.
            Existem candidatos a tratamentos psicoterápicos que se adequam ao tratamento psicoterápico, e outros... não.
          Um psicoterapeuta com um par de anos de atuação aprende distinguir, saberá em quem apostar, em quem se dedicar para auxiliar a vencer os problemas que trazem esta pessoa em busca de ajuda.
          Há 30 anos tive dois pacientes emblemáticos. Auxiliaram muito reconhecer estas diferenças.
        Numa tarde de sexta-feira, nos primeiros anos dos 1990, vem para uma primeira consulta um homem de quase 50 anos de idade, chegando numa Mercedes classe E, com motorista uniformizado (!). Era uma época sui generis economicamente no Brasil, pois tínhamos o hábito de dolarizar as consultas para proteção contra a inflação alta que vivíamos (chegara a 80% ao mês). Este homem explica o problema que vivia, uma dificuldade erétil, incapacidade de relacionar-se sexualmente. Havia passado por médicos que afirmaram que ela não tinha nada físico para ser tratado e precisa de psicoterapia, para poder retomar um caminho de comportamento sexual satisfatório. Iniciei a propor o contrato de psicoterapia que deveria ser de uma sessão semanal, cada uma com 50 minutos de duração, que preferia que ele viesse com a parceira sexual, e que cobrava o equivalente a U$300.oo a sessão. Neste momento ele me afirma considerava muito caro o valor de consulta... ele que tinha três fábricas, e claro administrava as fábricas, usava o dia ao redor destas atividades. Disse que podíamos conversar sobre os valores na sequência. Assim passei ao próximo item, dias e horários. Sempre tive consultório bem ocupado, e nestas épocas atendia, nas sextas-feiras, desde 08 da manhã até as 21 (já fora piada em sala de professores na faculdade onde lecionava: “só uma hora, das 8 às 9h?”). Afirmei que teria as sextas-feiras às 15h para oferecer para iniciarmos o tratamento. O candidato a paciente disparou rapidamente impondo-se que horário para ele somente antes das oito da manhã, ou depois das oito da noite, afinal, “como ele poderia sair do escritório toda semana no meio da tarde, o que os funcionários dele iriam falar?”... respirando fundo, entreguei meu cartão de visitas a ele, confirmando o horário disponível e o valor por sessão, afirmando que compreendia que se ele desejasse iniciar a psicoterapia na semana seguinte, eu aguardaria que me comunicasse até a segunda-feira à tarde, caso contrário eu disponibilizaria o horário a outra pessoa que considerasse que era o momento de vida de produzir mudanças. Por dentro eu pedia que ele não me telefonasse, pois parecia o tipo de candidato a paciente que poderia vir quatro ou cinco sessões, se eu aceitasse as condições dele, diminuísse o valor de consultas, visse mais cedo... e ele abandonaria o tratamento, e ainda consideraria que tentara e a falha não era dele...
             Outro ícone nestas discussões mostrou o tipo de pessoa que poderia eu ajudar.
            Era uma terça-feira à tarde, também no início dos anos 1990. Um rapaz de 21 anos de idade, vindo de área rural do noroeste do Paraná morar com um tio em Diadema (era uma cidade com os menores índices de qualidade de vida na grande São Paulo à época), e trabalhava numa oficina mecânica recebendo uma percentagem dos serviços que produzia. Visível era a graxa sob as unhas, mesmo que estivesse bem vestido, e limpo. Também trazendo a dificuldade de ter e manter ereções penianas que permitissem uma relação sexual com penetração. Iniciei os passos de contrato. Ele poderia vir semanalmente, sim, e isto significava pegar um trem e cainhar um par de quilômetros até o consultório... Valores, ele não poderia pagar o que eu cobrava, mas fez uma proposta equivalente a 30% do que normalmente fazia mensalmente para as quatro sessões mensais... um terço do valor de consultas para as quatro sessões... e neste momento conta que havia procurado uma psicóloga na cidade em que morava e havia proposta este valor e ela aceitara... Opa... ele já havia contatado psicoterapia. Neste caso, disse a ele que eu não poderia aceita-lo enquanto cliente se ele já se encontrava sob acordo para um tratamento semelhante com uma colega, propondo que ele pensasse a respeito, e que se ele considerasse que eu deveria ser o psicoterapeuta escolhido, antes ele desfizesse o acordo com a outra psicóloga e nós voltaríamos a conversar. Dois dias depois ele telefona para contar que havia se decidido por mim e que já havia desfeito o acordo com a colega, mas o dono da oficina fechou o negócio e ele estava sem trabalho por enquanto, mas sabia que logo conseguiria outro e que quando isso ocorresse ele poderia vir para o tratamento, questionando se eu aceitaria. Demonstrava um esforço e organização em prol dos objetivos... Concordei. E assim se passou o restante do mês de março daquele ano... e mais alguns meses, quando na segunda metade de junho recebo um telefonema intrigante, interessante... a produtora do programa “A porta da esperança”. Este programa de televisão se iniciara em 1984 e realizava sonhos e necessidades de pessoas que não podiam pagar pelo que precisava. A produtora explicou que receberam a carta de um jovem com impotência sexual que pedia um tratamento gratuito comigo, e propunha um negócio: eu teria 20 minutos para divulgar meu trabalho, durante o programa de maior audiência na TV naquela época, poderia ser ao vivo, mas eu poderia ter esta participação gravada em meu consultório, se assim o desejasse. Os de minutos restantes do quadro ficariam com o condutor do programa e o rapaz que contaria o problema dele em púbico... o quê? Complicado isso de expor a alguém que confiava em mim... eu não estaria cometendo nenhum erro ético, eu não promovia a exposição dele... diretamente... mas não podia concordar com o que ocorreria, sabendo também que seria contraproducente esta exposição. Estava entre sessões quando esta jornalista me telefonara, então pedi seu número e que depois falaríamos, mas naquela hora tinha que atender o paciente do horário que já aguardava. Precisava de tempo para ponderar... no dia seguinte, a quinta-feira, de manhã, telefonei ao rapaz. Mal tive tempo de explicar a razão pela qual eu ligava, e ele já falava de modo alegre que havia começado a trabalhar naquela semana e que poderia fazer o tratamento, perguntando se eu aceitava o valor que havíamos falado havia três meses (lembremo-nos que em três meses a inflação teria comido substancialmente o valor de compra do que era proposto...). Aceitando, expliquei o ocorrido, contando que eu já decidira que o atenderia gratuitamente caso ele pudesse vir para as sessões. Mas ele propunha pagar pelo trabalho. E veio semanalmente e em seis meses estava sexualmente ativo e satisfeito.
              Isso me mostrava que não era o que pagava, mas o que se esforçava em seguir a psicoterapia que teria sucesso.
Este era um princípio que sempre insistiam na faculdade de psicologia: a psicoterapia somente funciona para quem a aceita e para quem se envolve no tratamento. Mas semrpe será nossa vivência cotidiana que mostrará, pela prova da realidade, os caminhos corretos e úteis.
Assim, se alguém me procura no consultório já duvidando do tratamento... sei que não posso ajudar. Se alguém não se coloca disponível e investe no tratamento psicoterápico, não lucrará com ele.
E isso ainda segue algumas outras regras que sempre serão necessárias para o desenvolvimento e aproveitamento do processo psicoterápico. Outro exemplo negativo é o paciente que vem alcoolizado (mesmo com uma dose de álcool) ou sob efeito de maconha. Nestes casos o processo de modificações, de memória, de aprendizado são afetados e não faremos bom uso das sessões... e as semanas se arrastarão. E tente dizer isso como regra no primeiro dia, durante o contrato... seguramente não seremos levados a sério, pois estas pessoas sob efeito de substâncias têm a “certeza” de que sabem mais e que isso nunca seria um empecilho ao tratamento...
Assim tive que aprender que quem chega ao consultório falando que a terapia não funciona... esse alguém tem razão... com ele nunca funcionará, pois ele barrará qualquer e toda possibilidade de modificação ou direcionamento que implique nestas mudanças.
         Sei que a psicoterapia auxilia a mudanças de comportamentos, atitudes, interação social em prol de melhoria de qualidade de vida... mas para quem esteja disponível a mudar.
        Aos incrédulos, aos que não tem condições de aceitar algumas realidades, nada que façamos será útil. Nada, mesmo que saibamos que é o caminho da verdade. Se fizermos a demonstração caminhando sobre a água, na frente destas pessoas, elas terão outras compreensões, e olharão para o que lhe aprouver e que confirmem suas compreensões destrutivas de vida, até falarão: mas esse sujeito nem consegue nadar...”
       Assim ao procurarmos psicoterapia, somos quem vai definir se faremos o tratamento, pois o psicoterapeuta já saberá no primeiro momento se temos chances de usar esta forma científica e baseada na vida humana. Funcionar... claro que funciona, mas será necessário permitir que o caminho seja seguido.