quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Qualquer homem pode colocar prótese peniana?

17/08/2011 -- 16h10
Qualquer homem pode colocar prótese peniana?

Indicado para tratar a impotência sexual, a prótese peniana é feita basicamente de silicone e uma haste metálica

As prótese penianas são utilizadas para o tratamento da impotência sexual, nos casos em que os tratamentos mais conservadores (medicações orais ou injetáveis) não foram satisfatórios. Basicamente as próteses se dividem em dois grupos: as maleáveis (ou semi-rígidas) e as infláveis.

Os dispositivos maleáveis são compostos basicamente de silicone, com uma haste metálica central, que dá rigidez á prótese e permite sua manipulação pelo paciente.

As principais vantagens dese tipo de prótese são: o custo (os dispositivos nacionais podem ser encontrados por menos de R$ 2 mil), a facilidade na execução da cirurgia, e o menor risco de complicações mecânicas a longo prazo.

A principal desvantagem é o aspecto estético, pois com este tipo de prótese o pênis fica num estado permanente de ereção, podendo ser curvado ou ''dobrado'' para uma melhor discrição quanto não se deseja a relação sexual.

As próteses infláveis são feitas também de compostos a base de silicone e polímeros de poliuretano, e sua principal característica é que podem ser ativadas, alterando entre o estado ''ereto'' e ''flácido'' (consituindo a principal vantagem deste tipo de dispositivo, considerado mais fisiológico e anatômico). Principais desvantagens: o custo muito maior em relação às próteses maleáveis (acima de US$ 10 mil), maior complexidade na cirurgia de implantação, e um maior risco de falha mecânica a longo prazo.

Não existem complicações absolutas para a colocação da prótese peniana, porém é muito importante a correta indicação pelo médico e o preparo psicológico do paciente. Isto porque este é um tratamento irreversível: uma vez colocada, o paciente sempre vai precisar da prótese para ter ereção, sem a possibilidade de ''voltar atrás'' na decisão.

Outro ponto importante a se frisar é que o pênis com a prótese dificilmente atinge o comprimento que tinha em ereção natural, ficando um pouco menor comparativamente (porém totalmente funcional).

Juliano Plastina, urologista em Londrina
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-27--120-20110817&tit=qualquer+homem+pode+colocar+protese+peniana

Sandy solta o verbo sobre striptease e masturbação

Sandy solta o verbo sobre striptease e masturbação
Ter, 09/08/2011 - 15h45 - Amor e SexoComente com Facebookpostar comentário

A declaração da cantora e compositora Sandy sobre sexo anal foi apenas um aperitivo do que estava por vir. Na edição de agosto da Playboy, que traz Adriane Galisteu na capa e chegou às bancas nesta terça-feira (09), a bela moça destrava a língua e fala sobre outros assuntos quentes.

Ela disse, por exemplo, que tem vontade de ver o que rola num club de swing, mas não participaria, por conta do ciúme de ver meu marido com alguém. Sobre striptease, ela revela:

"Eu sou boa! 'Whatever Lola wants', de Ella Fitzgerald, é uma música perfeita para isso".
Sandy também falou que gosta de comprar todos os modelos de lingerie possíveis, mas bem longe dos olhos dos curiosos. Até em sex shop ela já foi. "Acho legal ir. De vez em quando dá curiosidade. Já comprei algumas coisinhas. Mas não vou dizer o que."

As produtoras que apostam nos filmes pornôs para mulheres dizem que os roteiros precisam de romance. Mas Sandy discorda. "Acho que eles poderiam ter menos historinhas e ir direto ao assunto". E aproveita para falar sobre masturbação: "É completamente válido. Temos de conhecer o nosso corpo antes de querer que os nossos parceiros conheçam."
Sandy já havia dito em outras entrevistas que já havia ficado bêbada uma vez e desta vez contou mais detalhes. "Era um Réveillon. Tomei Champagne, um pouco de vinho, depois fizemos brincadeiras daquelas de trava-língua, na qual quem erra tem de beber um shot de caipirinha. Terminei a noite abraçada com o vaso sanitário".

Depois da entrevista provocante, Sandy promete chocar um pouco mais, só que desta vez nas telinhas. No episódio "A Reacionária de Mato Grosso", da série global "As Brasileiras", a cantora vai dar um selinho em Fernanda Paes Leme, Luiza. É gente, a Sandy cresceu!

Por Juliana Falcão (MBPress)
http://vilamulher.terra.com.br/sandy-solta-o-verbo-sobre-striptease-e-masturbacao-3-1-31-585.html

Simon Campbell avalia o impacto social do Viagra 13 anos depois

Simon Campbell avalia o impacto social do Viagra 13 anos depois

Ciência e Tecnologia
qui, 18 de Agosto de 2011 03:40
Treze anos depois da aprovação do Viagra (Sildenafil) como o primeiro tratamento oral para a disfunção erétil masculina, o professor Simon Campbell, líder do grupo de pesquisadores que, outros 13 anos antes, iniciaram o programa que levaram à descoberta, fez uma breve avaliação do impacto causado pela droga na sociedade. “Acho que o Viagra tem causado um impacto bastante substancial ao combater a impotência erétil e ajudar os casais a eliminarem o estresse na relação sexual, além de contribuir para o diálogo mais franco sobre sexo em geral.
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O medicamento vem se mostrando particularmente efetivo em homens que sofreram lesão medular [a maioria é capaz de ter algum tipo de ereção]”.

Membro da Royal Society of Chemistry (Reino Unido), Simon Campbell foi um dos destaques do terceiro dia de aulas da ESPCA sobre “Produtos naturais, química medicinal e síntese orgânica”, proferindo a palestra “Ciência, Arte e Descoberta de Drogas – Uma perspectiva pessoal”. À vontade, procurou tranquilizar os usuários em potencial que ainda temem o Viagra porque provocaria problemas cardíacos. “O medicamento age apenas localmente, não tem efeito cardiovascular. É perfeitamente seguro tomá-lo. Obviamente, não é recomendável para quem acabou de sofrer um enfarte ou passar por um transplante, mas não há qualquer contraindicação para pessoas saudáveis”.

Apesar das respostas em inglês, Campbell entende bem o português, por conta da sua passagem pelo Brasil como professor visitante da USP, no período de 1969 a 1973. Logo em seguida, voltou ao seu país para ingressar na Pfizer Central Research, onde foi co-autor de mais de 120 publicações e patentes e elemento chave dos grupos de pesquisa que desenvolveram, além do Viagra, o Cardura e o Norvasc (o quarto medicamento mais vendido no mundo), indicados para hipertensão. “Hoje estou aposentado e não faço mais pesquisa. Quero apenas relaxar, gozar a vida e, aqui no Brasil, visitar os amigos”.

Simon Campbell concedeu esta rápida entrevista no coffee break entre as palestras do Nobel de Química Ei-ichi Negish e do jovem pesquisador americano Bradley Moore. A sua palestra seria a última da manhã e ele justificou o título associando ciência, arte e descoberta de drogas. “Em ciência, muitas vezes não conseguimos enxergar o alvo e procuramos imaginar como ocorre determinado efeito. São as pessoas que descobrem as drogas, não é um processo nem a automação. A melhor ciência é a da imaginação com arte e um toque pessoal”.

Nas comemorações do Ano Internacional da Química (AIQ 2011) em todo o mundo, prevalece a proposta de se tentar mudar a imagem da química, ainda associada a malefícios à saúde e prejuízos ao meio ambiente. Instigado a apresentar a sua defesa, Simon Campbell respondeu que não havia necessidade de fazê-la. “A química está à nossa volta, na comida, no jeans que vestimos, em nossos corpos. O que precisamos é mostrar para as pessoas a força da química, o que ela é capaz de fazer. ‘Chemical’, no que se refere a determinados materiais, pode ser uma denominação ruim; outra coisa é ‘chemistry’, enquanto ciência, uma denominação boa que ser a base de todo novo material do futuro”.
http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&view=article&id=23580:simon-campbell-avalia-o-impacto-social-do-viagra-13-anos-depois&catid=56:ciia-e-tecnologia&Itemid=75

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Para Inuteis cultos, Uma forma diferente de Amar, história e realidade

Para Inuteis cultos, Uma forma diferente de Amar, história e realidade
Quinta-feira
30 Jun 2011
Posted by rockislife4
O relacionamento sexual entre humanos e animais sempre esteve presente na história da humanidade, é um assunto frequente na arte, literatura, fantasia e mitologia de diversos povos. Encontramos cenas de zoofilia em pinturas rupestres onde homens copulam com cervos, alces e cães. No Egito antigo a zoofilia era praticada para finalidades religiosas e mágicas, onde homens e mulheres copulavam com cabritos e cabras sagrados, considerados encarnações dos deuses da fertilidade.

Alguns povos permitiam a zoofilia somente com determinados tipos dos animais. Os Hititas proibiam o sexo com cães e vacas por considera-los impuros, mas com cavalos ou mulas era permitido. O velho testamento proibia e punia com a morte todos os tipos de contato sexual com animais. Foi argumento para a condenação de muitas pessoas durante a Idade Média.
Mas foi entre Gregos e Romanos que a zoofilia gozou de maior liberdade. A mitologia Grega é rica em histórias de zoofilia. Bons exemplos são a história de Zeus, que transformado em cisne, seduziu Leda, a rainha de Esparta, e do Minotauro que era a filho da rainha Pasiphae com um touro branco.
As mulheres romanas introduziam serpentes nas suas vaginas, não só para chegar ao orgasmo, mas também para mantê-las frescas durante o verão. Cenas públicas de zoofilia com vacas, lobos, ursos e até crocodilos eram também apreciadas nas arenas durante os jogos romanos.
Um zoosexual é uma pessoa que sente-se atraída emocional e fisicamente por um parceiro não humano. Esta atração é manifesta de muitas maneiras. Pode ser puramente erótica e ficar apenas no campo da fantasia do momento, ou tornar-se um relacionamento duradouro.
Para muitas pessoas é um estilo de vida que envolve aspectos sociais, físicos, emocionais e espirituais, indo muito além do interesse do zoofilista, que está focado somente no aspecto sexual deste contato. Estes encontram nos não humanos aspectos positivos que aos seres humanos podem faltar como a fidelidade e honestidade. Estes para explicar sua atração por animais parte do princípio que nós humanos somos também animais e que guardamos muitas semelhanças com outros animais. Temos corpos, órgãos sexuais e comportamento sexual parecidos, e que é da natureza humana a curiosidade sobre o sexo animal e desejar ter relações com animais. Outro argumento a favor destes é o amor que as pessoas devotam aos seus animais de estimação. Amor platônico que pode eventualmente tornar-se sexo.
Os animais mais preferidos entre estes são:

Os cães são os preferidos da maioria, muito apreciados pela sua fidelidade e no trato do sexo oral;
O pônei é valorizado pelo orgão sedoso e brilhante, pelos genitais profundos da fêmea que permitem que penetre-se o braço inteiro e pelas curvas da pata traseira semelhantes ao traseiro humano;
A cabra e a ovelha possuem genitais e tetas semelhantes as humanas;
As novilhas têm o quadril afilado parecido com o humano;
A leitoa possui a pele rosada e curvas muito parecidas com as humanas.
Esta pratica é proibida pelas principais religiões e considerada ilegal em muitos países. Historicamente, a razão para esta oposição é que não era um acto procriativo e que poderia gerar aberrações e doenças, Actualmente a idéia de que é um acto não consensual e de maus tratos ganhou força. Os adversários desta prática consideram impossível para animais consentir o sexo com seres humanos, o que caracterizaria maus tratos e abuso sexual, citando como exemplos animais claramente abusados, sendo amarrados, feridos e mutilados. Além de outros que penetrados não resistem e morrem, como as galinhas e filhotes de cães.

Os defensores afirmam amar os animais como bichinhos de estimação, mas também amá-los no sentido mais profundo, preocupar-se com a sua saúde, bem-estar e proteção e nada fariam para prejudicá-los. Também afirmam que os animais são capazes do consentimento sexual à sua própria maneira, sendo possível saber claramente através do comportamento e da linguagem corporal se o animal deseja ou não esse tipo de relação e que condenam todo tipo de comportamento abusivo chamado de zoosadismo que não é típico e nem é aceito pela comunidade zoosexual.

Em resumo estamos a lidar com uma polêmica forma de amar que está longe de ser aceita pela sociedade, mas que não desanima os seus praticantes que acreditam na integração gradual através de uma crescente tolerância e aceitação na sociedade humana.

É do Nada
http://rockislife4.wordpress.com/2011/06/30/para-inuteis-cultos-uma-forma-diferente-de-amar-historia-e-realidade/

Casamento e homofobia: as torções do direito e os mastros da democracia

Casamento e homofobia: as torções do direito e os mastros da democracia

por Pádua Fernandes

O que irrompe quando juristas que costumam manter uma linha de argumentação racional, mesmo em seus erros, dão nós na razão e embaraçam-se nos fios torcidos? Que sentimentos entram em jogo sob o disfarce, no direito, da teoria constitucional?
Trata-se do instituto jurídico do casamento civil; ele deve permanecer um privilégio de certos casais ou não? Esses privilégios, muitas vezes de origem religiosa, vedaram a legitimação jurídica de uniões inter-raciais, de pessoas de religiões diversas, de castas diferentes – e de mesmo sexo.
Em países teocráticos, esse instituto simplesmente não existe. Porém, nos países que desenvolveram essa importante conquista para a pluralidade, o casamento civil, os argumentos para mantê-lo como privilégio de casais de sexo diferente encontram dificuldade de esconder sua origem em preconceitos religiosos – e, portanto, contrários ao espírito do direito de uma sociedade em que Estado e religião estão separados.
Qualquer direito que se assuma como religioso assume, só por essa razão, um caráter excludente, o que o torna dificilmente compatível com a democracia. É democrático que as pessoas tenham o direito de adotar uma religião; o Estado é que não deve fazê-lo.
A importância histórica dos Estados Unidos da América para o constitucionalismo é inegável. No entanto, Eve Kosofsky Sedgwick, em Epistemologia do Armário, bem pôde indicar, entre as diversas incongruências dos discursos sobre o gênero, a incoerência do Judiciário daquele país, a Suprema Corte inclusive, que legitima a vedação do acesso de homossexuais a certos empregos. Um professor de geografia do oitavo ano em Maryland, Joe Acanfora, havia sido afastado de suas funções docentes quando se descobriu que era homossexual. Inconformado, o professor chegou a ir à tevê e, com isso, foi definitivamente excluído. O tribunal considerou legal a demissão sob o argumento de ele ter divulgado sua própria sexualidade – o que atrapalharia o processo pedagógico!
O professor apelou. O tribunal superior, no entanto, ratificou a decisão com outro argumento: Acanfora não havia mencionado, no pedido de emprego, que havia sido membro de uma organização sexual na universidade. Se tivesse dado a informação, não teria sido contratado… A demissão, pois, era perfeitamente legal. A Suprema Corte, por sua vez, rejeitou a demanda de Acanfora, que perdeu o caso sob o argumento de que divulgou sua sexualidade e, depois, sob o argumento de que a ocultou. Tratava-se de “uma revelação simultaneamente obrigatória e proibida”, escreveu Sedgwick. Não havia como ganhar a causa.
A autora afirmou, porém, que os tribunais distinguiram entre a homossexualidade do professor, e a maneira inadequada com que teria divulgado sua “condição”; a homossexualidade, por si só, não teria sido o motivo da demissão. Creio que ela está equivocada nesse ponto: a escola não o teria contratado se soubesse que ele era homossexual e essa discriminação, fundada tão só em sua sexualidade, em vez de ter sido considerada inconstitucional, foi julgada legítima. Se não faz diferença, juridicamente, ocultar ou revelar certa condição, é porque ela constitui o problema, e não o seu ocultamento ou revelação.
Creio, pois, correta a National Education Association que, em declaração de 30 de setembro de 2009 sobre proibição de discriminação no emprego, citou o caso de Acanfora como exemplo de discriminação por motivo da sexualidade. Nos EUA, “legislação apropriada é extremamente necessária, não legislação que crie ‘direitos especiais’, e sim que crie ‘direitos iguais’ para que empregados LGBT fiquem livres de discriminação.”
Trata-se mesmo do nó da questão: como um ordenamento jurídico que apresente, em seus princípios gerais, o da igualdade, pode ser usado para legitimar a discriminação de homossexuais? Tortuosidades argumentativas e hermenêuticas costumam aparecer – afinal, como conciliar aquele princípio de origem iluminista com os preconceitos inspirados em livro religioso milenar? Há quem o faça, mas não são os ortodoxos.
O caráter abstrato desse princípio permite-lhe ser historicamente moldável e abrigar causas que não foram pensadas em 1789, mas que hoje são prementes, como o da união entre pessoas de mesmo sexo; como escrevi em meu livro Para que servem os direitos humanos?, trata-se da capacidade histórica dos direitos humanos de se transformarem sem a necessidade de alterações jurídicas formais.
Mais um exemplo de tortuosidade jurídica: o casamento deixou de ser um privilégio heterossexual em Portugal (assim como na Espanha, outro país católico). O jurista Carlos Pamplona Côrte-Real, em parecer de 2007, lucidamente apontou os extravios metodológicos de certos constitucionalistas lusitanos (entre eles, Canotilho e Jorge Miranda) que consideravam constitucional a proibição do código civil português de que homossexuais casassem. Para legitimar a vedação no código, inexistente no texto constitucional, eles interpretavam a Constituição de acordo com a legislação civil, invertendo a hierarquia das normas: a Constituição é que deveria, segundo as noções básicas, comezinhas da teoria do direito, servir de parâmetro normativo. Canotilho e Vital Moreira chegam ao extremo de dizer que o direito ao casamento seria “neutro” em relação ao recorte hetero ou homossexual. Pamplona Côrte-Real, muito cortês, não faz a indagação, mas seria de perguntar se aqueles constitucionalistas veria algum problema jurídico, em termos de direitos humanos, se o legislador vedasse o casamento entre pessoas de sexo diferente…
O parecer ataca o apriorismo na argumentação desses juristas ao tomarem o modelo do matrimônio católico como pressuposto do casamento civil, e vincula as inconsistências resultantes a um preconceito homofóbico.
Com efeito, esse tipo de repulsa é evidente nos argumentos de que a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo abriria portas para poligâmicos, incestuosos etc. Algo de semelhante pode ser lido no parágrafo 24 da Metafísica dos Costumes de Kant, em que o filósofo alemão compara a união entre seres humanos do mesmo sexo com a zoofilia sem apresentar razões para essa analogia, no mínimo esdrúxula para seres racionais. De fato, não era necessário para o leitor da época, apresentá-las: eram os preconceitos religiosos que irrompiam no discurso jurídico-moral kantiano e faziam-no comparar pessoas que amavam outras do mesmo sexo com seres irracionais, negando-lhes a dignidade humana.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil adotou linha de pensamento parecida em curiosa intervenção nas ações que o Supremo Tribunal Federal julgou sobre a extensão da união civil aos casais homossexuais (escrevi sobre essas ações julgadas pelo STF aqui e aqui. É interessante notar que a CNBB, nesse julgamento, foi a única entidade que comungou do entendimento de uma associação filo-nazista, que também se manifestou, nos autos e na sustentação oral, contrária ao reconhecimento jurídico das uniões entre homossexuais). Argumentos como esses já foram usados para a proibição do casamento entre pessoas de raças diferentes, como bem lembram, entre outros, os juristas Luís Duarte d’Almeida e William Eskridge Jr.
Este último jurista, estadunidense, realizou importantes pesquisas sobre o ativismo judicial dos movimentos sociais nos EUA, analisando as derrotas e vitórias desses movimentos no Judiciário. Em livro recente, lembrou que um clássico do pensamento jurídico, Jeremy Bentham (1748-1832), escreveu contra a perseguição de homossexuais em textos que ficaram inéditos (o filósofo temeu que o público não os aceitasse) até a segunda metade do século XX.
É realmente interessante lembrar de Bentham – um adversário do Iluminismo – neste debate. O filósofo utilitarista considerava que estávamos sob o império de dois princípios: a dor e o prazer. Útil seria toda lei que aumentasse o prazer e diminuísse a dor. Com esse fundamento, ele criticava toda lei que impusesse o ascetismo, bem como as leis de “antipatia”, isto é, as que se fundamentassem na repulsa a um grupo.
Leis de antipatia? Trata-se exatamente da questão da homofobia. E também do ascetismo, quando se defende que os homossexuais não precisam ser eliminados, mas não devem realizar-se afetivamente. Contudo, o que pode trazer de maléfico para os casais de sexo diferente que os outros casais também possam legalmente casar-se? Cito Bentham:
Permanecem, portanto, duas fontes, e não mais do que duas, das quais a soma de felicidade tomada em todas suas formas pode aumentar: uma é a diminuição do montante de dores; a outra é a remoção dos obstáculos que o erro e o preconceito opuseram ao aumento do estoque de prazeres que toda pessoa (homem ou mulher) tem em seu próprio poder.
Ele, em nome do princípio da utilidade, condenou a perseguição aos homossexuais (fora um iluminista, poderia tê-lo feito com base na dignidade), pois ela aumenta o montante de dor na sociedade, com a perseguição a essas pessoas – que não causam, com seu comportamento, dor ao restante da sociedade. Bentham recordou dos variados exemplos clássicos de amor viril (Virgílio, Suetônio, Alexandre o Grande…) e escreveu que não se pode condenar esse amor com base nas palavras de Jesus, pois o “advogado da adúltera” jamais o censurara, no que teria sido muito diferente do ascetismo legiferante de Moisés e de Paulo.
Com base no pensamento utilitarista, poderíamos até mesmo argumentar, em favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que, além de aumentar o prazer entre essas pessoas, ele tem como efeito diminuir a dor entre os heterossexuais, que deixarão de ser enganados por homossexuais que pretendem esconder sua orientação sexual em uniões de conveniência.
De fato, estamos em um campo em que os princípios da dignidade e o da utilidade convergem. Adversários de ambos, claro, defenderão outras posições. Exemplo recentíssimo, no Brasil, foi o de uma casa de legisladores municipais, antes conhecida somente pelos numerosos casos de corrupção que envolveram seus membros e por sua morosidade legislativa. Na atual legislatura, marcou-se também pela descoberta do patrocínio de vários de seus membros pelas empresas imobiliárias, interessadas em desfigurar o plano diretor, bem como em verticalizar e poluir ainda mais a cidade.
Essa casa, atuando como improvável pilar da moralidade nacional, resolveu em agosto de 2011 criar o “dia do orgulho hétero”, que ainda não foi sancionado ou vetado pelo prefeito. O apóstolo da medida justificou-se, afirmando em artigo na Folha de S. Paulo querer discutir os supostos privilégios dos homossexuais na sociedade brasileira. Escreveu: “Vejo nas novelas e na imprensa um tratamento especial dos gays.” De fato, o tratamento é especial, porém negativo: os únicos casais que não podem se beijar são os de pessoas do mesmo sexo.
Em seu arrazoado, menciona algo inexistente, num falso paralelismo com a homofobia: a “heterofobia”. Heterossexuais não são demitidos, espancados ou mortos pelo simples fato de sua orientação sexual – isso ocorre com os homossexuais. É ridículo tentar negar esse dado óbvio da realidade, mas alguns fazem do ridículo sua missão. O autor do projeto aprovado chegou ao ponto de criticar, em frase cujo óbvio símbolo fálico sugere a conveniência de consultar o psicanalista, “os intocáveis que hasteiam a bandeira gay e que quebram o mastro da bandeira da democracia.” (Grifo meu.)
No tocante ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, poder-se-ia, com alguma lucidez, falar em “direitos especiais”? Obviamente que não, mas de acesso aos mesmos direitos. Por esse motivo, parece-me infundada a posição de certos autores que acusaram o Supremo Tribunal Federal brasileiro de legislar quando reconheceu que pessoas do mesmo sexo também vivem em uniões estáveis. Afinal, não ocorreu a criação de um direito novo, nem de um “direito gay” específico, e sim apenas a extensão de um direito já existente a um grupo que era excluído, o que contrariava o princípio da igualdade previsto na Constituição e nos tratados internacionais de direitos humanos. Tal é a força normativa do princípio, que pouco importa que o parágrafo terceiro do artigo 226 do texto constitucional fale do reconhecimento como entidade familiar da união estável entre homem e mulher. Ademais, como se sabe, a hermenêutica dos direitos humanos segue o princípio de ampliar esses direitos, e não de restringi-los.
Por essa razão, e pela capacidade dos direitos humanos de se transformarem segundo o momento histórico, também não é relevante, para aplicar o princípio hoje, que os constituintes não tenham desejado esse alcance. Nos debates da Assembleia Nacional Constituinte, houve grande discussão sobre a proibição de discriminação por orientação sexual, prevista em emenda de José Genoíno. O relator da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher, o então senador José Paulo Bisol, diante de acusações, defendeu aquela proibição em termos francamente homofóbicos:
Quanto ao problema da família, o nobre Constituinte estranhou a expressão “união estável”, como se ela incluísse a possibilidade de uniões entre homossexuais. Nobre Constituinte, não estou preocupado com as uniões dos homossexuais. Se eles querem fazer, que as façam! Desde que isto não se converta num escândalo social, é um direito deles. A palavra “casamento” também não evita, em si mesma essa expressão. Porque eles falam em casamento! Tenho lido nos jornais e até ouvi um Constituinte, aqui, falar: “Estamos permitindo casamento de homossexuais?” Meu Deus, não se trata disso! Apenas se trata de dizer que os homossexuais são seres humanos! E aqui disseram até que é uma questão de nascimento. Não vou a tanto. Acho que é mais um problema cultural e de formação. Mas, não entro em discussão. O que eu quero dizer é que os homossexuais não me perturbam. Acho que eles são pessoas humanas. E creio que ninguém tem o direito de não empregar um homem competente por ser ele um homossexual! É isto.
O “nobre” era o deputado José Mendonça de Morais, que, além de pregar a homofobia, foi um dos defensores da censura na Assembleia. Quanto a Bisol, há o que se dizer a seu favor, pois chegava ao ponto de considerar homossexuais “pessoas humanas” (no que superava diversos constituintes), embora com “problema”. De fato, tinham um problema, do qual esses constituintes faziam parte: a homofobia.
A emenda acabou rejeitada porque, de acordo com o discurso dominante, o princípio da igualdade e da proibição da discriminação já contemplaria, em seu conteúdo, a vedação à discriminação por orientação sexual. Esse argumento, embora assumido pelos homofóbicos, é-lhes contraproducente: se era verdade que não se precisava, para evitar a discriminação, mencionar explicitamente a orientação sexual no que se tornou o artigo 5º, por que cobrar hoje, para que os homossexuais não sejam discriminados no direito ao casamento, que a previsão constitucional da união estável seja explícita a respeito?
O uso seletivo do princípio da igualdade por esses hermeneutas corresponde a mais um exemplo de hipócrita torção constitucional, para que o princípio seja eficaz apenas para não mencionar grupos discriminados, e não para igualar direitos.
Por conseguinte, a adequação e pertinência da bandeira do casamento igualitário, assumida na Argentina, parecem-me inegáveis – e a resistência que sofre decorre do preconceito de que pessoas que amam dessa forma possam ter sua dignidade (e sua existência) igualmente reconhecida e respeitada. Não faz sentido algum afirmar que não se é contra os homossexuais, mas que se é contrário a que eles casem. Imaginem quão antimusical seria o maestro que dissesse nada ter contra violoncelistas, desde que eles não tocassem publicamente.
A lei argentina, como era esperado, não veio sem resistências. Alberto Arias, velho chefe de registro civil da cidade de Concordia (e único advogado canônico de toda a província, segundo ele mesmo ressaltou), declarou que preferiria casar Alfredo Astiz (conhecido como “anjo loiro da morte” da ditadura argentina, um “pobre homem” segundo o funcionário) a casais do mesmo sexo. Simples demonstração de velhos sentimentos contrários aos direitos humanos? Talvez, porém a comparação é reveladora: parece denotar que, na oposição à lei do matrimônio igualitário e no apoio ao genocida, encontra-se em certos corações mais pios a mesma lógica: a do extermínio.
A lei do matrimônio igualitário segue outro espírito. É significativo que ela sirva para uma das peças de propaganda eleitoral da presidenta da Argentina, que afirma que ninguém perdeu direito algum com aquela medida; pelo contrário, houve um ganho de direitos àqueles que estavam desprovidos. No Brasil, na campanha de 2010, nenhum dos três candidatos à presidência da república com mais votos ousou defender legislação igual. E apenas um dos representantes do povo no Congresso Nacional, deputado Jean Wyllis, assumiu-se publicamente homossexual. Sua plataforma de atuação fundamenta-se nos direitos humanos: a liberdade de culto na defesa das religiões de origem africana, o direito à educação, direitos dos indígenas… Nada mais coerente: é no âmbito dessa categoria jurídica que se põe a luta contra a homofobia.
Professor da Uninove, em São Paulo. Organizou diversas antologias e é autor, entre outros, do volume de poesia Cinco lugares da fúria (2008) e de Para que servem os direitos humanos? (2009).

Pádua Fernandes
http://www.amalgama.blog.br/08/2011/casamento-e-homofobia/

Novo livro de autora alemã Charlotte Roche promete sexo e tragédia

Novo livro de autora alemã Charlotte Roche promete sexo e tragédia
Nova obra de Charlotte Roche ganha destaque em livrarias alemãs


Depois do sucesso de "Zonas úmidas", autora alemã aborda trauma, sexo e vida familiar em "Schossgebete". Ainda sem tradução em português, obra começa a inundar as livrarias na Alemanha.

O novo livro da escritora alemã Charlotte Roche começa a ganhar espaço nas livrarias alemãs. Schossgebete (Orações de colo, em tradução livre) é o segundo título da autora, e promete ser um best-seller – só a Dussmann, por exemplo, uma das maiores livrarias de Berlim, encomendou mil exemplares com antecedência.

O novo trabalho de Roche tenta seguir o caminho do primeiro romance, Feuchtgebiete ("Zonas úmidas"), que vendeu aproximadamente dois milhões de exemplares e foi publicado no Brasil pela editora Objetiva. A primeira tiragem de Schossgebete foi de meio milhão de cópias, provavelmente a maior marca já alcançada por um autor da língua alemã.

Na trilha do sucesso repentino

Para Bianca Krömer, que trabalha há cinco anos na Dussmann berlinense e já acompanhou a saída de muitos best-sellers, o novo livro de Roche deve atender às expectativas da editora e das livrarias. Ela ressalta, no entanto, que não será fácil superar o sucesso anterior. "Zonas úmidas foi uma grande surpresa. Uma ex-apresentadora de televisão aparece, aborda todos os tabus e escreve sobre coisas de uma forma com que o leitor não está acostumado a ler com frequência", comenta Krömer.

A surpresa foi tão grande que alguns críticos questionaram se um livro sobre depilação íntima e hemorroidas poderia, de fato, ser considerado literatura. As descrições tão detalhadas também deixaram muitos leitores com a sensação de asco.

Trauma e trama

Schossgebete parece uma continuação do primeiro livro. A protagonista é uma mulher de 30 anos, casada, com dois filhos. Logo na primeira linha, os fãs de Zonas úmidas veem suas expectativas serem preenchidas: "Como sempre, nós ligamos a colcha térmica meia hora antes do sexo."

Seguem-se então 15 linhas de uma desagradável descrição precisa do ato sexual do casal. A autora deixa um pouco de lado os excessos do corpo para se concentrar na vida interior da protagonista e narradora, Elizabeth, que quer cada vez mais agradar a todos: seu marido, sua filha, sua terapeuta. Elizabeth se classifica como uma "terrorista de relacionamentos".

Autora mostra seu primeiro romanceO novo romance de Roche pode ser lido como um diário de terapia de uma mulher num abismo psiquiátrico. Um trauma ocupa o centro do romance, que até hoje também faz parte da vida de Charlotte Roche: três irmãos morreram num acidente de carro a caminho do casamento da escritora.

Até então, Roche ainda não havia falado publicamente sobre o assunto. E agora, ao que tudo parece, ela escreve sua própria história de vida a partir da alma. Assim como em Zonas úmidas, o leitor é levado a acreditar que a protagonista e autora são a mesma pessoa devido às descrições autênticas e à linguagem mais natural.

Escândalo

Depois do sucesso inesperado de Zonas úmidas, ninguém acreditava que a jovem e atraente escritora, de 33 anos, poderia lançar um romance seguinte. Isso a motivou mais, diz Roche numa entrevista publicada na revista Der Spiegel, apesar de ela mesma se considerar mais como uma impostora do que escritora.

Mesmo assim, o que não falta no novo livro é potencial para causar escândalo e atrair a atenção pública. E pelo menos nas livrarias alemãs as pilhas de Schossgebete já começam a ser notadas.

Autora: Nadine Wojcik (np)
Revisão: Carlos Albuquerque
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15323501,00.html

La Habana: Realizarán jornada de educación y orientación sexual

La Habana: Realizarán jornada de educación y orientación sexual

Mié, 17/08/2011 - 10:56
Anunciam em Havana jornada de educação e orientação sexual
Havana, 17 ago (Prensa Latina) Educação da sexualidade, sexologia clínica, saúde, vulnerabilidade e HIV/sida, diversidade sexual, processos de transformação social, serão temas a debate em uma jornada que acontecerá em esta capital de 27 a 29 de setembro próximo.

O evento promoverá o intercâmbio de experiências científicas e selecionar os trabalhos como propostas ao VI Congresso Cubano de Educação, Orientação e Terapia Sexual previsto para o Palácio de Convenções de Havana em janeiro de 2012.

Conferências, palestras, mesas de discussão coordenadas, temas livres, conformam a agenda científica da reunião, convocada pela Comissão Provincial de Educação Sexual, o Centro Nacional de Educação Sexual (CENESEX) e a Sociedade Cubana Multi-disciplinar para o Estudo da Sexualidade (SOCUMES).

Também se incluem as oficinas de Doenças Crônicas não Trasmisiveis (ECNT) e Problemas Sexuais, bem como o de Nomenclaturas em sexologia. Ambos contarão com a participação de experientes na temática.

aab/arc/vm
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