segunda-feira, 25 de julho de 2011

Redes sociais estão transformando a vida amorosa e dando origem a um novo código de conduta

Redes sociais estão transformando a vida amorosa e dando origem a um novo código de conduta
Publicada em 23/07/2011 às 17h26m
Joana Dale (joana.dale@oglobo.com.br)

RIO - Há um mês, os 517 amigos de um designer carioca, de 36 anos, acharam que ele estava brincando quando trocou o status de "casado" por "solteiro" em seu perfil no Facebook. Por sete anos, o músico e a mulher formaram uma espécie de casal 20 da galera. Após cair a ficha, enfim, os amigos começaram a postar comentários do tipo "não curti", "também não curti", "como assim?" na página dele.
Para a ex-mulher, ele justificou o ato - sacramentado na rede social três dias após a separação - dizendo que preferiu dar a notícia a todos logo de uma vez a ter que ficar se explicando a cada amigo que encontrasse no Baixo Gávea. Seria menos doloroso, alegou ele. Ela, por sua vez, ainda tenta assimilar a dimensão que o rompimento tomou, com sessões extras de terapia particulares e em grupo.
QUADRINHOS :Confira uma tirinha extra da série que ilustra a resportagem
Para alguns, ele teve uma atitude egoísta. Para outros, não. Comunicar o fim de um namoro ou casamento na internet é uma decisão unilateral? Qual é a medida para anunciar ao mundo, literalmente, o término de uma relação, sem desrespeitar o luto alheio? Estas e outras questões, nascidas no mundo virtual mas com implicações bem reais, têm alimentado reflexões e discussões, seja em mesas de bar, em consultórios de psicanálise ou em teses acadêmicas. O fato é que as redes sociais, em diferentes graus, estão causando uma série de transformações nos relacionamentos amorosos. Após saias justas, crises de ciúme e muito bafafá, aos poucos está surgindo um conjunto de novas regras de etiqueta entre os 38,4 milhões de brasileiros que usam Facebook, Orkut e Twitter, segundo números da pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online no mês passado.
- Os códigos estão sendo criados, entre erros e acertos, pois ninguém sabe ainda aonde isso tudo vai dar - diz o psicanalista Miguel Calmon, que não tem conta em nenhum site de relacionamento, mas costuma participar de debates sobre o tema no jantar com os filhos ou em seu consultório. - O mais importante é ser cauteloso e não fazer uma crítica radical e reacionária das relações intermediadas pelo Facebook, caracterizando-as como de segunda ou quinta categoria, já que as pessoas tendem a achar que amor verdadeiro era o vivido no passado. Essa revolução comportamental está transformando a forma de pensar o amor.
Para muita gente, principalmente as pessoas que ainda não entraram nessa onda, o amor nos tempos das redes sociais é mais impessoal. O psicanalista Joel Birman pondera: o momento é mesmo de repensar os preconceitos.
- Para usar uma metáfora grega, diria que o Facebook é a Acrópole contemporânea - compara. - É um espaço social legítimo, real. A rede social abriu um espaço onde as pessoas podem restaurar laços de amizade e sentimentais numa época em que a dinâmica da metrópole moderna é uma correria só. E isso tudo precisa ser visto com leveza, de preferência sem moralismo.
A professora Fernanda Paixão, de 29 anos, demorou seis meses até conseguir excluir o ex-namorado de sua lista de amigos no Facebook. Por questão de dias, não deu de cara com as fotos do casamento dele no mural. Ela diz que foi difícil se livrar dos vínculos, a história era antiga. O rolo começou em 2006, num tempo em que o Orkut ainda reinava absoluto - não há dados oficiais, mas calcula-se que hoje, no Brasil, existam 22 milhões de usuários do Facebook e 30 milhões do Orkut.
- Namoramos de 2006 a 2007, e após o término encerrei minha conta no Orkut. Mas continuamos enrolados por mais alguns anos e, nesse tempo, nós dois entramos no Facebook. Foram muitas sessões de análise para saber se o tirava, ou não, da minha lista de amigos. Quando vi que acompanhar o perfil dele estava virando um vício, tomei coragem - conta Fernanda que, até hoje, segura o dedinho para não convidar o ex para ser mais um entre os seus 460 amigos.
Autoras do livro "Mulher, vamos descomplicar?", as psicanalistas Luciana de la Peña e Ana Franqueira lembram que as crises sentimentais deflagradas em redes sociais dominaram o seminário "Encontros & Desencontros - Ele simplesmente não está a fim de você", realizado no mês passado no Espaço Trocando Ideias, no Jardim Botânico.
- O que você vai ganhar rastreando a vida do ex pelo Facebook? No máximo, vai ficar sabendo em tempo real que ele entrou numa boate e, no dia seguinte, conferir em fotos o quanto ele se divertiu - diz Luciana. - O problema dos relacionamentos não é o mundo virtual, mas o uso que as pessoas fazem dele.
Após um rompimento, a faxina nos álbuns de fotos criados no Facebook ou Orkut é procedimento de praxe. Mas o problema é que tem sempre aquele melhor amigo do casal que acaba postando uma foto antiga que pode dar aquela angústia no peito de um deles, ou de ambos. Pior é quando alguém repassa uma mensagem cheia de duplos significados que o ex escreveu, mostrando que a vida vai muito bem, obrigado. No mundo virtual, os "falecidos" costumam ressuscitar com a maior desenvoltura.
Não à toa, foi lançado um programinha chamado Ex-Blocker, que tem a missão de bloquear tudo (tu-do!) relacionado à antiga cara-metade. Basta inserir o primeiro e o último nome do dito(a) cujo(a) na conta no Twitter e no Facebook. O site da empresa criadora do software, em blockyourex.com , informa que, hoje, cerca de 14.900 pessoas são bloqueadas através dele.
As pessoas estão ficando loucas com o Facebook, os relacionamentos estão frios e a exposição, enorme
A administradora de empresas Vivian Mattos, de 28 anos, precisa urgentemente ser apresentada ao Ex-Blocker. Há dois meses, ela entregou sua conta do Facebook nas mãos de uma amiga, pediu para que ela trocasse a senha e, desde então, não entrou mais na rede. Tudo para não ficar com vontade de fuxicar a vida do ex, no melhor estilo "o que os olhos não veem o coração não sente".
- Nunca fui muito adepta de redes sociais, mas acabei entrando na onda do Facebook e, quando terminei, fui obrigada a mudar meu status para solteira. Quando fui ver o dele, adivinha?, ele já havia mudado antes de mim. Que decepção! A tristeza aumentou - lamenta. - E ainda tive que ouvir de uma colega do trabalho que se ele mudou de status é porque acabou mesmo...
Nada como um dia após o outro: Vivian jura que está conseguindo se recuperar e que está mais feliz sem a tentação de acessar o Facebook a todo momento através do celular, como antes.
- Quando quero falar com algum amigo, pego o telefone e ligo. As pessoas estão ficando loucas com o Facebook, os relacionamentos estão frios e a exposição, enorme - opina a moça.
Na alegria ou na tristeza, o Facebook faz parte do enredo de muitas histórias de amor. A teia criada por Mark Zuckerberg em 2004, tema do filme "A rede social" (que, aliás, começa com o fim de um namoro), foi o fio condutor do último relacionamento da estudante de administração Paula Pires, de 20 anos. Ela estava saindo com um carinha que conheceu na PUC fazia meses. Ele tinha feito até a proposta de os dois assumirem um "relacionamento enrolado". Eis que certo dia Paula foi pedida em namoro oficialmente - pelo Facebook.
- Recebi uma mensagem pelo site com uma declaração de amor fofa, com uma solicitação de relacionamento sério. Sou contra assumir um namoro no Facebook assim tão rápido, mas foi tão bonitinha a atitude dele que acabei aceitando - conta Paula, que namorou o rapaz por 11 meses.
Solteira há menos de um mês, optou por deixar o campo do status de relacionamento em branco:
- Me recuso a botar que estou solteira. Quem põe isso é porque está querendo provocar alguém ou porque está desesperada.
A troca de status é uma das ações de maior audiência no Facebook. Bote o aplicativo Social Statistics, que coleciona mais de dois milhões de fãs, para rodar no seu perfil e confira o resultado. No quesito Top Posts, a alteração de status sempre figura entre os dez mais comentados.
- As pessoas costumam comentar mais o término de um namoro do que o início. Quando assumi o namoro, meia dúzia de amigas curtiu, desejou felicidades. Mas quando terminei, todo mundo da faculdade me chamou no chat para mostrar uma suposta solidariedade - alfineta Paula.
Curtir a solteirice alheia também pode pegar mal na rede. Em abril, após o término de um namoro de dez meses, a gaúcha Karen Marcelja, de 32 anos, acabou mudando o status de relacionamento para solteira. Dez minutos depois, sua melhor amiga simplesmente "curtiu", o verbo mais conjugado no Facebook, num ato de apoio. Pronto: o barraco online foi parar no Twitter.
- Meu ex-namorado ficou magoado com a atitude dela e foi desabafar no Twitter. Ele começou a mandar um monte de indiretas, essa minha amiga ficou furiosa, e os dois brigaram por mensagens no Facebook - conta Karen, que, no geral, acabou vendo o lado positivo da mudança de status. - Virar solteira desperta um monte de paquerinhas que estavam adormecidas.

No fundo, todo mundo quer é ser amado, dentro e fora da internet, observa Ana Maria Sabrosa, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio:
- De alguma maneira, o ser humano é marcado pelo desamparo e tem necessidade imensa de ser amado. Toda publicação em rede social tem um objetivo. Mas como tudo é subjetivo, às vezes o retorno pode causas frustração, às vezes pode causar felicidade.
Há quatro anos estudando o ambiente social do Facebook, os pesquisadores Amy Muise, Emily Christofides e Serge Desmarais, do Departamento de Psicologia da Universidade de Guelph, do Canadá, não têm dúvidas de que a rede social está tornando o exibicionismo online algo, digamos, mais natural. Mas divulgar aos quatro ventos se é solteiro, noivo, casado, viúvo ou está num relacionamento sério ou numa amizade colorida (ao todo, são nove opções de status no Facebook) tem suas implicações. Não divulgar, também. O ponto mais latente é o ciúme.
- Algumas mulheres se tornam mais ciumentas quando passam muito tempo no Facebook. Num estudo recente, notamos que a exposição detona o gatilho do ciúme, e isso compromete a relação, deixando a pessoa menos satisfeita e menos comprometida com o parceiro - adverte Amy.
Faz sentido. De acordo com uma recente pesquisa da empresa de antivírus Norton, o uso do Facebook é uma das principais causas de divórcios nos Estados Unidos atualmente. A canadense poderia fazer uma extensa lista de dicas para casais evitarem este desfecho e terem uma vida amorosa saudável mesmo sem abrir mão das redes sociais.
- Se você encontrar algo que te deixe desconfortável no mural do seu parceiro, converse sobre isso. Muita informação divulgada no Facebook pode ser mal interpretada - diz Amy.
A forma encontrada pelo casal Luciana e Gustavo Thorstensen, ambos de 37 anos e 16 de casados, para se blindar de ti-ti-tis online foi criar um perfil compartilhado no Facebook.
- Achava ridículo ter um Facebook com o marido, porque isso tira a individualidade. Mas foi o jeito encontrado para evitarmos futuros aborrecimentos. Está dando certo - conta Luciana, que quando escreve uma mensagem no mural de algum dos 253 amigos do casal assina "/LU". - Conheço muitos casais que têm contas separadas no Facebook, mas um tem a senha do outro. Prefiro ser cafona a ser hipócrita.
Perfis compartilhados levam a alguns problemas. Quando o relacionamento termina, a quem pertence a conta? Para alguns, a saída é extinguir o perfil. Em outros casos, um assume a conta, e muda a senha (algo como trocar a fechadura da porta na vida real). A questão da privacidade, como se vê, é complexa. E virou objeto de estudo do mestrando Gustavo Rauber, do departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com o Indraprastha Institute of Information Technology, de Nova Délhi. No total, 744 pessoas participaram da pesquisa, que será divulgada em outubro, no evento WebMedia'11, em Florianópolis. Entre as conclusões, ele confirmou que os indianos, por exemplo, são mais cautelosos do que os brasileiros nas redes sociais.
- A maioria das pessoas ignora os controles de privacidade existentes. Pode ser por desleixo, por autopromoção ou pela falta de intimidade com o sistema - avalia Gustavo.
Especialista no assunto, ele divide bem o que compartilha entre os seus cerca de 250 amigos no Facebook. Menos da metade deste total, por exemplo, soube que ele ficou noivo da namorada há seis meses.
- Dá trabalho, mas através das configurações de privacidade é possível definir os diversos níveis de intimidade por grupos. Apenas os amigos que eu gostaria foram avisados do meu noivado - diz o pesquisador mineiro, de 28 anos. - Todos nós estamos limitados a um certo número de amizades, seja por falta de tempo ou pela nossa capacidade cognitiva. O valor mediano para tal limite é estimado em 150 amizades, conhecido como número de Dunbar. E esse número foi confirmado no Facebook: apesar de você ter dois mil amigos, não consegue manter contato com muito mais de 150 pessoas.
A administradora Bárbara Bretas, de 34 anos, é um exemplo de usuária seletiva. Em seu perfil, são 134 amigos contados nos dedos. Para ela, rede social é coisa séria. Foi através do Facebook, inclusive, que conheceu seu atual namorado, o piloto Gustavo Perrota, de 29. A história é um conto de fadas com toques bem contemporâneos: certo dia, uma amiga em comum resolveu bancar o cupido e sugeriu que ela desse um confere na ficha e nas fotos de Gustavo na sua lista de amigos (encontro às escuras entrou mesmo em extinção). Mas qual não foi a surpresa ao dar de cara com o aviso "Gustavo Perrota está em um relacionamento sério", que parecia piscar no monitor. Hoje, aos risos, ele explica o acidente de percurso:

- Eu já estava de saco cheio da quantidade de periguetes querendo me adicionar, então resolvi mudar meu status de relacionamento.
Sobrou para a amiga-cupido desfazer o mal-entendido. Em cinco minutos, o status de relacionamento dele ostentava um atraente "solteiro" de novo.
- Quando vi que ele estava solteiro mesmo, comecei a olhar as fotos, vi que era gatinho, e dei o aval para a nossa amiga nos apresentar - conta Bárbara.
Os dois saíram pela primeira vez no último carnaval e não se largaram mais. Quer dizer, já rolaram umas briguinhas, o suficiente para para ela tirar do perfil que estava em um "relacionamento sério com Gustavo Perrota"...
- Para não virar bagunça, depois da terceira troca de status, resolvemos agora deixar essa lacuna em branco. Não quero mais dar satisfação para ninguém sobre a nova vida amorosa - avisa Bárbara.
Roteirista da peça "Adultério", em cartaz no Teatro do Leblon até o fim do mês, o dramaturgo Daniel Herz, da Companhia Atores de Laura, levou o mito da traição virtual para o palco:
- É uma discussão aberta. Há quem pense que a chamada traição virtual alivie o desejo da traição na carne - comenta Daniel, casado e com a lacuna do status de relacionamento em branco no Facebook. - Nós conversamos sobre isso e optamos pela discrição.
Pode ser apenas uma coincidência, mas acabou de desembarcar no Brasil um site de relacionamentos que facilita a vida de pessoas casadas que querem pular a cerca. De origem americana, o Ohhtel é gratuito para mulheres. Homens pagam R$ 60 para enviar emails para as pretendentes. Nos sete primeiros dias por aqui, o site atingiu a marca de 63.317 inscritos (no total, são um milhão e 300 mil participantes, de diversos países). Neste caso, só a troca de mensagens é virtual. O objetivo final é a "traição na carne" mesmo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2011/07/23/redes-sociais-estao-transformando-vida-amorosa-dando-origem-um-novo-codigo-de-conduta-924966827.asp#ixzz1T6yZZrAw
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sábado, 23 de julho de 2011

Discussão sobre papéis sexuais devem ser tema de reflexão

13/07/2011 -- 16h13
Discussão sobre papéis sexuais devem ser tema de reflexão
Os papéis sexuais desenvolvidos pela sociedade devem ser repensado por educadores


A sexualidade relaciona-se com o papel que homens e mulheres desempenham socialmente. A sociedade estabelece hierarquicamente papéis sociais para o homem e para a mulher, nos quais, não raramente, encontramos o homem colocado em um papel privilegiado.

A sociedade espera do homem e da mulher o que chamamos de papel sexual. O papel sexual é o modo com que os indivíduos se comportam com os do mesmo sexo. A sociedade e a cultura de cada povo determinam como homens e mulheres vão incorporar esses papéis, e quem não segue o padrão, muitas vezes, não é visto com bons olhos.

Há séculos não se admitia que a mulher trabalhasse fora, usasse calças compridas e batom. Hoje, muitas mulheres realizam trabalhos iguais aos dos homens e se vestem de acordo com a conveniência, condições e ocasião.

Mesmo com a modernização que a estrutura social sofreu nas últimas décadas, vemos que a educação das meninas e meninos continua sendo bem diferenciada. Enquanto os meninos são educados dentro da ótica da competição e agressividade, as meninas são educadas para serem delicadas e maternas.

E, quando chega a adolescência...

Para a jovem, tem-se uma série de proibições: não deve sair sozinha, não pode transar com o namorado entre outros. Mas para o rapaz, tudo é permitido e até estimulado: sair só, beber, fumar, voltar para casa de madrugada, ter relações sexuais.

Por isso, ao educador cabe a tarefa de desencadear a reflexão e o debate sobre os papéis sexuais carregados de esteriótipos, ou seja modelos rígidos de comportamento. Não se pretende fazer meras substituições sociais que os homens e as mulheres ocupam, mas promover a igualdade de direitos e a equiparação de oportunidades.

O adolescente em geral, não expõe suas dúvidas e curiosidades sobre o assunto, por medo de ser taxado de avançada demais - as meninas - ou bolha - os meninos.

Eles procuram satisfazer suas curiosidades de diversas maneiras, como buscando informações na mídia, com os pais, com os colegas e até mesmo com os professores. Passam por baixo das carteiras revistas pornográficas, assistem em grupo a filmes, discutem sobre personagem de novelas a ser ou não hermafrodita e polemizam se uma colega de classe poderia ter evitado aborto. Falam de alguém que cometeu estrupo e foi preso, de assédio sexual, da prostituição infantil.

Esses entre outros aguçam a curiosidade dos jovens. Os olhares são cheios de indagações, portanto o espaço para debate deve estar aberto, para divagar sobre a sexualidade. O importante é ter uma boa interação com os jovens e disponibilidade afetiva para que o adolescente possa interagir no contexto da sexualidade.

Eliane Marçal - psicóloga clínica
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-27--71-20110713&tit=discussao+sobre+papeis+sexuais+devem+ser+tema+de+reflexao

Escolas podem ajudar contra práticas sexuais violentas

14/07/2011 -- 16h31
Escolas podem ajudar contra práticas sexuais violentas
Atualmente práticas de assédio moral e sexual são constantes, por isso além da escola é necessário que haja um planejamento comunitário

O que hoje denominamos bullying, ou assédio moral, constitui-se num conjunto de práticas violentas, normalmente relacionadas às ideologias preconceituosas, como racismo, sexismo, homofobia, e, estranhamente, contra pessoas responsáveis e cumpridoras de seus deveres.

A palavra designa todo comportamento violento, seja no plano material ou emocional, exercido sobre algum outro mais frágil e que sofre normalmente em silêncio. Este assédio acontece em agremiações esportivas, ou mesmo em ambientes de trabalho. Possivelmente as próprias pressões do dia a dia, com sua imensa carga de frustrações, induzam algumas pessoas sem muitos freios morais a esta conduta, transferindo aos mais fracos seus rancores e decepções.

Infelizmente, tem ocorrido nas áreas públicas e privadas, denotando sociedades com vivência histórica e social de alto grau de violência real e simbólica. Organizações, sites ou blogs focados na exibição violência, muitas vezes até de seu culto, aceleram este problema e dificultam uma ação eficaz de controle.

Como todas as organizações, escolas também sofrem com várias modalidades de assédio, visíveis no ambiente escolar apesar de este ser um espaço normalmente idealizado para a compreensão, a solidariedade e o acolhimento. Alguns tipos de apelidos, a coerção do mais forte em relação ao mais fraco, muitas vezes leva ao abandono dos estudos ou isolamento social de alguns estudantes.

Os assediadores, em qualquer nível, têm em comum uma imensa dor e uma desmedida covardia. E isso ocorre em toda a sociedade de modo alarmante: condutores de veículos desrespeitando pedestres, assaltantes armados impondo sua vontade, políticos escondendo-se do julgamento de crimes em sua impunidade, clientes humilhando vendedores, comerciantes praticando preços abusivos, países fortes invadindo países fracos, patrões degradando empregados, corruptos espoliando os bens públicos.

Subordinados que aceitam a sujeição mais abjeta tendem a serem os chefes mais arrogantes. Crianças molestadas podem tornar-se adultos molestadores. Ou seja, a violência tende à autogeração, em moto contínuo, e aparentemente estabelece-se um modelo doente, em que aquilo que se sofreu é o que se deve impor em sofrimento quando possível.

Até mesmo, lamentavelmente, uma parte dos pais, ausentes da educação de seus filhos por vários motivos, dentre eles a excessiva carga de trabalho na competitividade que caracteriza a moderna civilização, exerce certo assédio moral em relação aos professores, esperando deles responsabilidade total sobre aprendizado de seus filhos. É como se a escola pudesse ''dar conta'' sozinha de toda a educação, aí incluídas noções de moral e de bons costumes, de comportamento e relações interpessoais.

Uma escola sozinha não constrói outro padrão de comportamento, é preciso o engajamento comunitário na solução deste problema. Nas palavras do poeta Paulo Leminski: haja presente para tanto passado.

Wanda Camargo - professora da Unibrasil (Curitiba)
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-27--80-20110714&tit=escolas+podem+ajudar+contra+praticas+sexuais+violentas

Acusado de estupro que tentou suicídio estudava na UEL

08/07/2011 -- 10h28
Acusado de estupro que tentou suicídio estudava na UEL
José Sinésio Rodrigues levava uma vida acima de qualquer suspeita. Natural de Nova Fátima, tinha amigos, namorada e uma filha


O homem de 33 anos, identificado como José Sinésio Rodrigues, acusado de estupro e que tentou se matar ao ser preso no último dia 29 de junho, era estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele cursava Geografia e foi detido em seu apartamento, na avenida Guilherme de Almeida, zona sul de Londrina.

Ao perceber a ação da polícia, Sinésio, como é conhecido, se trancou em um quarto e tentou suicídio. Ele foi encontrado inconsciente, com cortes nos pulsos e gravemente intoxicado. Sinésio foi encaminhado para o Hospital Evangélico, onde continua internado na UTI. Seu estado de saúde é grave.

Sinésio foi preso após ser denunciado por estupro na Delegacia da Mulher. Depois da prisão, cinco vítimas já o reconheceram. De acordo com a polícia ele costumava abordar mulheres em pontos de ônibus. O carro de Sinésio também foi apreendido. Nele, foi encontrado um colchão inflável que, supostamente, era usado nos estupros.

Segundo pessoas que o conheciam, Sinésio era uma pessoa acima de qualquer suspeita. Natural de Nova Fátima, tinha amigos, namorada e uma filha, de quem sempre falava.

Astronomia

De acordo com um colega que não quis se identificar, apesar de cursar Geografia, Sinésio já era formado em Ciências e se graduou em Cornélio Procópio. Ele integrava o Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina (Gedal), onde era admirado por seu vasto conhecimento. "Ele sabia praticamente tudo sobre as viagens espaciais, principalmente as missões para a lua. As pessoas ficavam impressionadas com a sua memória. Ele citava o nome de todos os astronautas, das naves, o nome das missões, enfim, pequenos detalhes", informou o colega.

Sinésio finalizou há pouco tempo um livro sobre os desastres das viagens espaciais. Esse livro, teria o prefácio escrito por Augusto Damineli, um dos maiores nomes da astronomia brasileira. Além disso, em 2009, no 12º Encontro Nacional de Astronomia, sediado em Londrina, Sinésio foi responsável por uma das palestras de abertura, juntamente com Damineli.

Apesar de ser conhecido pela inteligência, Sinésio já chamou atenção dos colegas por algumas dificuldades. Ele chegou a atuar como agente do Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDR) e da Casa de Custódia de Londrina (CCL) mas acabou sendo afastado. Segundo os amigos, ele dizia que tinham "armado para ele". Certa vez, quando passava por dificuldades financeiras, Sinésio chegou a tentar suicídio e atualmente trabalhava como segurança em uma empresa.

Análise psiquiátrica

Segundo o psiquiatra e especialista em psicopatologia forense, Rui Sampaio, de Curitiba, estupradores em geral, não dão "dicas" de seu comportamento sexual inadequado, por isso, quando descobertos causam espanto aos conhecidos. "Eles são extremamente calculistas e oportunidas. Na maioria dos casos, a sua "tara", é enrustida, mental e não demonstrada, o que torna difícil a identificação".

O psiquiatra aponta também que casos como o de Sinésio, de pessoas que surpreendem pela inteligência praticarem certos tipos de crimes são mais comuns do que se possa imaginar. "O estupro pode ser cometido por qualquer tipo de pessoa, talvez a diferença nesse caso seja o fato de que essas pessoas, usam de sua inteligência para tentar acobertar o crime".
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-3--283-20110708&tit=acusado+de+estupro+que+tentou+suicidio+estudava+na+uel

Infertilidade masculina causada por remédio para calvície é reversível?

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Infertilidade masculina causada por remédio para calvície é reversível?
SEX, 01 DE JULHO DE 2011 10:44 ESCRITO POR REDAÇÃO 0 COMENTÁRIOS

por Conceição Lemes

O remédio chama-se finasterida. A descoberta da sua ação contra a calvície foi por acaso. Ao usar no tratamento de hiperplasia benigna da próstata (HBP), os médicos notaram um efeito colateral nos pacientes que tomavam o medicamento: evitava a queda de cabelos.

Explicação. A finasterida inibe a ação da enzima que transforma a testosterona em diidrotestosterona, que é o hormônio masculino ativo. Com esse bloqueio, a testosterona age menos no organismo, inibindo o crescimento da próstata. Daí ser usada no tratamento da HBP, a doença mais comum dessa glândula masculina. Mas combate também a perda de cabelos em homens.

Em 2005, porém, o urologista Sidney Glina observou que esse medicamento poderia levar à infertilidade. Foi o primeiro pesquisador no mundo a fazer essa associação, encarada, na época, com ceticismo pelos colegas. Mas, aos poucos, outros estudos foram lhe dando razão. O mais recente foi publicado pela revista Fertility and Sterility , publicação da Associação Americana de Medicina de Reprodutiva.

Conversei com o doutor Glina lá atrás e voltei a falar agora, já que a finasterida é o remédio mais usado para prevenir e tratar a calvície androgenética, ou masculina. Ex-presidente das sociedades Internacional de Pesquisa de Disfunção Erétil e Brasileira de Urologia, Sidney Glina é professor livre-docente de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC e chefe da Clínica Urológica do Hospital Ipiranga, em São Paulo.

Viomundo – Nas farmácias, há uma quantidade imensa de medicamentos à base de finastertida [Propecia, Pracap, Pro Hair, Finastec, Finasterida Euro, Merck, Medley, Eurofarma, Legrand, Calvin, Biosintética, Neo-Química, Sanval]. Todo homem que usa finasterida pode ter infertilidade?

Sidney Glina – Não. Existem trabalhos que mostram que homens que tomaram 1mg por dia finasterida por dia [é a dosagem recomendada para tratar a calvície] durante pelo menos seis meses, não apresentaram alteração do espermograma. Entretanto, há vários relatos de homens que apresentaram alterações significativas do espermograma enquanto tomavam a droga nessa dosagem. Esses homens têm outras causas de infertilidade, como, por exemplo, a varicocele (varizes dentro do escroto). A finasterida amplifica a varicocele.

Viomundo – O senhor foi o primeiro pesquisador no mundo a relacionar a finasterida à infertilidade masculina. Como descobriu isso?

Sidney Glina – Há alguns anos comecei a ver pacientes que apresentavam infertilidade e estavam tomando finasterida. Como sempre houve suspeita de que a finasterida pudesse ter essa ação, eu optei junto com os pacientes por suspender a medicação para ver se a alteração encontrada no espermograma era revertida. E isso ocorreu. Daí ter estabelecido o nexo. Em 2004, publiquei trabalho científico mostrando tal evidência.

Viomundo – De lá para cá, outros trabalhos também mostraram esse efeito. Recentemente, uma revista internacional importante apontou o mesmo resultado.


Sidney Glina – Existem mais seis trabalhos que relatam casos semelhantes aos que descrevemos em 2004. Este ano, a Fertility and Sterility, publicada pela Associação Americana de Medicina de Reprodutiva, apresentou mais um caso.

Viomundo – Afinal, como a finasterida pode interferir na fertiliddade masculina?

Sidney Glina – A finasterida inibe uma enzima chamada 5-alfa redutase que bloqueia a transformação da testosterona em diidrotestosterona, que é o hormônio masculino ativo. Isso diminui a queda de cabelo de alguns pacientes. E também o crescimento da próstata quando tomada na dose de 5 mg. Entretanto, a diidrotestosterona tem ação no testículo. A diminuição da concentração de diidrotestosterona no organismo leva à alteração na produção de espermatozóides em testículos que já estejam sofrendo algum tipo de problema.

Viomundo – Quais?

Sidney Glina – Parece que a associação de finasterida com varicocele altera a produção de espermatozóides. Também a associação de finasterida com obesidade.

Viomundo – Essa infertilidade é permanente?


Sidney Glina – Não. Uma vez interrompido o uso da finasterida, há reversão da infertilidade após cerca de três meses.

Viomundo — Qual a sua recomendação para homens com dificuldade de engravidar as suas parceiras e usam finasterida?



Sidney Glina – A primeira atitude é procurar um urologista e fazer um espermograma. Caso o exame venha alterado, a conduta é a suspensão da finasterida antes de tomar qualquer outra medida.

Viomundo – Na época em que publicou o seu estudo, lembro que alguns colegas seus questionaram o resultado. Como é que se sente hoje, quando cada vez mais as evidências mostram que estava correto?

Sidney Glina – Acho que isso faz parte da nossa vida. A única coisa relevante é que, lá atrás, em 2004, a Fertility and Sterility recusou a publicação do meu trabalho. E agora publicou outros dois citando o meu como pioneiro.

Genérico é mais caro que remédio de marca

domingo, 3 de julho de 2011 7:52
Genérico é mais caro que remédio de marca
Willian Novaes
Do Diário do Grande ABC

Quem acredita que os medicamentos genéricos são mais baratos está enganado. A equipe do Diário encontrou em farmácias da região remédios com preços até 165% superiores em relação ao medicamento de referência, quando deveriam custar, por lei (9.787, de fevereiro de 1999), no mínimo 35% menos (veja quadro).
O fato foi comprovado com três princípios ativos de uma lista de dez que a reportagem saiu para pesquisar nas farmácias das cidades de Santo André, São Bernardo e São Caetano. Além da surpresa da equipe com o resultado, até os balconistas dos estabelecimentos não acreditavam no que viam nas telas dos computadores.
"Como isso pode acontecer? Nossa, então tem cliente que está pagando muito mais", disse a atendente de uma drogaria no Centro de São André.
As maiores diferenças ficaram entre os anti-inflamatórios Prazol, que é o de referência, com o genérico Lansoprazol. O primeiro custa R$ 23,39 e o segundo, R$ 62,12. Ambos são produzidos pelo laboratório Medley.
Outro remédio com preços distintos foi o antibiótico Zitromax, 500 mg, com três comprimidos, da Pfizer, por R$ 17,40, e o genérico Azitromicina - R$ 28,90. A diferença foi de exatos 66%.
Segundo o Procon de Santo André, os consumidores precisam ficar atentos na hora da compra para não ter prejuízos.
"É necessário ficar atento na hora de comprar, e perguntar o preço tanto do medicamento genérico quanto do principal (de referência)", disse a advogada Ana Paula Sfatcheki, diretora do órgão de defesa do consumidor.
Em São Bernardo, no bairro Rudge Ramos, é possível gastar R$ 27,43 a mais para comprar o antiobiótico genérico Amoxicilina + Clavulanato de potássio, de 875 miligramas, em vez do Clavulin, que custa R$ 93,43.
PESQUISA FUNDAMENTAL
O alerta do Procon ainda é muito necessário para a população em geral. Poucas pessoas com as quais a equipe do Diário conversou disseram que perguntam o preço dos medicamentos genéricos na hora da compra.
A pesquisa é fundamental para economizar. Os remédios têm preços distintos em quase todas as farmácias consultadas. Até entre os próprios medicamentos similares.
"O que faço é pedir desconto para os balconistas. Mas sempre acredito que o genérico é mais barato", disse o autônomo Roberto Martins, 39 anos. Avisado pela reportagem sobre as diferenças que pode encontrar, foi taxativo: "Rapaz, daqui para frente vou perguntar e anotar tudo. Porque não está fácil ganhar dinheiro."


Associação fala em política dos laboratórios
Para a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, a Pró-Genéricos, a diferença constatada pela reportagem do Diário nas farmácias da região é devida a uma política de vendas dos medicamentos de referência adotada pelos laboratórios fabricantes.
"Com a chegada dos genéricos houve uma queda nas vendas dos remédios de marca. Por isso, atualmente alguns laboratórios fizeram uma operação de vendas agressiva, devido à perda de mercado", avaliou Luciano Lobo, coordenador técnico da entidade.
Para ele, os consumidores devem ficar atentos aos preços, e repete o alerta do Procon de Santo André: é preciso pesquisar antes de realizar a compra. "O genérico deve ser, no mínimo, por lei, 35% mais barato, mas na realidade o desconto na prática chega a 50%. A função maior da quebra das patentes é o aumento da competição e ampliação do acesso aos medicamentos por parte da população", comentou o coordenador da entidade.
Segundo dados da associação, os medicamentos genéricos já representam 25% dos remédios comercializados no País. As vendas movimentam US$ 6 bilhões por ano. Outro dado importante levantado pelo coordenador é como os laboratórios conseguiram chegar nesse preço baixo.
A Pró-Genéricos é uma entidade que representa as 12 maiores indústrias da produção de medicamentos do Brasil, entre as quais estão a EMS, Eurofarma, Medley, Merck e Biosintética. Elas representam 90% da produção do País. No total existem cerca de 100 empresas.
Sobre as críticas de especialistas e da população em relação à qualidade dos remédios genéricos a entidade sai em defesa dos associados. "Isso é um mito. A eficácia terapêutica é provada junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)", disse o coordenador. "Caso o paciente não consiga o resultado esperado, deve procurar a polícia e a Anvisa."


Lei foi criada no governo Fernando Henrique
A lei dos genéricos, a 9.787, foi sancionada no dia 10 fevereiro de 1999 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. A proposta do governo federal era ampliar o acesso aos medicamentos para a população, além de reduzir os preços.
Nesses últimos 12 anos, já foram inclusos no mercado brasileiro mais de 3.130 medicamentos, segundo dados da Pró-Genéricos. Em 2000, esse número era de 138 remédios. Cinco anos depois passou para 1.582.
O remédio genérico é produzido após a expiração ou renúncia da proteção da patente. No ano passado, uma das quebras mais esperadas pela indústria foi a do Viagra, remédio para disfunção erétil. O preço caiu em mais de 50% , na primeira semana.
Por lei, o valor do genérico tem que ser 35% menor do que o preço do medicamento de referência registrado no Ministério da Saúde.
http://www.dgabc.com.br/News/5897007/generico-e-mais-caroque-remedio-de-marca.aspx

Tentadora, red invita a jóvenes a practicar la asfixia

Tentadora, red invita a jóvenes a practicar la asfixia
HIPOXIFILIA

El Occidental
18 de julio de 2011

Cristela Gutiérrez

Guadalajara, Jalisco.- "Escuché un golpe muy fuerte y como que algunas cajas se cayeron en su habitación, le llamé y no me contestaba, entonces abrí la puerta de su cuarto y la vi tirada con mucha dificultad para respirar y luego empezó a toser, yo me asusté mucho, creí que se estaba ahogando porque traía algo atorado, pero poco a poco fue mejorándose y aunque no quería la lleve a la Cruz Roja, yo la verdad que sí me asusté mucho"; así fue como la señora Raquel Ruiz descubrió que su hija Lucy, de apenas 16 años disfrutaba al practicar el "juego" de la hipoxifilia.

La hipoxifilia -también llamada asfixiofilia o asfixia erótica- es una parafilia que consiste en impedir la respiración de la pareja o la propia, ya sea mediante la obstrucción de las vías respiratorias cubriendo la cabeza con elementos plásticos o de látex o recurriendo a la semiestrangulación. Se trata de una práctica sexual muy peligrosa que ha llegado a ser causa de muerte en muchos casos. Cuando lo practica una persona sola, se denomina asfixia autoerótica.

Pero lo que para la señora Raquel es un riesgo, para su hija es sólo un juego que encontró en el Internet, en un momento desesperado, después de aburrirse de las redes sociales y que practicaba porque necesitaba nuevas experiencias.

"Es sólo un juego (...) yo cuando practicaba esto sentía como que volvía a vivir, es una sensación de miedo, reto, satisfacción, de hacer cosas fuera de lo común, de salir de la rutina y hacer cosas nuevas y excitantes, además no soy la única".

Lucy, tranquila y pese a estar en tratamiento por dos meses, asegura que nunca intentó quitarse la vida, había practicado la asfixia por al menos cinco meses, después de que descubriera un blog en la red donde muchos jóvenes de diferentes entidades dejaban sus experiencias, todas satisfactorias, ella decidió comenzar a experimentar una "experiencia extrema", justo el día que sus papás decidieron separarse.

"Mis papás ya tenían problemas, casi siempre dormían separados o mi papá no llegaba a la casa y eran muchos gritos todo el tiempo; mi mamá no nos dejaba salir mucho así que después de la secundaria llegaba a la casa y casi toda la tarde veía la tele o estaba en el Internet (...) cuando mi papá se fue de la casa yo sentía como mucha impotencia y lloraba y mi mamá lloraba, pero sentía la necesidad de desahogarme de otra manera, me metí a mi cuarto y entre al Facebook, estuve ahí escribiendo un rato y luego busqué experiencias extremas y me aparecieron muchas, y algunas me daban miedo, como la de cortarse para sacar el dolor, entonces intenté la de asfixiarme, porque decía en el blog que era una práctica excitante y al principio fue difícil, pero poco a poco, leyendo las experiencias de otros fui entendiendo y logrando el éxtasis (...) el día que me cachó mi mamá fue porque me estaba desmayando y cuando caí, jale unos cables y se cayeron varias cosas del escritorio pero es sólo un juego", dijo.

Lucy ya tiene dos meses en tratamiento y por ser menor de edad, se nos ha pedido que cuidemos su identidad, ella sigue yendo a la secundaria, aquí en la Zona Metropolitana de Guadalajara pero ahora su mamá le supervisa el uso de la computadora y el tiempo que pasa sola.

La hipoxifilia es una práctica que en la última década se ha ido difundiendo y popularizando principalmente por el Internet por toda la urbe, y aunque no se cuenta con ninguna estadística, ni método para medir la cantidad de aficionados que existen a esta práctica a nivel mundial, cada vez hay más elementos que evidencian su auge en Jalisco, donde especialistas del Instituto Jalisciense de Salud Mental (Salme) sospechan que en el primer trimestre del año, un menor de edad del municipio de Ameca perdió la vida por causa de la auto asfixia, vista como juego extremo y promovido en Internet.

"Es un caso en especial, en el cual por la edad del adolescente y por las circunstancias, ha sido difícil tipificarlo como suicidio o como accidente, sin embargo, al analizar su caso sí coincide con la búsqueda de información de juegos difíciles o de alto riesgo en Internet; no existen elementos para relacionarlo con algún club o grupo que promueva el suicidio (...) en Internet lo que el consultaba eran páginas relacionadas con tener sensaciones diferentes, estimulantes, privándose del oxígeno (...) en este caso no había una intención franca ni antecedentes de que quisiera acabar con su vida", explicó Julio Horacio Villegas, responsable de Comunicación Educativa de Salme.

Por su parte, el especialista de la Universidad de Guadalajara, José de Jesús Gutiérrez, considera que para que un adolescente opte por recurrir a los juegos extremos que se promueven en la red, hay varios fenómenos que intervienen, que van más allá de la adicción a Internet y están totalmente relacionados con el bienestar familiar y social.

"Por ejemplo, la violencia o el recurrir a juegos que ponen en riesgo su vida, no se le puede adjudicar todo sólo al Internet, o porque ahí encuentran toda la información; la integración y comunicación familiar, el que hayan aprendido los valores relacionados con la vida, la integración social y la aceptación, son factores que pueden aminorar o darle herramientas a los jóvenes para decir no a todo lo que ponga en riesgo su integridad".

La fuerza que puede tomar la práctica de la hipoxifilia en el estado es alarmante pues existe un incremento considerable en el número de suicidios de menores, según informó la Red Jalisciense de Prevención del Suicidio, quienes dieron a conocer que durante 2010 se reportaron 64 suicidios de menores de edad de entre 15 y 19 años (47 varones y 17 chicas) y 10 casos en niños de entre 10 y 14 años (cinco y cinco respectivamente).

Daniel Ojeda Torres, director de la Red Jalisciense de Prevención del Suicidio dijo que "el suicidio es una epidemia silenciosa, por lo que se ha hecho hincapié en las campañas para sensibilizar a la población de que existe un problema serio en la sociedad jalisciense, así como en todo el mundo, como es la muerte auto infligida", además señaló la importancia de crear un centro de atención para menores con tentativa de suicidio ya que no existe en la entidad un espacio adecuado para este sector de la población.

Fases de la asfixia

1) Fase Cerebral: Donde la anoxia estimula el sistema nervioso central que se manifiesta en zumbidos de oídos, visión de luces centellantes, hormigueos y sensación de angustia.

2) Fase Convulsiva: La misma también derivada de la estimulación cerebral de grado más intenso. En ella aparecen convulsiones generalizadas en la cara, músculos respiratorios, extremidades, pudiendo eliminarse deposiciones y orina, eventualmente eyaculación.

3) Fase Asfíctica: Fase donde ocurre la depresión de las funciones cerebrales, existe pérdida de la conciencia, coma profundo, cianosis intensa, con respiración superficial y lenta, relajamiento muscular y pérdida de reflejos. Esta fase es irreversible, la muerte es aparente y conduce a la siguiente fase, denominada de muerte real, donde desaparecen todos los signos vitales.
http://www.oem.com.mx/eloccidental/notas/n2152201.htm