Por que as mulheres fazem sexo?
19/09/2009 | 10:40 | LETÍCIA SORG
Por, pelo menos, 237 razões diferentes descobriu um estudo conduzido pela psicóloga Cindy Meston, professora da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, em parceria com David Buss, especializado em psicologia evolucionista. Mais de mil mulheres – de 18 a 87 anos – contaram à pesquisadora seus motivos mais altruístas ou mais mesquinhos para transar com um parceiro – e agora essas histórias fazem parte do livro Why Woman Have Sex: Understanding Sexual Motivations from Adventure to Revenge (Por que as mulheres fazem sexo: entendendo as motivações sexuais da aventura à vingança), que chega no fim deste mês às livrarias americanas.
Nesta entrevista ao Mulher 7×7, Cindy revela as principais motivações das mulheres para transar e afirma que refletir sobre as razões que as levam ao sexo pode melhorar sua vida na cama.
Antes de fazer a pesquisa, o que a senhora esperava ouvir entre as razões das mulheres para fazer sexo? O resultado do estudo a surpreendeu?
Cindy – Sabíamos que íamos encontrar mais razões do que as que imaginávamos, mas ficamos chocados com a sua diversidade. Variavam de razões muito altruístas, em que as mulheres queriam transar para fazer seus parceiros se sentirem bem ou então porque tinham pena do homem – porque ele era virgem, nunca tinha tido uma namorada – até razões muito mundanas. Há, por exemplo, as que transam para aliviar a dor de cabeça, para aliviar a cólica menstrual e até para se manterem aquecidas no frio! Ou porque estavam entediadas e queriam simplesmente algo para fazer. Há também as razões bastante egoístas, como vingança e competição com outra mulher pela conquista, por exemplo. Entre as más razões para se fazer sexo também estão a solidão e o fato de não se sentir bem consigo mesmo.
De que forma fatores como nível educacional e religião influenciam na vida sexual das mulheres?
Sabe-se, por exemplo, que, quanto mais anos de estudo tem, maior a probabilidade de uma mulher ter um orgasmo. Provavelmente porque elas tendem a procurar mais informações sobre suas necessidades e que tipos de estímulos precisam para atingir o orgasmo. Religião e crenças culturais também têm um grande impacto. Elas estão por trás de várias das razões pelas quais as mulheres fazem ou deixam de fazer sexo. Algumas mulheres fazem sexo porque acreditam que ele faz parte de seu dever, já que há algumas citações na Bíblia sobre fazer sexo com o marido. Ou porque ouvem a mensagens passadas por suas avós e mães de que elas devem agradar seus homens, e não tentarem achar outro que as satisfaça.
A senhora se decepcionou com os motivos mesquinhos que levam as mulheres a transar?
Não. Acho que eles apenas mostram a riqueza do universo. E acho que o estudo ajuda as mulheres a refletir sobre as razões pelas quais elas mesmas transam. E ler histórias de outras mulheres sobre isso pode ajudá-las a fazer escolhas melhores. Por exemplo, fazer sexo por uma razão específica pode ter levado a mulher a sentir remorso, culpa. Outras razões podem fazê-la sentir-se melhor. Sabendo disso, elas podem melhorar suas escolhas.
De que maneira saber por que transam pode ajudar a vida sexual de uma mulher?
O livro não é de auto-ajuda, mas nós damos muitas informações sobre como as pessoas podem melhorar suas vidas sexuais. De qualquer forma, espero que, ao mostrar histórias de várias mulheres, o livro as ajude a identificar suas motivações para fazer sexo e a avaliar quais razões levaram a boas e a más experiências. Pensar “por que estou fazendo isso” ajuda a tomar decisões corretas, quase como tornar a mulher uma “consumidora consciente” de sexo. Qualquer mulher que tem vida sexual há mais tempo lembra-se de pelo menos algumas situações que elas prefeririam esquecer. Muitas mulheres carregam culpa, arrependimento, perguntam-se por que elas não foram fortes o suficiente, e, lendo o livro, elas vão perceber que muitas mulheres, assim como elas, fazem, vez ou outra, más escolhas. E entender por que elas fizeram essa má escolha, por que não disseram não àquele cara, pode ajudar. Às vezes elas não se sentiam atraídas, não queriam fazer sexo, mas não conseguiram dizer não e se sentiram muito mal depois disso. Para grande parte das mulheres, falta confiança e consciência do direito de dizer não. O cara pode ser bonito e ela se sentir mal de dizer não. Ou ela pode ter sofrido situações de coerção no passado e achar que não há limites para o seu corpo. Elas podem nunca aprender que é OK dizer não.
Existem razões pelas quais as mulheres nunca deveriam transar?
Não, porque o sentimento em relação ao sexo varia radicalmente de mulher para mulher. Uma mulher que entrevistamos, por exemplo, disse que fazia sexo porque se sentia sozinha, extremamente sozinha, e por isso queria ficar com alguém pelo menos uma noite. E isso a fazia sentir-se mais confiante, melhor consigo mesma no dia seguinte. Era uma experiência positiva para ela. Outras mulheres relataram fazer sexo porque estavam sozinhas e, depois, se sentiram ainda mais sozinhas. Tudo depende de cada um, e de suas histórias do passado, do que acreditam ser certo ou errado. Mas, definitivamente, uma boa razão para fazer sexo é porque é bom.
Quais são as principais razões por que as mulheres transam?
A razão número 1 citada pelas mulheres em nosso estudo foi sentir atração pela pessoa. A número 2, a busca pelo prazer físico, ter um orgasmo, sentir-se bem. A terceira razão é o amor, reforçar os laços do casal. Depois deles é que vêm todos os outros, como vingança, competição e tédio. Só para deixar claro, é muito comum que as mulheres façam sexo com seus maridos esperando que eles façam o serviço doméstico, mas não tão frequente como transar por atração física ou por prazer.
É possível dizer que a vida sexual das mulheres melhorou nas últimas décadas? O feminismo ajudou as mulheres?
O feminismo certamente trouxe mais oportunidade de escolha, o que necessariamente é bom, mas acho que nossa atenção está voltada a agradar os parceiros, a como fazer sexo por 10 horas e a como ter um orgasmo enlouquecedor. Tudo que lemos nas revistas femininas é sempre sobre mais sexo e maior e melhor e isso está colocando uma grande pressão muito grande sobre as mulheres para atingir objetivos impossíveis. As mulheres começam a pensar “xi, todo mundo está tendo sexo maravilhoso, menos eu” e ficam desapontadas. Muito disso está mal representado. No mundo da pesquisa acadêmica, mais pesquisadores estão estudando as disfunções sexuais das mulheres, o que é bom, mas a grande questão é o que faz uma mulher ter uma experiência prazerosa com o sexo. E essa satisfação não está ligada a quantos orgasmos ela tem em um dia, definitivamente.
A aparência física tem relação com a satisfação sexual das mulheres?
A pressão para ter um corpo dentro dos padrões atuais de beleza tem um impacto tremendamente negativo sobre a libido. Não só sobre a das mulheres. Os homens também têm a impressão de que têm que ser musculosos como os que aparecem nas revistas voltadas para o público masculino. Talvez aqueles homens das revistas tenham até mais músculos do que as mulheres de fato querem, mas os homens reais acabam achando que têm que ser assim. A imagem corporal é uma grande questão mesmo. No meu laboratório, fizemos um estudo em que trazemos as mulheres, perguntamos como elas se sentem com seus corpos e medimos sua capacidade de excitar-se sexualmente antes e depois de elas verem fotos de modelos muito bonitas e magras. O resultado mostrou que essas imagens afetam negativamente a capacidade de excitação das voluntárias. Elas começam a se comparar com as modelos e se, numa situação de sexo, você ficar pensando como seu traseiro está, vai ser muito difícil se concentrar em sentir prazer. Se você fica pensando em que posição seu corpo tem que estar para esconder as gordurinhas, perde a graça. Essa deve ser a principal razão pela qual as mulheres têm mais chance de alcançar o orgasmo pela masturbação do que com o parceiro. Porque elas não têm que se preocupar com a aparência quando estão sozinhas!
E quais são os principais fatores para a mulher se sentir satisfeita com o sexo?
É o que estamos tentando entender! Mas a relação com o parceiro é fundamental. Combinar com o parceiro na cama é fundamental. Se o seu parceiro tem problemas sexuais e você, não, isso vai gerar problemas para os dois.
Qual é o principal obstáculo para ter uma vida sexual plena?
A principal reclamação entre as mulheres é a falta de desejo sexual. Nos Estados Unidos, um terço das mulheres reclama de ter baixa libido. E não há muito o que fazer nesse caso. Sabe-se que o testosterona pode ajudar algumas mulheres, mas não todas, porque o desejo de fazer sexo é algo muito complexo. Sabemos que, quanto mais longo o relacionamento, menor o desejo sexual, principalmente por causa do tédio e da falta de espontaneidade. Uma das mulheres de nosso estudo, casada há muitos anos, relatou que o sexo se tornou uma rotina entediante, então ela se deita e fica fazendo listas de compra de supermercado na cabeça enquanto transa. Ela diz que ama o marido, mas o tédio é um grande assassino do desejo.
E os homens? Por que eles fazem sexo?
Bom, eles não são simples máquinas de sexo. O estereótipo de que as mulheres transam por amor e os homens por atração não tem comprovação científica. Muitos homens transam por amor, para se sentir ligados à parceira, e muitas mulheres só querem satisfação física. Mas é verdade que os homens em nossa pesquisa têm uma tendência maior de agarrar as oportunidades de transar. Se a situação se apresentar, eles têm maior probabilidade de fazer sexo do que as mulheres. É muito mais fácil também para um homem ficar excitado, fisiologicamente. Um homem pode ter uma ereção por uma razão completamente não-sexual, como a sensação da própria roupa sobre o pênis, por exemplo. Não é preciso um estímulo sexual para que o homem queira fazer sexo. As mulheres são de outro modo, é anatômico. O nosso corpo funciona de maneira diferente. Certamente os homens têm maior facilidade de ter uma razão física para fazer sexo, mas é tão simples assim.
Letícia Sorg é repórter especial de ÉPOCA em São Paulo.
http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2009/09/19/por-que-as-mulheres-fazem-sexo/
domingo, 7 de agosto de 2011
Muita pornografia pode causar disfunção erétil?
Muita pornografia pode causar disfunção erétil?
07/08/2011 | 09:00 | MARTHA MENDONÇA
Há algum tempo, existe nos Estados Unidos uma acalorada discussão sobre o quanto a pornografia está modificando as relações sexuais. Com a internet, os jovens têm livre acesso à pornografia cada vez mais cedo. Com isso, estariam encarando o sexo de forma diferente – e, às vezes, prejudicial aos relacionamentos “reais”. Não se trata de uma discussão moralista. Qualquer pessoa com a mente aberta sabe que assistir de vez em quando àquele filminho pornô com (ou sem) o parceiro serve para apimentar o sexo. Ou simplesmente ajudar no prazer solitário. Mas será que o consumo extremo de pornografia por parte de adolescentes e jovens adultos – o que costuma acontecer mais com os meninos – não constroi em suas mentes um cenário diferente da realidade?
Há algum tempo, li no site Salon o artigo de uma psicóloga que dizia o seguinte:
Mulheres não costumam gritar nem gemer tanto numa relacão sexual e, na maioria das vezes, não têm orgasmos escandolosos como nos filmes. Será que quando começarem a transar com suas namoradas, esses meninos não vão achar que há alguma coisa estranha? Talvez sintam até que suas performances não estão boas e desenvolvam algum tipo de insegurança. (…) A grande maioria das mulheres também não aprecia ser tratada como um objeto, nem ser humilhada ou destratada, como ocorre em alguns roteiros de filmes pornográficos. Será que esses meninos vão achar o sexo com suas namoradas sem graça?
Agora a discussão tomou o seguinte rumo: a pornografia pode causa disfunção erétil?
Um grande número de jovens cosumidores de pornografia na internet está sofrendo de ejaculação precoce, ereções poucos consistentes e dificuldades de sentir desejo com parceiras reais, diz uma das matérias mais lidas do mês de julho na revista Psychology Today.
Segundo a reportagem, uma pesquisa feita pela Universidade de Pádua, na Itália, indicou que 70% dos homens jovens que procuravam neurologistas por ter uma performance sexual ruim admitiam o consumo frequente de pornografia na internet.
Outros estudos de comportamento sugerem que a perda da libido acontece porque esses grandes consumidores de pornografia estão abafando a reposta natural do cérebro ao prazer. Anos substituindo os limites naturais da libido por uma intensa estimulação acabariam prejudicando a resposta deste homem à dopamina, um neurotransmissor. A dopamina está por trás do desejo, da motivação – e dos vicios. Ela rege nossa busca por recompensas. Uma vez que o prazer está fortemente ligado à pornografia, o sexo real parece não oferecer recompensa. Então esta seria a causa do não desejo, da não ereção, para muitos homens.
A carta de um leitor é um exemplo interessante do problema:
Muitos homens jovens, e eu me incluo neste grupo, estão vivendo um círculo vicioso: entre um relacionamento e outro, nos voltamos para a pornografia. Ficamos nisso por longos períodos, até ficarmos viciados e começarmos a falhar esporadicamente. Quando me aparece uma garota legal, não consigo ficar bem com ela, não “funciono” bem longe da forma com que as coisas são feitas na pornografia que costumo ver. Pra mim, sexo é aquilo. Então, o relacionamento sofre, não vai a lugar algum – e acaba. E volto à pornografia, por consolação. E o ciclo continua, com relacionamentos cada vez mais curtos e fases de pornografia mais longas. Tenho medo de onde isso vai me levar. Tenho medo de nunca conseguir me relacionar de verdade com uma mulher. Conheço muitos caras que gostam de suas mulheres, mas não conseguem se sentir atraídos por elas por muito tempo. Às vezes elas não ajudam mesmo. Mas muitas vezes são eles que não conseguem se dar bem com mulheres “normais”. Homens são seres que precisam de experiências sexuais intensas. (…) A pornografia é artificial como uma droga poderosa, que nos dá esse pico sexual alto e o alívio rápido. Infelizmente, como toda droga, o custo é alto. E a verdade é que nunca teremos tudo que queremos num relacionamento quando interagimos apenas com mulheres em 2D”.
E você, o que acha desta discussão? Acredita que a intensa exposição à pornografia pode causar problemas sexuais?
07/08/2011 | 09:00 | MARTHA MENDONÇA
Há algum tempo, existe nos Estados Unidos uma acalorada discussão sobre o quanto a pornografia está modificando as relações sexuais. Com a internet, os jovens têm livre acesso à pornografia cada vez mais cedo. Com isso, estariam encarando o sexo de forma diferente – e, às vezes, prejudicial aos relacionamentos “reais”. Não se trata de uma discussão moralista. Qualquer pessoa com a mente aberta sabe que assistir de vez em quando àquele filminho pornô com (ou sem) o parceiro serve para apimentar o sexo. Ou simplesmente ajudar no prazer solitário. Mas será que o consumo extremo de pornografia por parte de adolescentes e jovens adultos – o que costuma acontecer mais com os meninos – não constroi em suas mentes um cenário diferente da realidade?
Há algum tempo, li no site Salon o artigo de uma psicóloga que dizia o seguinte:
Mulheres não costumam gritar nem gemer tanto numa relacão sexual e, na maioria das vezes, não têm orgasmos escandolosos como nos filmes. Será que quando começarem a transar com suas namoradas, esses meninos não vão achar que há alguma coisa estranha? Talvez sintam até que suas performances não estão boas e desenvolvam algum tipo de insegurança. (…) A grande maioria das mulheres também não aprecia ser tratada como um objeto, nem ser humilhada ou destratada, como ocorre em alguns roteiros de filmes pornográficos. Será que esses meninos vão achar o sexo com suas namoradas sem graça?
Agora a discussão tomou o seguinte rumo: a pornografia pode causa disfunção erétil?
Um grande número de jovens cosumidores de pornografia na internet está sofrendo de ejaculação precoce, ereções poucos consistentes e dificuldades de sentir desejo com parceiras reais, diz uma das matérias mais lidas do mês de julho na revista Psychology Today.
Segundo a reportagem, uma pesquisa feita pela Universidade de Pádua, na Itália, indicou que 70% dos homens jovens que procuravam neurologistas por ter uma performance sexual ruim admitiam o consumo frequente de pornografia na internet.
Outros estudos de comportamento sugerem que a perda da libido acontece porque esses grandes consumidores de pornografia estão abafando a reposta natural do cérebro ao prazer. Anos substituindo os limites naturais da libido por uma intensa estimulação acabariam prejudicando a resposta deste homem à dopamina, um neurotransmissor. A dopamina está por trás do desejo, da motivação – e dos vicios. Ela rege nossa busca por recompensas. Uma vez que o prazer está fortemente ligado à pornografia, o sexo real parece não oferecer recompensa. Então esta seria a causa do não desejo, da não ereção, para muitos homens.
A carta de um leitor é um exemplo interessante do problema:
Muitos homens jovens, e eu me incluo neste grupo, estão vivendo um círculo vicioso: entre um relacionamento e outro, nos voltamos para a pornografia. Ficamos nisso por longos períodos, até ficarmos viciados e começarmos a falhar esporadicamente. Quando me aparece uma garota legal, não consigo ficar bem com ela, não “funciono” bem longe da forma com que as coisas são feitas na pornografia que costumo ver. Pra mim, sexo é aquilo. Então, o relacionamento sofre, não vai a lugar algum – e acaba. E volto à pornografia, por consolação. E o ciclo continua, com relacionamentos cada vez mais curtos e fases de pornografia mais longas. Tenho medo de onde isso vai me levar. Tenho medo de nunca conseguir me relacionar de verdade com uma mulher. Conheço muitos caras que gostam de suas mulheres, mas não conseguem se sentir atraídos por elas por muito tempo. Às vezes elas não ajudam mesmo. Mas muitas vezes são eles que não conseguem se dar bem com mulheres “normais”. Homens são seres que precisam de experiências sexuais intensas. (…) A pornografia é artificial como uma droga poderosa, que nos dá esse pico sexual alto e o alívio rápido. Infelizmente, como toda droga, o custo é alto. E a verdade é que nunca teremos tudo que queremos num relacionamento quando interagimos apenas com mulheres em 2D”.
E você, o que acha desta discussão? Acredita que a intensa exposição à pornografia pode causar problemas sexuais?
pedofilia
Pedofili@
As leis contra crimes na internet são brandas e a polícia não consegue prender os criminosos. É você quem tem de ajudar seu filho a se proteger contra a rede mundial de pedofilia. Prepare-se para agir nesta guerra de forma inteligente.
Patrícia Zaidan | Foto Carlos Cubi
O suicídio do estudante carioca Vítor Pereira de Lima, 17 anos, que se desesperou diante dos policiais que apreendiam seu computador cheio de imagens de pornografia infantil, faz refletir sobre algo que está muito perto de nós: a íntima relação que crianças e adolescentes desenvolvem com os conteúdos proibidos que a internet escancara. Pelo fato de correr em segredo de Justiça, não se conhece a extensão do caso de Vítor, rastreado pela Polícia Federal na operação Azahar, deflagrada simultaneamente em 25 países para coibir a pedofilia na rede. Ele poderia não ser um pedófilo. E certamente não era o único garoto envolvido com o assunto. Em fevereiro, quando Vítor se atirou da janela do sexto andar, o Ibope/NetRatings constatou que 1,3 milhão de brasileiros de 6 a 11 anos ligaram o computador. A média de permanência na rede foi de 9 horas e 53 minutos, tempo que cresceu 16% em relação ao mesmo mês de 2005. Entre os adolescentes de 12 a 17 anos, 2,4 milhões no total, a média ficou em 38 horas e 17 minutos, com aumento de 33%. As preferências deles: jogos, mensagens instantâneas, fotoblogs e o Orkut, que abriga inúmeras comunidades pedófilas. Enquanto você lê esta reportagem, há milhares de jovens passeando por elas. Os garotos que recebem imagens de sexo com crianças costumam repassá-las para os amigos sem saber que o envio é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente com pena de até quatro anos de reclusão. Muitas crianças fazem uso do material para satisfazer a curiosidade e se experimentar no campo da sexualidade, o que os especialistas não consideram uma perversão, embora represente riscos. Para proteger os filhos, os pais precisam conhecer esse universo e seus desdobramentos, que vão além da página policial e têm a ver com ética, cidadania e equilíbrio emocional.
A IMPUNIDADE
O anonimato dos internautas e a velocidade das informações transformaram a rede no paraíso da pedofilia. Segundo o técnico em informática Anderson Miranda, no mundo existem 6,2 mil sites ligados ao tema. Cada um contém, em média, 900 fotos e 300 vídeos, o que alimenta o mercado do sexo virtual. "Muitas imagens são trocadas gratuitamente, mas os colecionadores querem raridades e pagam às máfias 100 dólares por uma foto e mil dólares por um vídeo inédito." Miranda e a mulher, a advogada Roseane, criaram o site Censura para orientar pais e colaborar no combate ao crime. De dezembro a fevereiro, o www.censura.com.br recebeu 720 denúncias, que foram encaminhadas ao Departamento de Polícia Federal, em Brasília. "Fazemos esse trabalho há oito anos, mas nunca vimos a condenação de um único suspeito", diz ele. Onias Tavares de Lima, diretor do Núcleo de Perícias de Crime de Informática da polícia paulista, responsabiliza os provedores de acesso à internet pela impunidade. "Essas empresas não têm boa vontade e atrapalham a investigação", afirma. "Como não há uma lei que obrigue o provedor a abrir o cadastro dos clientes, os policiais procuram um pedófilo como quem busca uma agulha no palheiro." O delegado Adauto Martins, coordenador da Divisão de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF, explica: "Temos que pedir ajuda ao Ministério Público e à Justiça para que o provedor revele o endereço de conexão. Muitas vezes, porém, não o localizamos, porque a identificação de um computador pode mudar no momento em que ele é religado". Para virar o jogo, Anderson e Roseane fazem um abaixo-assinado.
"Com 1,6 milhão de assinaturas, apresentaremos ao Congresso um projeto de emenda popular que obriga as operadoras de telefonia e os provedores a bloquearem a pedofilia", conta a advogada. Enquanto as leis não são alteradas, os policiais recomendam explicar aos filhos como o assunto é intrincado. "Eles precisam saber que colaboram com o crime", avisa o delegado. "Um adulto pode levar uma adolescente à masturbação diante de uma webcam e depois comercializar as imagens", revela.
O perfil do pedófilo é diferente do perfil do molestador. "O pedófilo pode manter seus desejos em segredo por toda a vida sem nunca passar ao ato real ou cometer crimes", afirma Ilana Casoy, do Nufor, um núcleo de pesquisas em psiquiatria forense da Universidade de São Paulo. "O diagnóstico se confirma quando o indivíduo tem, por no mínimo seis meses, fantasias excitantes e recorrentes ou comportamentos envolvendo atitude sexual com crianças pré-púberes." É um sujeito que gosta de contar histórias, tem paciência e adora se tornar importante na vida das crianças, o que o torna ainda mais perigoso.
A SEXUALIDADE
Nem sempre a pedofilia foi vista como uma patologia. Desenhos pré-históricos revelam adultos em êxtase numa relação com impúberes. Já na Idade Média, cabia aos guerreiros ensinar aos meninos não só técnicas de combate como também filosofia, astronomia e a prática do sexo. Mas, na nossa cultura, a preferência sexual por crianças é considerada uma desordem psicológica. Parece haver uma marcha para reverter essa colocação e a internet virou um instrumento de campanha. A psicanalista e doutora em comunicação semiótica, Fani Hisgail, que no fim do ano lança o livro Pedofilia - Um Estudo Psicanalítico, afirma que a pornografia infantil virtual amplia a linguagem do pedófilo. "A exposição é excelente para ele. É uma tentativa de quebrar os tabus e as restrições em torno do sexo entre adulto e criança, de tornar culturalmente aceitável esse envolvimento." Provavelmente por isso, tem crescido o aliciamento na rede.
A comerciante Suzana Mariano conta que a filha Maria, 10 anos, brincava no site da Barbie quando teve a tela invadida por um quadro que a levou a um site de pornografia infantil. Movida pela curiosidade, passou a percorrer vários links com cenas picantes. É tudo muito fácil. Se ela digitasse num site de busca a palavra Mickey, poderia dar de cara com o ratinho em situações eróticas e desenhos obscenos para pintar. A etapa seguinte seriam os filmetes de abuso sexual. Ao mesmo tempo que chocam, também excitam. "Os pais não devem se escandalizar nem adotar punições", adverte Oswaldo Rodrigues Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. "As experiências sensoriais genitais se dão desde o nascimento. Estudos de Alfred Kinsey, de 1948, comprovam que um bebê que tem controle motor para tocar os genitais apresenta respostas fisiológicas, como pupila dilatada, ruborização da face e freqüência respiratória alterada", afirma. "Por isso, não se pode condenar um jovem que se excita vendo imagens no computador." Mas Suzana não sabia como reagir: "Dei uma bronca terrível, desliguei o computador e providenciei um filtro para impedir que Maria voltasse a navegar por aqueles horrores". Ágeis para lidar com a informática, muitos jovens descobrem meios de burlar os programas de filtro ou passam a usar o computador dos amigos. "O que a família deve fazer é se preparar para falar com os filhos sobre sexo", diz Rodrigues Jr. A conversa, ressalta, não pode ser fria como uma aula de biologia nem tratar apenas de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce. "Educação sexual só funciona se estiver baseada no afeto e na sinceridade. Do contrário, a criança deixa de confiar no adulto e vai buscar informação onde sabe que não há restrições e ainda lhe rende um ganho: o prazer." Rodrigues Jr. desmonta o mito de que tratar do assunto antecipa a vida sexual dos filhos. "O adolescente bem orientado fará sexo três ou quatro anos mais tarde que a média." Mas essa não é uma tarefa fácil. Fani Hisgail assegura que, se a mãe não está tranqüila com a própria sexualidade, não consegue ajudar as crianças. Há outro fator importante: falar na medida certa. "Diálogo aberto não significa dar detalhes das atividades na cama.
A criança deve entender, desde cedo, que o sexo não é algo público, mas privado. A mãe pode contar que ele está associado ao carinho, à emoção e que completa a ligação de duas pessoas que se amam." Fani recomenda ainda compreender o contexto em que vivem os nossos filhos. Com a falta de perspectivas e de trabalho, um adolescente de 16 a 18 anos gasta um tempo excessivo no computador. Ao repassar para os amigos imagens e novos endereços que contêm sexo quer demonstrar poder e superioridade, porque detém algo que o grupo desconhece. Sob o ponto vista emocional, há o risco de ele se fechar no mundo virtual, trocando o prazer obtido na relação física pela excitação alcançada apenas na internet. Já a criança, segundo Oswaldo Rodrigues Jr., pode introjetar o mau modelo visto nas cenas de violência sexual. "Na fase adulta, talvez procure um parceiro inadequado, acreditando no paradoxo: para ter algo de bom, que satisfaça, é necessário sofrer." Mais uma forte razão para tomar a dianteira e se encarregar, você mesma, da educação sexual do seu filho.
CARTILHA ESPERT@
A HackerTeen (www.hackerteen.com.br) que oferece um curso sobre segurança da computação e ética, está lançando uma cartilha para alertar os jovens. "Gente da nossa idade, quando está jogando no computador, fica em outro mundo", confessa Carlos de Oliveira, 14 anos, um dos autores do texto, ilustrado com recursos de mangá. "Tudo pode acontecer: desde revelar endereço, telefone, CPF e senha até receber uma foto que traz um programa auto-executável que aciona a webcam", diz. A câmara passará a captar imagens do adolescente na intimidade do seu quarto sem que ele perceba. "Ele fica na mão do pedófilo, que passa a fazer chantagens." A colega Juliana Magalhães, 17 anos, recomenda que a webcam fique virada para a parede. Ela sugere às mães que deixem o computador em área da casa onde a família circula e ainda que observem com quem as crianças conversam online. A cartilha adverte os internautas que se arvoram a combater a pedofilia a não roubar a senha de um freqüentador dos sites especializados com o objetivo de invadir e destruí-lo. "O justiceiro tenta reprimir o crime com outra ilegalidade e acaba apagando as provas que podem incriminar o dono do site. O melhor a fazer é denunciar à polícia."
Realização Noris Martinelli | Produção Sylvia Radovan
Revista Claudia 2006
http://filhasdesara.com.br/artigo_0014.htm
As leis contra crimes na internet são brandas e a polícia não consegue prender os criminosos. É você quem tem de ajudar seu filho a se proteger contra a rede mundial de pedofilia. Prepare-se para agir nesta guerra de forma inteligente.
Patrícia Zaidan | Foto Carlos Cubi
O suicídio do estudante carioca Vítor Pereira de Lima, 17 anos, que se desesperou diante dos policiais que apreendiam seu computador cheio de imagens de pornografia infantil, faz refletir sobre algo que está muito perto de nós: a íntima relação que crianças e adolescentes desenvolvem com os conteúdos proibidos que a internet escancara. Pelo fato de correr em segredo de Justiça, não se conhece a extensão do caso de Vítor, rastreado pela Polícia Federal na operação Azahar, deflagrada simultaneamente em 25 países para coibir a pedofilia na rede. Ele poderia não ser um pedófilo. E certamente não era o único garoto envolvido com o assunto. Em fevereiro, quando Vítor se atirou da janela do sexto andar, o Ibope/NetRatings constatou que 1,3 milhão de brasileiros de 6 a 11 anos ligaram o computador. A média de permanência na rede foi de 9 horas e 53 minutos, tempo que cresceu 16% em relação ao mesmo mês de 2005. Entre os adolescentes de 12 a 17 anos, 2,4 milhões no total, a média ficou em 38 horas e 17 minutos, com aumento de 33%. As preferências deles: jogos, mensagens instantâneas, fotoblogs e o Orkut, que abriga inúmeras comunidades pedófilas. Enquanto você lê esta reportagem, há milhares de jovens passeando por elas. Os garotos que recebem imagens de sexo com crianças costumam repassá-las para os amigos sem saber que o envio é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente com pena de até quatro anos de reclusão. Muitas crianças fazem uso do material para satisfazer a curiosidade e se experimentar no campo da sexualidade, o que os especialistas não consideram uma perversão, embora represente riscos. Para proteger os filhos, os pais precisam conhecer esse universo e seus desdobramentos, que vão além da página policial e têm a ver com ética, cidadania e equilíbrio emocional.
A IMPUNIDADE
O anonimato dos internautas e a velocidade das informações transformaram a rede no paraíso da pedofilia. Segundo o técnico em informática Anderson Miranda, no mundo existem 6,2 mil sites ligados ao tema. Cada um contém, em média, 900 fotos e 300 vídeos, o que alimenta o mercado do sexo virtual. "Muitas imagens são trocadas gratuitamente, mas os colecionadores querem raridades e pagam às máfias 100 dólares por uma foto e mil dólares por um vídeo inédito." Miranda e a mulher, a advogada Roseane, criaram o site Censura para orientar pais e colaborar no combate ao crime. De dezembro a fevereiro, o www.censura.com.br recebeu 720 denúncias, que foram encaminhadas ao Departamento de Polícia Federal, em Brasília. "Fazemos esse trabalho há oito anos, mas nunca vimos a condenação de um único suspeito", diz ele. Onias Tavares de Lima, diretor do Núcleo de Perícias de Crime de Informática da polícia paulista, responsabiliza os provedores de acesso à internet pela impunidade. "Essas empresas não têm boa vontade e atrapalham a investigação", afirma. "Como não há uma lei que obrigue o provedor a abrir o cadastro dos clientes, os policiais procuram um pedófilo como quem busca uma agulha no palheiro." O delegado Adauto Martins, coordenador da Divisão de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF, explica: "Temos que pedir ajuda ao Ministério Público e à Justiça para que o provedor revele o endereço de conexão. Muitas vezes, porém, não o localizamos, porque a identificação de um computador pode mudar no momento em que ele é religado". Para virar o jogo, Anderson e Roseane fazem um abaixo-assinado.
"Com 1,6 milhão de assinaturas, apresentaremos ao Congresso um projeto de emenda popular que obriga as operadoras de telefonia e os provedores a bloquearem a pedofilia", conta a advogada. Enquanto as leis não são alteradas, os policiais recomendam explicar aos filhos como o assunto é intrincado. "Eles precisam saber que colaboram com o crime", avisa o delegado. "Um adulto pode levar uma adolescente à masturbação diante de uma webcam e depois comercializar as imagens", revela.
O perfil do pedófilo é diferente do perfil do molestador. "O pedófilo pode manter seus desejos em segredo por toda a vida sem nunca passar ao ato real ou cometer crimes", afirma Ilana Casoy, do Nufor, um núcleo de pesquisas em psiquiatria forense da Universidade de São Paulo. "O diagnóstico se confirma quando o indivíduo tem, por no mínimo seis meses, fantasias excitantes e recorrentes ou comportamentos envolvendo atitude sexual com crianças pré-púberes." É um sujeito que gosta de contar histórias, tem paciência e adora se tornar importante na vida das crianças, o que o torna ainda mais perigoso.
A SEXUALIDADE
Nem sempre a pedofilia foi vista como uma patologia. Desenhos pré-históricos revelam adultos em êxtase numa relação com impúberes. Já na Idade Média, cabia aos guerreiros ensinar aos meninos não só técnicas de combate como também filosofia, astronomia e a prática do sexo. Mas, na nossa cultura, a preferência sexual por crianças é considerada uma desordem psicológica. Parece haver uma marcha para reverter essa colocação e a internet virou um instrumento de campanha. A psicanalista e doutora em comunicação semiótica, Fani Hisgail, que no fim do ano lança o livro Pedofilia - Um Estudo Psicanalítico, afirma que a pornografia infantil virtual amplia a linguagem do pedófilo. "A exposição é excelente para ele. É uma tentativa de quebrar os tabus e as restrições em torno do sexo entre adulto e criança, de tornar culturalmente aceitável esse envolvimento." Provavelmente por isso, tem crescido o aliciamento na rede.
A comerciante Suzana Mariano conta que a filha Maria, 10 anos, brincava no site da Barbie quando teve a tela invadida por um quadro que a levou a um site de pornografia infantil. Movida pela curiosidade, passou a percorrer vários links com cenas picantes. É tudo muito fácil. Se ela digitasse num site de busca a palavra Mickey, poderia dar de cara com o ratinho em situações eróticas e desenhos obscenos para pintar. A etapa seguinte seriam os filmetes de abuso sexual. Ao mesmo tempo que chocam, também excitam. "Os pais não devem se escandalizar nem adotar punições", adverte Oswaldo Rodrigues Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. "As experiências sensoriais genitais se dão desde o nascimento. Estudos de Alfred Kinsey, de 1948, comprovam que um bebê que tem controle motor para tocar os genitais apresenta respostas fisiológicas, como pupila dilatada, ruborização da face e freqüência respiratória alterada", afirma. "Por isso, não se pode condenar um jovem que se excita vendo imagens no computador." Mas Suzana não sabia como reagir: "Dei uma bronca terrível, desliguei o computador e providenciei um filtro para impedir que Maria voltasse a navegar por aqueles horrores". Ágeis para lidar com a informática, muitos jovens descobrem meios de burlar os programas de filtro ou passam a usar o computador dos amigos. "O que a família deve fazer é se preparar para falar com os filhos sobre sexo", diz Rodrigues Jr. A conversa, ressalta, não pode ser fria como uma aula de biologia nem tratar apenas de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce. "Educação sexual só funciona se estiver baseada no afeto e na sinceridade. Do contrário, a criança deixa de confiar no adulto e vai buscar informação onde sabe que não há restrições e ainda lhe rende um ganho: o prazer." Rodrigues Jr. desmonta o mito de que tratar do assunto antecipa a vida sexual dos filhos. "O adolescente bem orientado fará sexo três ou quatro anos mais tarde que a média." Mas essa não é uma tarefa fácil. Fani Hisgail assegura que, se a mãe não está tranqüila com a própria sexualidade, não consegue ajudar as crianças. Há outro fator importante: falar na medida certa. "Diálogo aberto não significa dar detalhes das atividades na cama.
A criança deve entender, desde cedo, que o sexo não é algo público, mas privado. A mãe pode contar que ele está associado ao carinho, à emoção e que completa a ligação de duas pessoas que se amam." Fani recomenda ainda compreender o contexto em que vivem os nossos filhos. Com a falta de perspectivas e de trabalho, um adolescente de 16 a 18 anos gasta um tempo excessivo no computador. Ao repassar para os amigos imagens e novos endereços que contêm sexo quer demonstrar poder e superioridade, porque detém algo que o grupo desconhece. Sob o ponto vista emocional, há o risco de ele se fechar no mundo virtual, trocando o prazer obtido na relação física pela excitação alcançada apenas na internet. Já a criança, segundo Oswaldo Rodrigues Jr., pode introjetar o mau modelo visto nas cenas de violência sexual. "Na fase adulta, talvez procure um parceiro inadequado, acreditando no paradoxo: para ter algo de bom, que satisfaça, é necessário sofrer." Mais uma forte razão para tomar a dianteira e se encarregar, você mesma, da educação sexual do seu filho.
CARTILHA ESPERT@
A HackerTeen (www.hackerteen.com.br) que oferece um curso sobre segurança da computação e ética, está lançando uma cartilha para alertar os jovens. "Gente da nossa idade, quando está jogando no computador, fica em outro mundo", confessa Carlos de Oliveira, 14 anos, um dos autores do texto, ilustrado com recursos de mangá. "Tudo pode acontecer: desde revelar endereço, telefone, CPF e senha até receber uma foto que traz um programa auto-executável que aciona a webcam", diz. A câmara passará a captar imagens do adolescente na intimidade do seu quarto sem que ele perceba. "Ele fica na mão do pedófilo, que passa a fazer chantagens." A colega Juliana Magalhães, 17 anos, recomenda que a webcam fique virada para a parede. Ela sugere às mães que deixem o computador em área da casa onde a família circula e ainda que observem com quem as crianças conversam online. A cartilha adverte os internautas que se arvoram a combater a pedofilia a não roubar a senha de um freqüentador dos sites especializados com o objetivo de invadir e destruí-lo. "O justiceiro tenta reprimir o crime com outra ilegalidade e acaba apagando as provas que podem incriminar o dono do site. O melhor a fazer é denunciar à polícia."
Realização Noris Martinelli | Produção Sylvia Radovan
Revista Claudia 2006
http://filhasdesara.com.br/artigo_0014.htm
Todo mundo finge orgasmo
Tabu
Todo mundo finge orgasmo
Encenar orgasmos não é prerrogativa feminina. Alguns homens também simulam o que não sentem, por motivos idênticos aos das mulheres. No meio de tantos gritos e sussurros, eles e elas concordam num ponto: ter ou não ter orgasmo não é a questão. Por Lina Barbosa
Já aconteceu de eu ter um orgasminho e passar a impressão de que tinha sido o máximo"; "Às vezes disfarço com uns gemidos para não ficar muito na cara que não foi legal". Nenhum espanto com as confissões acima - a não ser pelo fato de que são afirmações masculinas.
"Tem homens que fingem sim", diz o psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade. Na cabeça da mulher, e de muitos homens, simular um orgasmo parece impossível -a ejaculação seria a prova concreta de que ele aconteceu. Só que não é bem assim.
Orgasmo e ejaculação são fenômenos fisicamente distintos, separados por quase um metro de nervos, da cabeça aos órgãos genitais. O primeiro é o prazer que o homem sente no ponto culminante do ato sexual, antes da fase do relaxamento, e ocorre no cérebro. O segundo é a saída do esperma pela uretra e acontece na base do pênis. "Os dois não precisam acontecer juntos. São eventos desconexos, mas que o homem associa desde a adolescência. E, adulto, entra em pânico se não vê o líquido sair, acha que sem ele não tem prazer", diz Rodrigues.
Celso Gromatzky, urologista do Hospital das Clínicas e do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria, do mesmo hospital, vê a questão de modo um pouco diferente. Segundo ele, orgasmo e ejaculação, embora fisiologicamente distintos, são correlatos: "Homens que controlam a ejaculação podem até sentir prazer, mas não o pico máximo da excitação."
Mas os especialistas concordam que há prazer e prazer, numa escala de intensidade tão ampla quanto óbvia - caso contrário, masturbar-se no banheiro ou namorar a Sharon Stone daria na mesma. E é exatamente aí quando alguns homens fingem.
Nos depoimentos que se seguem, homens e mulheres dizem se, quando e por quê forjam orgasmos. As justificativas de quem assume a farsa giram em torno das mesmas razões. Algumas mulheres acham que é assim que tem que ser; alguns homens não querem magoar a parceira; existem aquelas com medo de perder o companheiro e as que não querem perder pontos para possíveis rivais, assim como homens que esperam não deixar dúvidas sobre sua virilidade. E ainda há homens e mulheres que frustram suas expectativas e querem acabar logo com aquilo.
Há quem afirme que na cama não simula nada de jeito nenhum e que acha tudo isso uma falsa questão. Só que hoje, quando sentir orgasmo virou obrigação, e fazer o outro sentir, uma cobrança, o teatro na cama deve estar mais forte do que nunca.
http://marieclaire.globo.com/edic/ed103/rep_tabu1.htm
Todo mundo finge orgasmo
Encenar orgasmos não é prerrogativa feminina. Alguns homens também simulam o que não sentem, por motivos idênticos aos das mulheres. No meio de tantos gritos e sussurros, eles e elas concordam num ponto: ter ou não ter orgasmo não é a questão. Por Lina Barbosa
Já aconteceu de eu ter um orgasminho e passar a impressão de que tinha sido o máximo"; "Às vezes disfarço com uns gemidos para não ficar muito na cara que não foi legal". Nenhum espanto com as confissões acima - a não ser pelo fato de que são afirmações masculinas.
"Tem homens que fingem sim", diz o psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade. Na cabeça da mulher, e de muitos homens, simular um orgasmo parece impossível -a ejaculação seria a prova concreta de que ele aconteceu. Só que não é bem assim.
Orgasmo e ejaculação são fenômenos fisicamente distintos, separados por quase um metro de nervos, da cabeça aos órgãos genitais. O primeiro é o prazer que o homem sente no ponto culminante do ato sexual, antes da fase do relaxamento, e ocorre no cérebro. O segundo é a saída do esperma pela uretra e acontece na base do pênis. "Os dois não precisam acontecer juntos. São eventos desconexos, mas que o homem associa desde a adolescência. E, adulto, entra em pânico se não vê o líquido sair, acha que sem ele não tem prazer", diz Rodrigues.
Celso Gromatzky, urologista do Hospital das Clínicas e do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria, do mesmo hospital, vê a questão de modo um pouco diferente. Segundo ele, orgasmo e ejaculação, embora fisiologicamente distintos, são correlatos: "Homens que controlam a ejaculação podem até sentir prazer, mas não o pico máximo da excitação."
Mas os especialistas concordam que há prazer e prazer, numa escala de intensidade tão ampla quanto óbvia - caso contrário, masturbar-se no banheiro ou namorar a Sharon Stone daria na mesma. E é exatamente aí quando alguns homens fingem.
Nos depoimentos que se seguem, homens e mulheres dizem se, quando e por quê forjam orgasmos. As justificativas de quem assume a farsa giram em torno das mesmas razões. Algumas mulheres acham que é assim que tem que ser; alguns homens não querem magoar a parceira; existem aquelas com medo de perder o companheiro e as que não querem perder pontos para possíveis rivais, assim como homens que esperam não deixar dúvidas sobre sua virilidade. E ainda há homens e mulheres que frustram suas expectativas e querem acabar logo com aquilo.
Há quem afirme que na cama não simula nada de jeito nenhum e que acha tudo isso uma falsa questão. Só que hoje, quando sentir orgasmo virou obrigação, e fazer o outro sentir, uma cobrança, o teatro na cama deve estar mais forte do que nunca.
http://marieclaire.globo.com/edic/ed103/rep_tabu1.htm
Ainda existem tabus sexuais em pleno século 21?
Ainda existem tabus sexuais em pleno século 21?
12 ótimas respostas
(matéria de Patrícia Zaidan, publicada pela revista Cláudia, edição de março de 2005, http://claudia.abril.com.br/livre/edicoes/522/index.shtml)
O Brasil é um dos países mais identificados com as liberdades sexuais. Mas será que a fama corresponde mesmo à realidade? Decidimos investigar o assunto, analisando até que ponto já nos livramos de preconceitos, temores e vergonhas sem sentido, capazes de roubar alegrias e gratificações eróticas mais do que merecidas. Nessa tarefa, contamos com a ajuda de três especialistas no assunto: eles respondem a questões decisivas e esclarecem o papel positivo que alguns tabus exercem, protegendo-nos de situações que ainda não conseguimos gerenciar. Os experts são: Oswaldo Rodrigues Jr., psicólogo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Inadequação Sexual (Abeis); Ana Canosa, psicóloga, terapeuta sexual e diretora da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash); e Maria Helena Brandão Vilela, diretora do Centro de Estudos da Sexualidade Humana do Instituto Kaplan e consultora de CLAUDIA.
1. A virgindade ainda é valorizada?
O tabu da virgindade foi derrubado, é algo sem volta. As exceções ficam restritas aos grupos religiosos ultra-conservadores. O sexo entra mais cedo na vida dos jovens. Tanto nas cidades alicerçadas na produção rural - onde não há shoppings ou cinemas e a relação íntima é uma das poucas formas de diversão - quanto nos grandes centros, a média de iniciação sexual das meninas é 15 anos. A explicação pode estar no fato de que a mulher, ao entrar no mercado de trabalho, passou a desenvolver outros papéis. Se não se casar, ela pode ter um lugar respeitado na sociedade em razão da vida profissional. Antes, valia a pena segurar o desejo sexual, pois a ela só cabia ser esposa e mãe. Se não conquistasse o grande amor, ficaria solteira. Assim, guardava o que acreditava ser o melhor de si - a pureza e a submissão - para depositar nas mãos do amado. Hoje, uma garota tem consciência de que, se não conseguir o parceiro que escolheu, outros virão. O surgimento do teste de DNA também colaborou. O homem não precisa mais do certificado de castidade para acreditar que os filhos surgidos no casamento são de fato dele. Na dúvida, recorre ao teste de paternidade. Ana Canosa e Maria Helena Vilela
2. O sexo anal foi incorporado normalmente pelos casais?
Não. Penetrar o ânus da mulher faz parte dos desejos masculinos mais freqüentes, porém ainda é um tabu. Mas ele tende a ser derrubado em breve, já que muitas informações sobre o tema têm sido divulgadas. Elas afastam idéias errôneas, como a de que a prática provoca dor excessiva ou leva à perda do controle do esfíncter. Para evitar incômodos e usufruir o prazer que o ato é capaz de proporcionar, o casal precisa esquecer a pressa. Numa primeira etapa, a mulher pode, após aplicar lubrificante, pedir ao parceiro para introduzir apenas o dedo, devagar. Em outro encontro, ele colocaria o pênis em contato com o ânus, sem pensar ainda em penetração. Depois de algumas sessões desse tipo, as chances de aproveitar a relação aumentam muito. Ana Canosa
3. Hábitos como freqüentar um clube de suingue ou fazer sexo a três em casa são tidos como perversão?
Ainda há um olhar assustado e reticente diante dessas práticas. Um fator, porém, está contribuindo para diminuir o tabu: a compreensão de que, se desejadas com a mesma intensidade pelo homem e pela mulher, elas não prejudicam o relacionamento. Afinal, os parceiros incrementam, unidos, sua vida sexual. Só se pode falar em perversão quando ambos não conseguem obter prazer de outra forma. O fato é que cada dia as pessoas procuram mais as casas de suingue, onde ocorrem não apenas trocas de casais e sexo a três mas também o voyeurismo. Muitas vezes, os casais freqüentam esses locais apenas como observadores: excitados, voltam para transar em casa. Quando se entregam às práticas, os problemas só costumam aparecer se não se preparam para a experiência ou não respeitam as regras estabelecidas antes de entrar no jogo, como, digamos, não beijar na boca ou não dar o telefone a terceiros. Ana Canosa
4. Qual é o maior dos tabus?
Havendo ou não penetração, o incesto é o maior tabu da humanidade. Poucas sociedades admitem a relação intra-familiar, mesmo que os envolvidos não tenham laços consangüíneos, caso de madrasta e enteado. Mas, sob o ponto de vista erótico, o fato de a irmã se excitar ao ver o irmão tomando banho não configura uma doença. Perceber o despertar de uma sensação prazerosa, ainda que diante de um familiar, não é o fim do mundo. O problema é não conseguir controlar essa sensação e partir para o ato sexual. Isso se agrava ao ocorrer uma gravidez. A família deve ajudar a criança que se coloca de forma muito sexualizada diante dos irmãos ou dos pais, evitando práticas como deitar na mesma cama ou andar nua pela casa. Proporcionar o contato com outras crianças também colabora. Ana Canosa
5. Millôr Fernandes disse: "De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha que a abstinência". Não admitimos a vida sem sexo?
Temos um discurso, reforçado pela mídia, que garante que o sexo é essencial para a felicidade. Mas ele não é fundamental. Para o equilíbrio, é preciso ter saúde física, mental e social. Muitas pessoas podem se realizar sem sexo. Do contrário, não haveria padre, freira, viúvo ou celibatário feliz. Eles podem encontrar bem-estar se decidirem lidar com o sexo como algo do segundo plano e se sublimarem a energia sexual, canalizando-a para o crescimento espiritual ou intelectual. Para tanto, é necessário maturidade. Oswaldo Rodrigues Jr.
6. Hoje as mulheres se masturbam sem culpa?
Na tradição judaico-cristã, a masturbação era vista como perda de esperma e da possibilidade reprodutiva. Em 1620, ao escrever um livro médico, o ex-padre suíço Tissot chegou a descrevê-la como algo que podia causar a morte. Essa versão reverberou por séculos, embora não tenha impedido que os homens se dedicassem à prática às escondidas. Em 1953, o cientista Alfred Kinsey, da Universidade de Indiana, publicou uma pesquisa atestando que as mulheres também se masturbavam. Em 1992, o papa afirmou que a masturbação deixava de ser um pecado mortal para ser um pecado menor, aceitável em situações especiais - caso de presos e homossexuais, que, ao se manipularem, evitavam "um mal maior". Mesmo com as flexibilizações e com as descobertas de que o auto-conhecimento físico colabora com a saúde sexual, a nossa cultura ainda não vê com bons olhos a menina que se toca. As conseqüências da condenação, muitas vezes, são a anorgasmia (falta de prazer sexual) e os problemas relacionais. A mulher que não explorou seus órgãos na adolescência pode demorar de dois a cinco anos para aprender a ter prazer. Oswaldo Rodrigues Jr.
7. Já aceitamos as escapadas da mulher casada?
As chances de conhecer homens especiais fora de casa são maiores hoje. Num caso extraconjugal, a mulher, não raro, sabe separar as coisas para que o desejo fortuito não atrapalhe o casamento. Porém, ela ainda revela o fato a uma amiga como quem acaba de praticar algo proibido e sofre por não corresponder ao que o marido espera. Então, termina o caso com receio da condenação por parte dele e da sociedade. A cobrança de fidelidade é mais severa sobre ela. Maria Helena Vilela
8. A visita a sex shops e as compras de acessórios com o objetivo de esquentar o casamento são comuns?
A brasileira prefere ir à sex shop com um grupo de amigas ou de gays. Mas faz isso como uma brincadeira. Sozinha, ela não entra. O que não quer dizer que deixe de comprar. Ao contrário. A cada ano as lojas eróticas na internet aumentam as vendas de acessórios, filmes e livros excitantes, e a principal clientela é feminina. Como a mulher aprendeu a se dar prazer, não tem preconceito quanto a escolher principalmente vibradores que estimulam o clitóris. Mas rejeita a idéia de levá-los para desfrutar com o marido. Ela teme ser julgada uma ninfomaníaca. Também não quer que o parceiro se sinta menosprezado, imaginando que só o artifício pode satisfazê-la. Por isso, guarda o aparelho e usa quando ele não está em casa. Maria Helena Vilela
9. Sexo no primeiro encontro atrapalha os planos da mulher que quer se casar?
Se ela saiu para se divertir, vai propor um motel sem se preocupar com o que ele vai pensar. Porém, se planeja um namoro firme, inventará desculpas. O preconceito está na cabeça feminina, que preserva o ideal romântico desvinculado do sexo. Mesmo se sentindo autônoma, acredita que passando a boa impressão" pode se tornar uma excelente candidata ao casamento. Maria Helena Vilela
10. O sexo na velhice ainda é objeto de censura?
Até os anos 50, o sexo era associado apenas à reprodução. A sociedade, então, interditava o idoso com a sentença: "Se ele não pode mais reproduzir, faz sexo por sem-vergonhice". O peso da condenação era ainda maior sobre as mulheres. O homem contava com a complacência ao arranjar uma jovem capaz de engravidar. Felizmente, há uma tendência de mudança. Os jovens já sabem que vão viver mais tempo que os avós e que precisam se preparar para ter qualidade de vida - e isso inclui o sexo - aos 70 e 80 anos. Oswaldo Rodrigues Jr
11. A mulher aprendeu a lidar com certas fantasias do homem, como manter relação vestido de mulher?
Ela já se dispõe a realizar muitas das fantasias masculinas. Mas essa é muito provável que não aceite. Tende a interpretar o fato como uma revelação da orientação sexual do parceiro. Ou seja, vai imaginar que, no fundo, ele é gay. O mesmo acontece quando ele pede carícias no ânus. Por uma distorção cultural, acreditamos que só os homossexuais têm prazer na região anal. Mas isso não é verdade: a área é altamente excitável, e tanto homens como mulheres podem experimentar sensações prazerosas ao serem tocados ali. Maria Helena Vilela
12. A troca de carícias entre pessoas do mesmo sexo ainda é associada pela sociedade à homossexualidade?
Não mais. Presenciei uma linda mulher revelando às amigas que ela havia se encontrado com uma colega numa festa. As duas se sentiram atraídas, se beijaram, se tocaram e os contatos pararam por aí. Ambas têm parceiros masculinos e não mudaram a orientação sexual por causa da experiência. Também estão se tornando comuns os movimentos de adolescentes que dão "selinho" (beijo nos lábios) nas baladas para demonstrar afeto, sem que isso desencadeie desejos. As meninas adotam o comportamento sem culpa, como forma de auto-afirmação diante dos meninos, que são mais introvertidos e menos decididos do que elas. Ana Canosa
http://www.paracrescer.com.br/pasta_qualidade/pg_qualidade2/textos/sexualidade_09.htm
12 ótimas respostas
(matéria de Patrícia Zaidan, publicada pela revista Cláudia, edição de março de 2005, http://claudia.abril.com.br/livre/edicoes/522/index.shtml)
O Brasil é um dos países mais identificados com as liberdades sexuais. Mas será que a fama corresponde mesmo à realidade? Decidimos investigar o assunto, analisando até que ponto já nos livramos de preconceitos, temores e vergonhas sem sentido, capazes de roubar alegrias e gratificações eróticas mais do que merecidas. Nessa tarefa, contamos com a ajuda de três especialistas no assunto: eles respondem a questões decisivas e esclarecem o papel positivo que alguns tabus exercem, protegendo-nos de situações que ainda não conseguimos gerenciar. Os experts são: Oswaldo Rodrigues Jr., psicólogo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Inadequação Sexual (Abeis); Ana Canosa, psicóloga, terapeuta sexual e diretora da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash); e Maria Helena Brandão Vilela, diretora do Centro de Estudos da Sexualidade Humana do Instituto Kaplan e consultora de CLAUDIA.
1. A virgindade ainda é valorizada?
O tabu da virgindade foi derrubado, é algo sem volta. As exceções ficam restritas aos grupos religiosos ultra-conservadores. O sexo entra mais cedo na vida dos jovens. Tanto nas cidades alicerçadas na produção rural - onde não há shoppings ou cinemas e a relação íntima é uma das poucas formas de diversão - quanto nos grandes centros, a média de iniciação sexual das meninas é 15 anos. A explicação pode estar no fato de que a mulher, ao entrar no mercado de trabalho, passou a desenvolver outros papéis. Se não se casar, ela pode ter um lugar respeitado na sociedade em razão da vida profissional. Antes, valia a pena segurar o desejo sexual, pois a ela só cabia ser esposa e mãe. Se não conquistasse o grande amor, ficaria solteira. Assim, guardava o que acreditava ser o melhor de si - a pureza e a submissão - para depositar nas mãos do amado. Hoje, uma garota tem consciência de que, se não conseguir o parceiro que escolheu, outros virão. O surgimento do teste de DNA também colaborou. O homem não precisa mais do certificado de castidade para acreditar que os filhos surgidos no casamento são de fato dele. Na dúvida, recorre ao teste de paternidade. Ana Canosa e Maria Helena Vilela
2. O sexo anal foi incorporado normalmente pelos casais?
Não. Penetrar o ânus da mulher faz parte dos desejos masculinos mais freqüentes, porém ainda é um tabu. Mas ele tende a ser derrubado em breve, já que muitas informações sobre o tema têm sido divulgadas. Elas afastam idéias errôneas, como a de que a prática provoca dor excessiva ou leva à perda do controle do esfíncter. Para evitar incômodos e usufruir o prazer que o ato é capaz de proporcionar, o casal precisa esquecer a pressa. Numa primeira etapa, a mulher pode, após aplicar lubrificante, pedir ao parceiro para introduzir apenas o dedo, devagar. Em outro encontro, ele colocaria o pênis em contato com o ânus, sem pensar ainda em penetração. Depois de algumas sessões desse tipo, as chances de aproveitar a relação aumentam muito. Ana Canosa
3. Hábitos como freqüentar um clube de suingue ou fazer sexo a três em casa são tidos como perversão?
Ainda há um olhar assustado e reticente diante dessas práticas. Um fator, porém, está contribuindo para diminuir o tabu: a compreensão de que, se desejadas com a mesma intensidade pelo homem e pela mulher, elas não prejudicam o relacionamento. Afinal, os parceiros incrementam, unidos, sua vida sexual. Só se pode falar em perversão quando ambos não conseguem obter prazer de outra forma. O fato é que cada dia as pessoas procuram mais as casas de suingue, onde ocorrem não apenas trocas de casais e sexo a três mas também o voyeurismo. Muitas vezes, os casais freqüentam esses locais apenas como observadores: excitados, voltam para transar em casa. Quando se entregam às práticas, os problemas só costumam aparecer se não se preparam para a experiência ou não respeitam as regras estabelecidas antes de entrar no jogo, como, digamos, não beijar na boca ou não dar o telefone a terceiros. Ana Canosa
4. Qual é o maior dos tabus?
Havendo ou não penetração, o incesto é o maior tabu da humanidade. Poucas sociedades admitem a relação intra-familiar, mesmo que os envolvidos não tenham laços consangüíneos, caso de madrasta e enteado. Mas, sob o ponto de vista erótico, o fato de a irmã se excitar ao ver o irmão tomando banho não configura uma doença. Perceber o despertar de uma sensação prazerosa, ainda que diante de um familiar, não é o fim do mundo. O problema é não conseguir controlar essa sensação e partir para o ato sexual. Isso se agrava ao ocorrer uma gravidez. A família deve ajudar a criança que se coloca de forma muito sexualizada diante dos irmãos ou dos pais, evitando práticas como deitar na mesma cama ou andar nua pela casa. Proporcionar o contato com outras crianças também colabora. Ana Canosa
5. Millôr Fernandes disse: "De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha que a abstinência". Não admitimos a vida sem sexo?
Temos um discurso, reforçado pela mídia, que garante que o sexo é essencial para a felicidade. Mas ele não é fundamental. Para o equilíbrio, é preciso ter saúde física, mental e social. Muitas pessoas podem se realizar sem sexo. Do contrário, não haveria padre, freira, viúvo ou celibatário feliz. Eles podem encontrar bem-estar se decidirem lidar com o sexo como algo do segundo plano e se sublimarem a energia sexual, canalizando-a para o crescimento espiritual ou intelectual. Para tanto, é necessário maturidade. Oswaldo Rodrigues Jr.
6. Hoje as mulheres se masturbam sem culpa?
Na tradição judaico-cristã, a masturbação era vista como perda de esperma e da possibilidade reprodutiva. Em 1620, ao escrever um livro médico, o ex-padre suíço Tissot chegou a descrevê-la como algo que podia causar a morte. Essa versão reverberou por séculos, embora não tenha impedido que os homens se dedicassem à prática às escondidas. Em 1953, o cientista Alfred Kinsey, da Universidade de Indiana, publicou uma pesquisa atestando que as mulheres também se masturbavam. Em 1992, o papa afirmou que a masturbação deixava de ser um pecado mortal para ser um pecado menor, aceitável em situações especiais - caso de presos e homossexuais, que, ao se manipularem, evitavam "um mal maior". Mesmo com as flexibilizações e com as descobertas de que o auto-conhecimento físico colabora com a saúde sexual, a nossa cultura ainda não vê com bons olhos a menina que se toca. As conseqüências da condenação, muitas vezes, são a anorgasmia (falta de prazer sexual) e os problemas relacionais. A mulher que não explorou seus órgãos na adolescência pode demorar de dois a cinco anos para aprender a ter prazer. Oswaldo Rodrigues Jr.
7. Já aceitamos as escapadas da mulher casada?
As chances de conhecer homens especiais fora de casa são maiores hoje. Num caso extraconjugal, a mulher, não raro, sabe separar as coisas para que o desejo fortuito não atrapalhe o casamento. Porém, ela ainda revela o fato a uma amiga como quem acaba de praticar algo proibido e sofre por não corresponder ao que o marido espera. Então, termina o caso com receio da condenação por parte dele e da sociedade. A cobrança de fidelidade é mais severa sobre ela. Maria Helena Vilela
8. A visita a sex shops e as compras de acessórios com o objetivo de esquentar o casamento são comuns?
A brasileira prefere ir à sex shop com um grupo de amigas ou de gays. Mas faz isso como uma brincadeira. Sozinha, ela não entra. O que não quer dizer que deixe de comprar. Ao contrário. A cada ano as lojas eróticas na internet aumentam as vendas de acessórios, filmes e livros excitantes, e a principal clientela é feminina. Como a mulher aprendeu a se dar prazer, não tem preconceito quanto a escolher principalmente vibradores que estimulam o clitóris. Mas rejeita a idéia de levá-los para desfrutar com o marido. Ela teme ser julgada uma ninfomaníaca. Também não quer que o parceiro se sinta menosprezado, imaginando que só o artifício pode satisfazê-la. Por isso, guarda o aparelho e usa quando ele não está em casa. Maria Helena Vilela
9. Sexo no primeiro encontro atrapalha os planos da mulher que quer se casar?
Se ela saiu para se divertir, vai propor um motel sem se preocupar com o que ele vai pensar. Porém, se planeja um namoro firme, inventará desculpas. O preconceito está na cabeça feminina, que preserva o ideal romântico desvinculado do sexo. Mesmo se sentindo autônoma, acredita que passando a boa impressão" pode se tornar uma excelente candidata ao casamento. Maria Helena Vilela
10. O sexo na velhice ainda é objeto de censura?
Até os anos 50, o sexo era associado apenas à reprodução. A sociedade, então, interditava o idoso com a sentença: "Se ele não pode mais reproduzir, faz sexo por sem-vergonhice". O peso da condenação era ainda maior sobre as mulheres. O homem contava com a complacência ao arranjar uma jovem capaz de engravidar. Felizmente, há uma tendência de mudança. Os jovens já sabem que vão viver mais tempo que os avós e que precisam se preparar para ter qualidade de vida - e isso inclui o sexo - aos 70 e 80 anos. Oswaldo Rodrigues Jr
11. A mulher aprendeu a lidar com certas fantasias do homem, como manter relação vestido de mulher?
Ela já se dispõe a realizar muitas das fantasias masculinas. Mas essa é muito provável que não aceite. Tende a interpretar o fato como uma revelação da orientação sexual do parceiro. Ou seja, vai imaginar que, no fundo, ele é gay. O mesmo acontece quando ele pede carícias no ânus. Por uma distorção cultural, acreditamos que só os homossexuais têm prazer na região anal. Mas isso não é verdade: a área é altamente excitável, e tanto homens como mulheres podem experimentar sensações prazerosas ao serem tocados ali. Maria Helena Vilela
12. A troca de carícias entre pessoas do mesmo sexo ainda é associada pela sociedade à homossexualidade?
Não mais. Presenciei uma linda mulher revelando às amigas que ela havia se encontrado com uma colega numa festa. As duas se sentiram atraídas, se beijaram, se tocaram e os contatos pararam por aí. Ambas têm parceiros masculinos e não mudaram a orientação sexual por causa da experiência. Também estão se tornando comuns os movimentos de adolescentes que dão "selinho" (beijo nos lábios) nas baladas para demonstrar afeto, sem que isso desencadeie desejos. As meninas adotam o comportamento sem culpa, como forma de auto-afirmação diante dos meninos, que são mais introvertidos e menos decididos do que elas. Ana Canosa
http://www.paracrescer.com.br/pasta_qualidade/pg_qualidade2/textos/sexualidade_09.htm
Somos tão felizes no sexo quanto dizemos que somos?
Somos tão felizes no sexo quanto dizemos que somos?
Pesquisa da Harvard diz que o sexo é o momento em que as pessoas estão mais felizes. Mas quanto disso é verdade?
Carina Martins, iG São Paulo | 19/11/2010 15:56Mudar o tamanho da letra:A+A-Compartilhar:
Felizes mesmo as pessoas ficam quando estão fazendo sexo. O resto do tempo, ou 46,9% dele, preferem nem pensar na atividade que estão executando. Deixam a mente divagar enquanto trabalham, dirigem ou se arrumam, esquecendo o que estão fazendo para pensar em outra coisa (talvez em sexo?). O resultado, indica uma pesquisa feita pela Harvard e divulgada este mês na revista Science, é que o desligamento entre o que pensamos e o que fazemos promove índices altos de infelicidade. Concentrados no que estão fazendo, e felizes, os entrevistados disseram estar enquanto faziam sexo, bem mais do que qualquer outra atividade.
Em uma sociedade de consumo, uma vida sexual plena torna-se um objeto de desejo em si
Os pesquisadores de Harvard sabem muito mais do que nós sabemos, mas algumas coisas são do repertório de todos. Como, por exemplo, o fato de que nem sempre o que as pessoas dizem é necessariamente o que elas pensam, fazem ou sentem. O estudo aponta que, quando consultados via celular, os entrevistados diziam que não há felicidade como a proporcionada pelo sexo. Mas será que é realmente isso que vivem? "Orgasmo é o fenômeno que proporciona extremo prazer ao ser humano. Ele foi selecionado filogeneticamente como uma atividade que proporciona prazer justamente para garantir a reprodução das espécies", diz o psicólogo e terapeuta sexual João Batista Pedrosa.
A concentração nesta atividade específica, para ele, também teria respaldo orgânico. "Na hora do sexo, as pessoas ficam concentradas e, na obtenção do orgasmo, entram num estado único de desligamento da realidade por segundos. É tanto que os franceses chamam o orgasmo de ‘le petit mort’, ou seja, a pequena morte. O orgasmo está associado à diminuição do fluxo sanguíneo no córtex órbito-frontal, uma parte do cérebro que é fundamental para o controle do comportamento", diz."Acho que a grande maioria das respostas não estão ligadas a uma idealização do sexo, mas que elas realmente sentem isso, ou seja, gostam do sexo".
Gostar de sexo é uma coisa. Aproveitar a sexualidade de maneira saudável a ponto de ela ser a principal fonte de satisfação da vida cotidiana é outra. E é aí que pode haver uma diferença: o que os entrevistados contam sobre suas vidas pode ser o que vivem, mas pode ser o que acham que deveriam viver. Com base em sua experiência profissional, o especialista em sexualidade Paulo Tessarioli afirma que o sexo costuma ser mais fonte de angústia do que plenitude. "Não tenho nenhuma dúvida disso, é um fato. O sexo hoje está muito mais voltado a ser um complicador do que um facilitador na vida das pessoas", diz. A explicação para o resultado da pesquisa, ele acredita, estaria na importância do discurso. "Numa sociedade consumista, o sexo não fica de fora. Vira um objeto que eu tenho que desejar e ter. Esse sexo que está no nível do discurso é inatingível, completamente construído e idealizado".
Para Tessarioli, não é que a prática não seja importante, mas o discurso acaba sendo mais. "As pessoas falam demais, e isso vem ao encontro de uma tentativa de mostrar a si mesmo e ao mundo que 'eu estou bem'. Mas nem sempre isso se sustenta na realidade. E no discurso eu posso sustentar tudo", afirma. Fora do discurso, ele vê um mundo em que as pessoas têm "muitas dúvidas, muitas incertezas, muita insatisfação e pouco desejo". A combinação entre a cobrança de uma vida sexual perfeita e a realidade de dúvidas e falta desejo é fonte de sofrimento para muita gente. "Para quem está consciente disso, realmente é de uma angústia ímpar".
Os pesquisadores de Harvard acreditam que, para ser feliz, ajuda muito evitar as distrações que levam a mente para longe de nós mesmos. O conselho de Tessarioli para ter uma vida sexual tão satisfatória quanto a dos entrevistados da pesquisa parece ser é o mesmo. "As pessoas precisam perceber o que realmente querem. Parece grandioso, mas é tão simples", diz. Eleger momentos de reflexão pode ajudar - como caminhar sem levar o celular ou usar fones de ouvido, por exemplo. "Momentos de reflexão são bons para que a pessoa consiga de alguma forma se conectar com isso e não ficar no meio da massa".
http://delas.ig.com.br/amoresexo/somos+tao+felizes+no+sexo+quanto+dizemos+que+somos/n1237830713945.html
Pesquisa da Harvard diz que o sexo é o momento em que as pessoas estão mais felizes. Mas quanto disso é verdade?
Carina Martins, iG São Paulo | 19/11/2010 15:56Mudar o tamanho da letra:A+A-Compartilhar:
Felizes mesmo as pessoas ficam quando estão fazendo sexo. O resto do tempo, ou 46,9% dele, preferem nem pensar na atividade que estão executando. Deixam a mente divagar enquanto trabalham, dirigem ou se arrumam, esquecendo o que estão fazendo para pensar em outra coisa (talvez em sexo?). O resultado, indica uma pesquisa feita pela Harvard e divulgada este mês na revista Science, é que o desligamento entre o que pensamos e o que fazemos promove índices altos de infelicidade. Concentrados no que estão fazendo, e felizes, os entrevistados disseram estar enquanto faziam sexo, bem mais do que qualquer outra atividade.
Em uma sociedade de consumo, uma vida sexual plena torna-se um objeto de desejo em si
Os pesquisadores de Harvard sabem muito mais do que nós sabemos, mas algumas coisas são do repertório de todos. Como, por exemplo, o fato de que nem sempre o que as pessoas dizem é necessariamente o que elas pensam, fazem ou sentem. O estudo aponta que, quando consultados via celular, os entrevistados diziam que não há felicidade como a proporcionada pelo sexo. Mas será que é realmente isso que vivem? "Orgasmo é o fenômeno que proporciona extremo prazer ao ser humano. Ele foi selecionado filogeneticamente como uma atividade que proporciona prazer justamente para garantir a reprodução das espécies", diz o psicólogo e terapeuta sexual João Batista Pedrosa.
A concentração nesta atividade específica, para ele, também teria respaldo orgânico. "Na hora do sexo, as pessoas ficam concentradas e, na obtenção do orgasmo, entram num estado único de desligamento da realidade por segundos. É tanto que os franceses chamam o orgasmo de ‘le petit mort’, ou seja, a pequena morte. O orgasmo está associado à diminuição do fluxo sanguíneo no córtex órbito-frontal, uma parte do cérebro que é fundamental para o controle do comportamento", diz."Acho que a grande maioria das respostas não estão ligadas a uma idealização do sexo, mas que elas realmente sentem isso, ou seja, gostam do sexo".
Gostar de sexo é uma coisa. Aproveitar a sexualidade de maneira saudável a ponto de ela ser a principal fonte de satisfação da vida cotidiana é outra. E é aí que pode haver uma diferença: o que os entrevistados contam sobre suas vidas pode ser o que vivem, mas pode ser o que acham que deveriam viver. Com base em sua experiência profissional, o especialista em sexualidade Paulo Tessarioli afirma que o sexo costuma ser mais fonte de angústia do que plenitude. "Não tenho nenhuma dúvida disso, é um fato. O sexo hoje está muito mais voltado a ser um complicador do que um facilitador na vida das pessoas", diz. A explicação para o resultado da pesquisa, ele acredita, estaria na importância do discurso. "Numa sociedade consumista, o sexo não fica de fora. Vira um objeto que eu tenho que desejar e ter. Esse sexo que está no nível do discurso é inatingível, completamente construído e idealizado".
Para Tessarioli, não é que a prática não seja importante, mas o discurso acaba sendo mais. "As pessoas falam demais, e isso vem ao encontro de uma tentativa de mostrar a si mesmo e ao mundo que 'eu estou bem'. Mas nem sempre isso se sustenta na realidade. E no discurso eu posso sustentar tudo", afirma. Fora do discurso, ele vê um mundo em que as pessoas têm "muitas dúvidas, muitas incertezas, muita insatisfação e pouco desejo". A combinação entre a cobrança de uma vida sexual perfeita e a realidade de dúvidas e falta desejo é fonte de sofrimento para muita gente. "Para quem está consciente disso, realmente é de uma angústia ímpar".
Os pesquisadores de Harvard acreditam que, para ser feliz, ajuda muito evitar as distrações que levam a mente para longe de nós mesmos. O conselho de Tessarioli para ter uma vida sexual tão satisfatória quanto a dos entrevistados da pesquisa parece ser é o mesmo. "As pessoas precisam perceber o que realmente querem. Parece grandioso, mas é tão simples", diz. Eleger momentos de reflexão pode ajudar - como caminhar sem levar o celular ou usar fones de ouvido, por exemplo. "Momentos de reflexão são bons para que a pessoa consiga de alguma forma se conectar com isso e não ficar no meio da massa".
http://delas.ig.com.br/amoresexo/somos+tao+felizes+no+sexo+quanto+dizemos+que+somos/n1237830713945.html
Oito curiosidades sobre o orgasmo
Oito curiosidades sobre o orgasmo
O que você não sabe - nem imagina - sobre esse prazer máximo
Redação iG São Paulo
31 de julho é o Dia do Orgasmo. Essa sensação de prazer e satisfação faz o coração bater mais forte, relaxa o corpo e deixa a gente mais feliz! E o clímax esconde também outras propriedades e características – algumas delas até curiosas. Selecionamos oito fatos e curiosidades sobre o orgasmo que você provavelmente não sabia. [Leia outras matérias no "Especial Orgasmo"]
1. O orgasmo feminino pode ser mais longo que o masculino – ponto para as mulheres!
2. A palavra orgasmo vem do grego "orgasmós", que significa "ferver de ardor".
3. Pesquisadores escoceses e belgas defendem que é possível determinar se uma mulher tem orgasmos vaginais pela maneira como ela anda. Segundo eles, a anatomia determina a capacidade de uma mulher gozar se estimulada pela vagina e, portanto, especialistas podem fazer a análise desses orgasmos apenas ao observá-la caminhando. Os autores do estudo apontam também que os músculos da pélvis mais tensionados podem indicar dificuldades sexuais, enquanto um andar confiante mostra satisfação.
4. Já outra pesquisa feita na King´s College de Londres diz que as mulheres com inteligência emocional têm mais orgasmos. Ou seja, aquelas que lidam melhor com os sentimentos próprios e dos outros sentem mais prazer. Ótimo motivo para ser mais compreensiva, certo?
5. Usar salto alto é, além de sofiticado e sexy, benéfico para a vida sexual feminina. Um levantamento feito na Universidade de Verona mostrou que andar com um sapato moderadamente alto condiciona os músculos – inclusive os da região pélvica, que ajudam a sentir prazer.
6. Na hora do orgasmo, as paredes da vagina soltam uma pequena descarga elétrica. “Cinco mulheres, neste momento, poderiam produzir energia suficiente para acender uma lâmpada de 1 volt”, estimam o jornalista Marcelo Duarte e o ginecologista Jairo Bouer autores do livro “Guia dos Curiosos – Sexo” (Panda Books).
7. Aquela taça de vinho ou champagne pode não te ajudar tanto assim na hora do sexo, apesar de diminuir a inibição. Quando a mulher ingere álcool pode demorar muito mais para chegar ao orgasmo, já que ele atinge o sistema nervoso central. O brinde não parece mais tão romântico,
8. Os cariocas têm mais orgasmos nas relações sexuais do que os mineiros. Segundo a pesquisa Mosaico Brasil, realizada em nove capitais brasileiras, 93,8% dos homens e 77,2% das mulheres do Rio de Janeiro disseram que têm orgasmos freqüentemente. Já em Minas Gerais o número cai para 91% dos homens e 71% delas. O estudo foi comandado pela psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo.
http://delas.ig.com.br/amoresexo/oito+curiosidades+sobre+o+orgasmo/n1237732950926.html
O que você não sabe - nem imagina - sobre esse prazer máximo
Redação iG São Paulo
31 de julho é o Dia do Orgasmo. Essa sensação de prazer e satisfação faz o coração bater mais forte, relaxa o corpo e deixa a gente mais feliz! E o clímax esconde também outras propriedades e características – algumas delas até curiosas. Selecionamos oito fatos e curiosidades sobre o orgasmo que você provavelmente não sabia. [Leia outras matérias no "Especial Orgasmo"]
1. O orgasmo feminino pode ser mais longo que o masculino – ponto para as mulheres!
2. A palavra orgasmo vem do grego "orgasmós", que significa "ferver de ardor".
3. Pesquisadores escoceses e belgas defendem que é possível determinar se uma mulher tem orgasmos vaginais pela maneira como ela anda. Segundo eles, a anatomia determina a capacidade de uma mulher gozar se estimulada pela vagina e, portanto, especialistas podem fazer a análise desses orgasmos apenas ao observá-la caminhando. Os autores do estudo apontam também que os músculos da pélvis mais tensionados podem indicar dificuldades sexuais, enquanto um andar confiante mostra satisfação.
4. Já outra pesquisa feita na King´s College de Londres diz que as mulheres com inteligência emocional têm mais orgasmos. Ou seja, aquelas que lidam melhor com os sentimentos próprios e dos outros sentem mais prazer. Ótimo motivo para ser mais compreensiva, certo?
5. Usar salto alto é, além de sofiticado e sexy, benéfico para a vida sexual feminina. Um levantamento feito na Universidade de Verona mostrou que andar com um sapato moderadamente alto condiciona os músculos – inclusive os da região pélvica, que ajudam a sentir prazer.
6. Na hora do orgasmo, as paredes da vagina soltam uma pequena descarga elétrica. “Cinco mulheres, neste momento, poderiam produzir energia suficiente para acender uma lâmpada de 1 volt”, estimam o jornalista Marcelo Duarte e o ginecologista Jairo Bouer autores do livro “Guia dos Curiosos – Sexo” (Panda Books).
7. Aquela taça de vinho ou champagne pode não te ajudar tanto assim na hora do sexo, apesar de diminuir a inibição. Quando a mulher ingere álcool pode demorar muito mais para chegar ao orgasmo, já que ele atinge o sistema nervoso central. O brinde não parece mais tão romântico,
8. Os cariocas têm mais orgasmos nas relações sexuais do que os mineiros. Segundo a pesquisa Mosaico Brasil, realizada em nove capitais brasileiras, 93,8% dos homens e 77,2% das mulheres do Rio de Janeiro disseram que têm orgasmos freqüentemente. Já em Minas Gerais o número cai para 91% dos homens e 71% delas. O estudo foi comandado pela psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo.
http://delas.ig.com.br/amoresexo/oito+curiosidades+sobre+o+orgasmo/n1237732950926.html
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