segunda-feira, 13 de junho de 2011
Bissexualidade: Será mesmo que existe ou faz parte da modernidade
A bissexualidade existe mesmo ou é apenas um modismo ? Nos deparamos com alguns relatos de homens e mulheres, que desejam em algum período da sua vida o mesmo sexo como tambem o sexo oposto, partindo ou não as vias de fato.
Alguns estudiosos dizem que é póssível desejar o mesmo sexo como tambem o sexo oposto, em diferentes período da vida e sem nunca ter tido com os mesmos uma aproximação mais significativa. Outros dizem que o fato de fantasiar com os diferentes sexos não significa ser homossexual os bissexual, pois o que definiria esta questão é o individuo sentir prazer físico e afetivo com alguem do mesmo sexo.
Outra possibilidade é a do individuo sentir ser bissexual mas que na verdade vai gostar mais de transar com um dos sexos e ter uma queda maior para um lado, como tambem de velar este desejo por culpa da nossa sociedade que não entende que o sexo existe para as pessoas serem felizes, sociedade esta influenciada pela tradição judaico-cristão que identifica a sexualidade como reprodução, reprimindo dessa maneira e até marginalizando outras formas de relação.
Alfred Kinsey (Biólogo) e Fritz Klein (Psiquiatra) testaram em décadas diferentes sua escala de Sexualidade sendo que, em ambos os sexos não existiriam pessoas hetero ou homossexual puros pois, tudo iria depender da fase da vida, do momento psicológico ou mesmo da circunstância do meio que a pessoa está inserida.
E AÍ VEM A PERGUNTA: A BISSEXUALIDADE EXISTE ???
Uns sentem-se atraídos por mulheres, outros por homens e outros, a crermos em Sigmund Freud, no Dr. Alfred Kinsey e em milhões de pessoas que se declaram bissexuais, sentem atração por ambos os sexos. Mas um novo estudo levanta dúvidas sobre se existirá verdadeiramente a bissexualidade pelo menos nos homens. A investigação, da responsabilidade de uma equipe de psicólogos de Chicago e Toronto, vem dar razão aos que já algum tempo duvidam de que a bissexualidade seja uma orientação sexual estável e específica. Neste estudo foram medidos os padrões de excitação genital em resposta a imagens de homens e mulheres. E descobriu-se que, na realidade, os homens que se declaravam bissexuais se excitavam com apenas um dos dois sexos, nomalmente com imagens de homens.
Este estudo é mais amplo de entre várias investigações recentes que indicam que os homens que se declaram bissexuais ( 1,7%, segundo os cálculos ), apresentam padrões de atração física considerávelmente distintos dos desejos que manifestam
Pelo menos desde o século XIX que os cientistas do comportamento concluíram haver alteração bissexual, quer nos homens, quer nas mulheres e tem desde então discutido qual o lugar da bissexualidade na identidade sexual do ser humano. Alguns, como Freud, concluiu que os homens são de natureza bissexual. Nos seus estudos da década de 1.940, Kinsey descobriu que muitos homens casados publicamente heterossexuais declaravam ter mantido relações sexuais com outros homens . " Os homens não representam duas populações diferenciadas, os heterossexuais e os homossexuais ", escreveu kinsey. " Não temos de dividir o mundo entre ovelhas e cabras ".
1,5% das mulheres norte-americanas declaram-se bissexuais. E a bissexualidade aparece mais fácil de demonstrar no sexo feminino. Um estudo publicado em Novembro de 2004, chegou a conclusão de que a a mioria das mulheres que afirmavam serem bissexuais apresentavam sinais de excitação perante homens e mulheres. Ainda que apenas um pequeno grupo de mulheres se declare bissexual, Bailey crê que a excitação bissexual " talvez " seja a norma entre o sexo feminino.
Em meados da década de 1.990, Diamond selecionou um grupo de 90 mulheres em marchas do orgulho GLBT, congressos de especialistas sobre questões de gênero e outros contextos. Metade dessas mulheres consideravam-se lésbicas, um terço consideravam-se bissexuais e as restantes não definiram a sua orientação sexual. " A maioria parece inclinar-se para um lado ou para o outro, mas isto não as impede de manter uma relação com o sexo não preferido ", declara. Uma acrescenta: " Uma mulher pode interessar-se principalmente por mulheres, mas o rapaz que entrega as pizzas hoje está especialmente sexy ... o que havemos de fazer ? ". E acrescenta: " Há muitíssimo movimento e flexibilidade. O que é um fato é que há muito pouca investigação nesta área e muito que aprender ".
Dra.Regina Verisimo
Psicóloga Clínica/Psicoterapeuta Sexual
CRP- 06/48809-1
Nota: Trechos deste estudo sobre Bissexualidade foi publicado no Suplemento de Saúde do EL PAIS
http://reginaverissimo.blogspot.com/2011/06/bissexualidadesera-mesmo-que-existe-ou.html?zx=4c8cf915f1c2fcee
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Projeto limita exposição de produtos inadequados para menores
20/07/2011 15:32
Projeto limita exposição de produtos inadequados para menores
Luiz Alves
José Airton: exposição a conteúdos impróprios aumenta criminalidade.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 360/11, do deputado José Airton (PT-CE), que limita o acesso de crianças a materiais de conteúdo impróprio expostos em bancas de jornais, videolocadoras, salas de cinema e páginas da internet.
A proposta determina que impressos, vídeos, jogos, e os respectivos materiais de propaganda considerados inadequados para crianças sejam colocados longe do alcance ou cobertos de forma que apenas a marca esteja em evidência.
Trailers ou propagandas com cenas impróprias para menores só poderão ser veiculadas em sessões de cinema com classificação indicativa para maiores de 18 anos. Cartazes e outros materiais de divulgação de filmes inadequados para crianças estão limitados às salas exclusivas para filmes para maiores, sendo expressamente proibida a fixação junto às bilheterias ou em qualquer espaço acessado pelo público infantil.
Os sites que exibirem conteúdo adulto serão obrigados a restringir o acesso, por meio de senhas, a usuários maiores de 18 anos, previamente cadastrados. Quem violar a norma poderá ser multado em até R$ 5 mil. O valor será dobrado em caso de reincidência.
José Airton argumenta que a exposição de conteúdo impróprio para crianças tem sido responsável pelo aumento de crimes relacionados principalmente à sexualidade e à violência. “Ao mesmo tempo em que criamos condições mais apropriadas para nossas crianças, estaremos também contribuindo decisivamente para uma redução nos ilícitos penais ligados à violência e à sexualidade, em especial nos casos de pedofilia”, justifica.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/DIREITOS-HUMANOS/200208-PROJETO-LIMITA-EXPOSICAO-DE-PRODUTOS-INADEQUADOS-PARA-MENORES.html
Projeto limita exposição de produtos inadequados para menores
Luiz Alves
José Airton: exposição a conteúdos impróprios aumenta criminalidade.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 360/11, do deputado José Airton (PT-CE), que limita o acesso de crianças a materiais de conteúdo impróprio expostos em bancas de jornais, videolocadoras, salas de cinema e páginas da internet.
A proposta determina que impressos, vídeos, jogos, e os respectivos materiais de propaganda considerados inadequados para crianças sejam colocados longe do alcance ou cobertos de forma que apenas a marca esteja em evidência.
Trailers ou propagandas com cenas impróprias para menores só poderão ser veiculadas em sessões de cinema com classificação indicativa para maiores de 18 anos. Cartazes e outros materiais de divulgação de filmes inadequados para crianças estão limitados às salas exclusivas para filmes para maiores, sendo expressamente proibida a fixação junto às bilheterias ou em qualquer espaço acessado pelo público infantil.
Os sites que exibirem conteúdo adulto serão obrigados a restringir o acesso, por meio de senhas, a usuários maiores de 18 anos, previamente cadastrados. Quem violar a norma poderá ser multado em até R$ 5 mil. O valor será dobrado em caso de reincidência.
José Airton argumenta que a exposição de conteúdo impróprio para crianças tem sido responsável pelo aumento de crimes relacionados principalmente à sexualidade e à violência. “Ao mesmo tempo em que criamos condições mais apropriadas para nossas crianças, estaremos também contribuindo decisivamente para uma redução nos ilícitos penais ligados à violência e à sexualidade, em especial nos casos de pedofilia”, justifica.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/DIREITOS-HUMANOS/200208-PROJETO-LIMITA-EXPOSICAO-DE-PRODUTOS-INADEQUADOS-PARA-MENORES.html
Clichê do sexo entre amigos: uma aposta para rejuvenecer a comédia romântica
Clichê do sexo entre amigos: uma aposta para rejuvenecer a comédia romântica
De Romain Raynaldy (AFP) – há 5 dias
LOS ANGELES — A fantasia de manter relações sexuais sem compromisso emocional volta às telonas dos Estados Unidos no filme "Amizade Colorida", em que Justin Timberlake e Mila Kunis apelam para o clichê do sexo entre amigos, numa tentativa de "rejuvenecer a comédia romântica".
"Friends with Benefits" (literalmente "amigos com benefícios"), segue a onda das comédias românticas classificadas como "R" nos Estados Unidos, isto é, proibidas para menores de 17 anos, sem acompanhamento de um adulto - que buscam pôr um pouco de "subversão" num gênero que há muito tempo é criticado por apresentar um mundo irreal cor-de-rosa.
O filme, que estreia nesta sexta-feira nos Estados Unidos e Canadá, conta como dois jovens que acabam de se separar de seus cônjuges decidem iniciar uma relação puramente sexual, sem os incômodos dos sentimentos, até que, finalmente, o amor bate à porta.
Este já era o tema da recente produção "No Strings Attached" (Sexo Sem Compromisso) protagonizada por Natalie Portman e Ashton Kutcher.
"Eu acho que muitas coisas estão sendo testadas neste momento, porque todo mundo sabe que as comédias românticas são vistas como um clichê. Todos querem que (essas produções) tomem uma direção diferente", disse o diretor Will Gluck, durante a apresentação de "Amizade Colorida (Friends with Benefits) à imprensa num hotel em Santa Monica (oeste de Los Angeles).
Longe de evitar os clichês, Gluck prefere trabalhá-los melhor. "Acho que a vida é um clichê. Todo mundo tem um marido ou uma esposa, todo mundo se casa, todo mundo se separa... Tudo é um clichê, mas eu gosto de observar este aspecto da vida", afirmou.
"Este filme não é nenhuma revolução às regras. Isto não é "A Origem" ("Inception", último filme de Christopher Nolan, que tem uma estrutura deliberadamente complexa). Nunca tive medo do clichê, pelo contrário, quero dar ênfase nele", disse.
Dinâmica, bem escrita, mesmo com o risco de se tornar um permanente ping-pong verbal, o filme se centra também na plasticidade de seus protagonistas, embora pessoalmente, nem Timberlake nem Kunis afirmam acreditar nas relações puramente sexuais, apesar de sempre terem existido.
"Não creio que essa seja uma experiência que possa durar um longo período", disse Timberlake, cantor que se tornou ator, que lotou as salas de cinema em 2010 com "Rede Social" (The Social Network).
Mila Kunis, por sua vez, considera que o conceito do "sexo entre amigos" é tão antigo como o mundo. "Só que hoje muita gente está mais disposta a fazer, já não é um tabu. Acho que a nossa geração é mais aberta, honesta e que as mulheres controlam muito mais sua sexualidade que há 30, 40 ou 50 anos", opinou a atriz, conhecida pelo papel de bailarina amiga da protagonista em "Cisne Negro" (Black Swan).
"É uma dinâmica interessante ter os dois personagens que não estão conectados emocionalmente, ou pelo menos pensam não estarem", disse Timberlake.
O elenco conta ainda com Patricia Clarkson e Richard Jenkins - duas importantes figuras do cinema independente americano -, Jenna Elfman e Woody Harrelson.
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5ij3NQMwyLYbV3BBXPGGpyeH-5gHw?docId=CNG.55a2333d113efd23e3294ed01b630098.91
De Romain Raynaldy (AFP) – há 5 dias
LOS ANGELES — A fantasia de manter relações sexuais sem compromisso emocional volta às telonas dos Estados Unidos no filme "Amizade Colorida", em que Justin Timberlake e Mila Kunis apelam para o clichê do sexo entre amigos, numa tentativa de "rejuvenecer a comédia romântica".
"Friends with Benefits" (literalmente "amigos com benefícios"), segue a onda das comédias românticas classificadas como "R" nos Estados Unidos, isto é, proibidas para menores de 17 anos, sem acompanhamento de um adulto - que buscam pôr um pouco de "subversão" num gênero que há muito tempo é criticado por apresentar um mundo irreal cor-de-rosa.
O filme, que estreia nesta sexta-feira nos Estados Unidos e Canadá, conta como dois jovens que acabam de se separar de seus cônjuges decidem iniciar uma relação puramente sexual, sem os incômodos dos sentimentos, até que, finalmente, o amor bate à porta.
Este já era o tema da recente produção "No Strings Attached" (Sexo Sem Compromisso) protagonizada por Natalie Portman e Ashton Kutcher.
"Eu acho que muitas coisas estão sendo testadas neste momento, porque todo mundo sabe que as comédias românticas são vistas como um clichê. Todos querem que (essas produções) tomem uma direção diferente", disse o diretor Will Gluck, durante a apresentação de "Amizade Colorida (Friends with Benefits) à imprensa num hotel em Santa Monica (oeste de Los Angeles).
Longe de evitar os clichês, Gluck prefere trabalhá-los melhor. "Acho que a vida é um clichê. Todo mundo tem um marido ou uma esposa, todo mundo se casa, todo mundo se separa... Tudo é um clichê, mas eu gosto de observar este aspecto da vida", afirmou.
"Este filme não é nenhuma revolução às regras. Isto não é "A Origem" ("Inception", último filme de Christopher Nolan, que tem uma estrutura deliberadamente complexa). Nunca tive medo do clichê, pelo contrário, quero dar ênfase nele", disse.
Dinâmica, bem escrita, mesmo com o risco de se tornar um permanente ping-pong verbal, o filme se centra também na plasticidade de seus protagonistas, embora pessoalmente, nem Timberlake nem Kunis afirmam acreditar nas relações puramente sexuais, apesar de sempre terem existido.
"Não creio que essa seja uma experiência que possa durar um longo período", disse Timberlake, cantor que se tornou ator, que lotou as salas de cinema em 2010 com "Rede Social" (The Social Network).
Mila Kunis, por sua vez, considera que o conceito do "sexo entre amigos" é tão antigo como o mundo. "Só que hoje muita gente está mais disposta a fazer, já não é um tabu. Acho que a nossa geração é mais aberta, honesta e que as mulheres controlam muito mais sua sexualidade que há 30, 40 ou 50 anos", opinou a atriz, conhecida pelo papel de bailarina amiga da protagonista em "Cisne Negro" (Black Swan).
"É uma dinâmica interessante ter os dois personagens que não estão conectados emocionalmente, ou pelo menos pensam não estarem", disse Timberlake.
O elenco conta ainda com Patricia Clarkson e Richard Jenkins - duas importantes figuras do cinema independente americano -, Jenna Elfman e Woody Harrelson.
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5ij3NQMwyLYbV3BBXPGGpyeH-5gHw?docId=CNG.55a2333d113efd23e3294ed01b630098.91
Acredite! Homens querem mais carinho e relações estáveis
19/07/2011 -- 11h30
Acredite! Homens querem mais carinho e relações estáveis
Pesquisa sugere que os homens são os mais românticos em um relacionamento; beijar e abraçar não seria tão significativo para elas
Apesar do estereótipo de que as mulheres gostam mais de demonstrações de afeto, são os homens que mais valorizam essas atitudes
Esqueça tudo que você já ouviu sobre relacionamentos entre homem e mulher. Que os homens gostam de ter várias parceiras, que as mulheres são mais carinhosas, que eles não gostam de ficar casados por muitos anos. Um estudo encomendado pelo Instituto Kinsey de Sexualidade Humana, dos Estados Unidos, revelou que os homens, mais que as mulheres, preferem relacionamentos longos e estáveis e que são elas que dão mais valor à satisfação sexual do que afetiva.
Apesar do consolidado estereótipo de que as mulheres gostam mais de demonstrações de afeto do que os homens, pesquisadores da Indiana University, nos Estados Unidos, descobriram que a prática aponta para uma realidade completamente oposta.
A pesquisa contou com a colaboração de 200 homens entre 20 e 40 anos com suas respectivas parceiras de cinco países diferentes, incluindo o Brasil, totalizando mil casais.
Os resultados apontaram que demonstrações de carinho, como beijar e abraçar, não contribuíam de forma significante para a felicidade feminina. Por outro lado, homens que beijavam e abraçavam mais eram três vezes mais felizes em seus relacionamentos do que aqueles que não o faziam.
Outra constatação surpreendente foi a de que as mulheres atribuíam a sua felicidade à crescente qualidade das relações sexuais. Para elas, quanto mais longa a relação, melhor era a dinâmica do casal. Já os homens citaram a felicidade como responsável pela longa duração de seus relacionamentos.
Do que as mulheres gostam?
As mulheres são diferentes dos homens, tanto no aspecto físico, como nas suas respostas sexuais. Mas, principalmente, na forma de ver, sentir e praticar o sexo. Para elas é muito importante a doação, o sentimento, o ambiente e o tempo para que possam se soltar, sentir-se queridas e excitar-se, tendo um relacionamento amoroso marcante e inesquecível.
Para entender melhor o que se passa na consciência feminina, o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano fez três perguntas ligadas a sentimentalismo, sensualidade e sexualidade a suas pacientes. Confira o que mais desejam as mulheres em cada uma dessas áreas:
Perguntando para as mulheres o que elas desejam dos homens, as respostas sempre enfocaram sentimento e parceria:
1. Alguém em quem eu possa confiar;
2. Com quem compartilhar as coisas boas e ruins;
3. Que seja gentil e tenha senso de humor;
4. Seja criativo e que aceite a minha criatividade no dia-a-dia e no amor.
Na pergunta o que é sensual no homem para você? Algumas respostas foram:
1. O jeito da pessoa, o charme, o jeito de me olhar;
2. Ter um belo sorriso que me envolva e que me faça derreter;
3. Ser vigoroso, mas não necessariamente atlético;
4. Autoconfiante e que seja apaixonado pela vida e por sexo.
E no sexo o que mais agrada a mulher?
1. Um homem quente, apaixonado;
2. Que tenha criatividade e que se preocupe com a minha excitação;
3. Que tenha paciência, que me conheça com detalhes, do que gosto, do jeito que gosto de ser tocada, da posição sexual que mais gosto, que me conheça por inteiro;
4. Que tenha muito diálogo no dia a dia e também na esfera sexual para nos conhecermos cada vez mais. (Fonte: Minha Vida, Saúde, Alimentação e Bem-estar) e Mais de 50
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-34--49-20110719&tit=acredite+homens+querem+mais+carinho+e+relacoes+estaveis
Acredite! Homens querem mais carinho e relações estáveis
Pesquisa sugere que os homens são os mais românticos em um relacionamento; beijar e abraçar não seria tão significativo para elas
Apesar do estereótipo de que as mulheres gostam mais de demonstrações de afeto, são os homens que mais valorizam essas atitudes
Esqueça tudo que você já ouviu sobre relacionamentos entre homem e mulher. Que os homens gostam de ter várias parceiras, que as mulheres são mais carinhosas, que eles não gostam de ficar casados por muitos anos. Um estudo encomendado pelo Instituto Kinsey de Sexualidade Humana, dos Estados Unidos, revelou que os homens, mais que as mulheres, preferem relacionamentos longos e estáveis e que são elas que dão mais valor à satisfação sexual do que afetiva.
Apesar do consolidado estereótipo de que as mulheres gostam mais de demonstrações de afeto do que os homens, pesquisadores da Indiana University, nos Estados Unidos, descobriram que a prática aponta para uma realidade completamente oposta.
A pesquisa contou com a colaboração de 200 homens entre 20 e 40 anos com suas respectivas parceiras de cinco países diferentes, incluindo o Brasil, totalizando mil casais.
Os resultados apontaram que demonstrações de carinho, como beijar e abraçar, não contribuíam de forma significante para a felicidade feminina. Por outro lado, homens que beijavam e abraçavam mais eram três vezes mais felizes em seus relacionamentos do que aqueles que não o faziam.
Outra constatação surpreendente foi a de que as mulheres atribuíam a sua felicidade à crescente qualidade das relações sexuais. Para elas, quanto mais longa a relação, melhor era a dinâmica do casal. Já os homens citaram a felicidade como responsável pela longa duração de seus relacionamentos.
Do que as mulheres gostam?
As mulheres são diferentes dos homens, tanto no aspecto físico, como nas suas respostas sexuais. Mas, principalmente, na forma de ver, sentir e praticar o sexo. Para elas é muito importante a doação, o sentimento, o ambiente e o tempo para que possam se soltar, sentir-se queridas e excitar-se, tendo um relacionamento amoroso marcante e inesquecível.
Para entender melhor o que se passa na consciência feminina, o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano fez três perguntas ligadas a sentimentalismo, sensualidade e sexualidade a suas pacientes. Confira o que mais desejam as mulheres em cada uma dessas áreas:
Perguntando para as mulheres o que elas desejam dos homens, as respostas sempre enfocaram sentimento e parceria:
1. Alguém em quem eu possa confiar;
2. Com quem compartilhar as coisas boas e ruins;
3. Que seja gentil e tenha senso de humor;
4. Seja criativo e que aceite a minha criatividade no dia-a-dia e no amor.
Na pergunta o que é sensual no homem para você? Algumas respostas foram:
1. O jeito da pessoa, o charme, o jeito de me olhar;
2. Ter um belo sorriso que me envolva e que me faça derreter;
3. Ser vigoroso, mas não necessariamente atlético;
4. Autoconfiante e que seja apaixonado pela vida e por sexo.
E no sexo o que mais agrada a mulher?
1. Um homem quente, apaixonado;
2. Que tenha criatividade e que se preocupe com a minha excitação;
3. Que tenha paciência, que me conheça com detalhes, do que gosto, do jeito que gosto de ser tocada, da posição sexual que mais gosto, que me conheça por inteiro;
4. Que tenha muito diálogo no dia a dia e também na esfera sexual para nos conhecermos cada vez mais. (Fonte: Minha Vida, Saúde, Alimentação e Bem-estar) e Mais de 50
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-34--49-20110719&tit=acredite+homens+querem+mais+carinho+e+relacoes+estaveis
Reprodução assistida – ou desassistida?
Reprodução assistida – ou desassistida?
O caso das trigêmeas e o lugar da maternidade em nosso tempo
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
No início deste ano, imprensa e público se chocaram com o caso de um casal paranaense que teve trigêmeas, depois de se submeter a técnicas de reprodução assistida, e quis dar uma delas para adoção. As meninas nasceram em janeiro de um parto prematuro e ficaram por quase um mês na UTI neonatal de uma maternidade de Curitiba. Os pais já haviam manifestado a intenção de entregar um dos bebês para ser adotado antes do nascimento. Mas, “denunciados” pelos funcionários do hospital ao Conselho Tutelar por “rejeitar” uma das filhas, supostamente a mais frágil, perderam a guarda das três. Em fevereiro, as meninas foram colocadas em um abrigo por intervenção judicial. Os bebês ficaram afastados dos pais por dois meses e meio, com visitas restritas a duas horas semanais. Em maio, a Justiça deu a guarda temporária a parentes e permitiu que os pais pudessem visitá-las diariamente. Desde o início, os pais declararam-se arrependidos de terem desejado dar uma das crianças para adoção e tentaram reaver a guarda das três filhas. O médico que acompanhou o casal em todo o processo da reprodução assistida, disse à imprensa: “Eu nunca vi um casal rejeitar os filhos após um tratamento para engravidar. Muito menos rejeitar um ou rejeitar dois. Isso realmente é uma novidade”.
Quando o caso tornou-se público, o casal virou uma espécie de monstro. A ideia, disseminada no senso comum, era: como pais, que desejaram tanto ter filhos, a ponto de se submeter a um procedimento caro e nem sempre bem sucedido, tiveram a coragem de “abandonar” a mais frágil das crianças? Danielle Breyton, Helena Albuquerque e Verônica Melo estavam entre as poucas vozes dissonantes. Psicanalistas do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, elas pesquisam as questões da reprodução assistida desde 1997, no grupo denominado “O feminino no imaginário cultural contemporâneo”.
Impressionadas com o linchamento dos pais pela sociedade, elas escreveram um texto para a imprensa intitulado “Responsabilidades no caso das trigêmeas”. Tiveram dificuldade para encontrar espaço para publicá-lo, apesar da qualidade do trabalho e da experiência de 14 anos de estudos da questão da reprodução assistida. Vale a pena pensar se a falta de espaço pode significar uma resistência a escutar algo que adicione maior complexidade ao debate e algo que nos implique a todos – em vez de apenas demonizar os pais.
No texto, que tive a oportunidade de ler, as psicanalistas fazem algumas perguntas incômodas: “De quem é a responsabilidade pela implantação de três ou quatro embriões no útero de uma jovem de 28 anos? A quem cabe a decisão que implica tamanhos riscos? Ao casal? À equipe médica? Ao Estado?”. Desde o início deste ano, uma norma do Conselho Federal de Medicina determina que, no caso de mulheres com até 35 anos, devem ser implantados no máximo dois embriões, já que uma gravidez múltipla traz riscos para a mãe e para os bebês, sem contar as demais sequelas físicas e psíquicas. Entre os 36 e os 39 anos recomenda-se implantar três embriões. E apenas mulheres com mais de 40 anos podem ter quatro embriões implantados.
As psicanalistas apontam que, no caso das trigêmeas, os pais incorporaram algo que faz parte do discurso hegemônico, plenamente assimilado pela sociedade e amplamente divulgado pela mídia em centenas de reportagens. Neste discurso, os termos “escolha, doação, descarte e redução” são corriqueiros na área da reprodução assistida. No texto, elas criticam a desimplicação de todos no caso, a começar pelo médico, e afirmam que as trigêmeas não são apenas filhas de seus pais – mas de uma cultura. Neste sentido, são filhas de todos nós.
Quando o caso tornou-se público, chamou a atenção a incapacidade da maioria das pessoas que se manifestaram de parar para pensar, ainda que por um instante: “Como deve se sentir uma mulher de 28 anos com três bebês prematuros ao mesmo tempo?”. Quem tem apenas um, saudável e nascido de nove meses, sabe que não é fácil, especialmente nos primeiros tempos. É possível para qualquer um imaginar como pode ser difícil e assustador cuidar de três prematuros. Reconhecer a dor do outro não significa tirar-lhe a responsabilidade, apenas admitir que é preciso ter mais cuidado antes de julgar. Por que a condenação dos pais pela sociedade foi imediata e massiva é algo que vale a pena pensar. E talvez as imagens estampadas em jornais e revistas, assim como nas telas da TV, de casais sorridentes com sua ninhada de filhos nascidos na mesma gestação, que todos nós já vimos alguma vez, possam ser uma pequena parte da explicação.
O caso provoca ainda uma série de questões. Que Justiça é esta que prefere colocar três recém-nascidas em um abrigo em vez de deixá-las com os pais, que se dizem arrependidos e dispostos a criar as três filhas? Por que, como disse a advogada do casal, não ajudá-los a lidar com as dificuldades em vez de puni-los? E que sociedade é esta que se apressa a linchar o casal, preferindo transformar os pais em monstros e assim se afastar por completo do que a horroriza, em vez de pensar se não tem nada a ver com isso? O debate vale a pena não para que possamos encontrar outro culpado, mas para compreender o que tudo isso diz da época em que vivemos.
Convidei Danielle, Helena e Verônica para uma conversa nesta coluna. Não apenas sobre o caso das trigêmeas, mas sobre a reprodução assistida e o lugar da maternidade no nosso tempo. Na entrevista a seguir, destaco três temas que considero mais instigantes. O primeiro é a percepção de um paralelo entre parto natural e cesárea/reprodução natural e reprodução assistida. As psicanalistas perceberam, ao acompanhar grupos de pais à espera do procedimento, que, se o parto natural tornou-se exceção no Brasil, com prevalência da cesariana na maioria dos nascimentos, o mesmo começa a acontecer com a reprodução: um número crescente de mulheres, cada vez mais jovens e cada vez mais cedo, se consideram inférteis e incapazes de engravidar naturalmente, em relações sexuais com seus parceiros.
Outro tema muito interessante é que a tecnologia é amplamente usada e festejada no processo da reprodução e do nascimento, mas assim que o filho nasce volta-se imediatamente ao mito do amor materno: todos aqueles que colaboraram e às vezes até decidiram os processos relativos à reprodução e ao parto saem de cena, e o filho volta a ser dos pais e principalmente da mãe, já que é ela que tem licença maternidade de quatro ou seis meses. E então a sociedade exige que esta mãe ame incondicionalmente e de imediato seu filho e dê conta de tudo, mesmo que sejam três prematuras, como no caso que gerou a polêmica. Esta mãe não pode ter conflitos, dúvidas ou medos. Qualquer sentimento menos nobre diante de um bebê que chora sem parar ou que ela teme perder é considerado “antinatural” e ameaçaria um determinado ideal de maternidade. Da mulher se espera que seja uma supermãe – ou então correrá o risco de a sociedade transformá-la numa bruxa a ser queimada na fogueira midiática.
Por fim, vale a pena pensar no que a tecnologia deu às mulheres. É importante sublinhar que a tecnologia deu muito. Mas o reconhecimento dos benefícios deve servir também para nos estimular a problematizar as questões. Na conversa a seguir, Danielle, Helena e Verônica mostram que, de certo modo, o controle de novo está fora das mulheres – e na mão do poder hegemônico sobre o corpo na nossa época, que é o da Medicina. Perguntar sempre vale a pena. E pode nos levar a respostas intrigantes. É isso que tento fazer na conversa a seguir.
- Como surgiu a ideia de pesquisar a reprodução assistida?
Helena Albuquerque - A ideia do grupo era pesquisar o feminino na cultura e buscar respostas para uma série de perguntas. Mudou alguma coisa em relação à mulher? Os conflitos e as angústias das mulheres são os mesmos? A mulher lida melhor com a sexualidade do que já lidou numa época mais repressiva? O grupo intercalava o estudo de textos psicanalíticos sobre o feminino com as questões da cultura e da clínica. Estávamos às voltas com a questão da reprodução assistida no consultório, e o tema surgiu na discussão. Resolvemos montar, então, um pequeno grupo para estudar os efeitos da tecnologia da reprodução assistida no feminino: na mulher, no jeito de conceber de um casal, no jeito de conceber a gravidez, o parto, a criança; se estas coisas se mantinham no mesmo lugar, se mudavam de lugar. Depois de um tempo de estudo teórico, fomos fazer uma pesquisa de campo no Hospital Pérola Byington, onde há um Serviço de Reprodução Humana totalmente gratuito que atende mulheres do Brasil inteiro. O foco da nossa pesquisa era investigar como ficava a ideia da infertilidade uma vez dado o diagnóstico: como os casais processavam isso subjetivamente, o que para eles era infertilidade, o que o diagnóstico causava em suas vidas. Trabalhamos com dois grupos de casais que selecionamos na fila de espera do Serviço de Reprodução Humana.
- Por que vocês escolheram este tema e não outro?
Verônica Melo - Acho que partimos de situações que a gente vivia, ou na clínica, ou com pessoas próximas, amigos que estavam buscando a reprodução assistida.
A mulher começa a se atrapalhar com coisas que sempre foram sentidas como sendo dela, sobre as quais tinha uma maior apropriação: menstruação, gravidez, amamentação passam a ser tomadas por uma parte da Medicina e da Mídia quase como se fosse doenças, disfunções. Ou seja, ficam na fronteira da patologia. Aparecem situações como, por exemplo: se a menstruação atrapalha, uma injeção a elimina.
A Psicanálise nasce, como todo mundo sabe, a partir das mulheres histéricas. Na época de Freud, a mulher tinha como marco de valor a procriação. Era este o papel social dela. Então, vamos estudando o que foi se passando na história da cultura e que lugares a mulher foi percorrendo e foi assumindo. E aí chegamos hoje a uma mulher que pilota aviões, mas se atrapalha com a amamentação. Começamos a prestar atenção nas propagandas de laboratórios e de clínicas especializadas em reprodução assistida, chamando a mulher com um tipo de mensagem mais ou menos assim: “Você não precisa mais ter de decidir entre progredir na carreira e ter filhos. Não se incomode com isso, porque você pode congelar óvulos, você pode congelar os embriões e postergar. Você pode ter filho lá pra frente”.
Danielle Breyton - O que inclusive não é verdade, não é? É uma propaganda enganosa. Porque uma mulher, depois dos 40 anos, mesmo com reprodução assistida possivelmente vai ter dificuldades para engravidar.
- O que começa a chamar a atenção de vocês é uma espécie de ilusão de controle da mulher sobre o seu próprio corpo?
Verônica – Sim, é uma armadilha para a mulher. Como se ela tivesse o poder nas mãos dela de decidir: “Então eu posso parar a minha menstruação; então eu posso ter uma carreira brilhante e depois eu vou ser mãe”. E é uma mentira porque, na verdade, depois de tudo o que ela conquistou, vai acabar sucumbindo, de novo, a uma demanda da cultura. De certo modo, depois de tudo o que conquistou acaba virando um objeto da Medicina.
Danielle - De um lado, temos um discurso supostamente libertador, de autonomia sobre o próprio corpo. De outro, há um controle absoluto sobre os corpos e sobre o tempo.
Helena - E este é outro tema forte na nossa pesquisa. Como se dá o discurso médico, qual é a proposta da Medicina. Não é que todo médico seja assim, mas é o que prevalece. Percebemos que, desde que o parto foi transferido para a mão da Medicina, ele foi, de certa forma, patologizado. E o discurso feminista, de uma forma enviesada, acaba submetendo a mulher a um controle maior do corpo, via Medicina. Parece que antes havia mais espaços para a mulher ocupar por conta própria do que depois que a Medicina se impõe com um discurso muito hegemônico. Décadas atrás, o problema da mulher era a fertilidade e a tentativa de ter uma vida sexual sem engravidar. Isso dá uma virada muito impressionante. O filho não é mais algo que acontece um pouco imprevistamente, sem planejamento. Você decide ter um filho. Então, tem uma conta a fazer: é preciso saber se o filho cabe no orçamento. É muito comum ouvirmos: “Olha, a gente vai ter um filho só. Não vai ter o segundo filho porque não temos dinheiro”. Então, há uma contabilidade. Há a questão da carreira, do corpo, do tempo e do filho, entre outras. Há uma decisão que precisa ser ser tomada e que torna mais difícil ter um filho. Sem contar que agora seu filho tem de ser feliz. (Risos)
Danielle – E você tem de continuar com seu corpo incrível e trabalhando como você sempre trabalhou...
Helena - E seu filho tem de ter um carro, uma casa...
Verônica - Tem um custo que já é pré-avaliado do filho. Em reunião de escola, há pais falando: “Olha, com a mensalidade dava para comprar um carro por ano...”.
Helena - Com uma equação colocada desta maneira, ter um filho torna-se uma decisão difícil de ser tomada.
- Vocês acham que a mulher perdeu muito nessa mudança?
Helena - Ela ganhou muito também.
Danielle - Ganha e perde. Problematizar isso não é questionar todo o ganho que as mulheres tiveram, pelo contrário.
- Vocês mencionaram a questão do controle do corpo e do tempo. Como a questão do tempo entra na infertilidade e na reprodução assistida?
Verônica - Quando a gente entrou no tema da infertilidade, nos deparamos com trabalhos que apontavam para uma mudança. Se antes considerar que uma mulher tinha problemas de infertilidade se dava após um certo tempo de pesquisa, de estudo da própria mulher mesmo, da fisiologia dela e tal, este tempo foi sendo suprimido. Hoje, o diagnóstico é dado num tempo muito mais curto: “É infértil, vamos começar a fazer tratamento”.
- Mais ou menos quanto tempo?
Verônica - Na Europa, eram dois anos de espera. E nos Estados Unidos um ano. Aqui também, mas está diminuindo.
Danielle - Três meses...
Helena - Três meses, elas estão ansiosas, e os médicos – alguns, outros não – as encaminham para começar uma reprodução assistida, que vai virando um pouco uma questão mercadológica, né? São procedimentos caros. Em nossa pesquisa, percebemos um paralelo com a questão do parto normal e da cesariana. A cesariana salva a vida de muitas mulheres que têm complicações no parto, assim como de bebês. Mas virou uma distorção, na medida em que hoje, no Brasil, 80% dos partos são cesarianas. Da mesma forma, há um paralelo entre engravidar com relações sexuais, do jeito natural, e ter filhos via reprodução assistida. É como se um deslocamento parecido começasse a ser feito. O francês Jacques Testart (responsável pelo nascimento do primeiro bebê de proveta na França, em 1982) disse que engravidar normalmente vai virar coisa de ecologista. E aí temos vários filmes sobre esse tema, como “Gattaca – A Experiência Genética” (Andrew Niccol, 1997).
Danielle - É como se a liberdade passasse pelo controle. É uma questão do controle esse deslocamento da cesariana. Se organiza, planeja e ponto. Já há muitos casais que resolvem partir para a reprodução assistida com esse intuito: controlar, já. De uma vez só tem dois filhos e já resolve o problema.
Verônica - E para os médicos também. No parto normal, por exemplo. Uma coisa é ficar ali, com um trabalho de parto que vai levar cinco, seis, sete horas. A outra é marcar horário e resolver. Na questão da reprodução há este mesmo paralelo. Como determinar se ali existe um caso de infertilidade, de esterilidade? Quanto tempo se espera a gravidez acontecer sem intervenção? O tempo está diminuindo, mesmo para casais muito jovens. Nos chamava muito a atenção os números do ESCA (Esterilidade Sem Causa Aparente). Essas estatísticas agora estão diminuindo, porque é necessário justificar o procedimento e acabam achando uma causa. Acham a causa, às vezes, e um mês depois a mulher engravida sem intervenção nenhuma.
- É como se o médico, simbolicamente, fosse para a cama com o casal, não?
Helena – Ele passa a fazer parte da cena...
- Vocês perceberam, ao longo da pesquisa, que alguns casais que se declaravam inférteis no consultório médico nem mesmo tinham relações sexuais. Precisavam de reprodução assistida porque não transavam...
Danielle – Há, inclusive, um livro sobre isso, (“Mal-Estar na Procriação – As mulheres e A Medicina da Reprodução”), de uma psicanalista francesa, Marie-Magdeleine Chatel. Ela percebeu que, nas entrevistas médicas, o médico não perguntava sobre as relações sexuais. Então, numa das consultas, das quais participava como observadora, ela pergunta sobre a frequência com que tinham relações sexuais, e o casal responde que não tinha. Mas não ocorria aos médicos fazer essa pergunta.
Verônica – Essa é outra escuta que tem de ser incluída na entrevista médica. Porque não existe um olhar para algo que possa também ser coadjuvante nessa infertilidade.
Helena - É como se não interessasse, não precisasse. A relação sexual fosse supérflua.
Verônica - Tanto é que os folhetinhos que a gente ia arrecadando nas clínicas de fertilização falavam para a mulher o seguinte: “Se distraia, não pense no assunto, vá ao shopping...”. (Risos)
- Vocês perceberam que, assim como as mulheres estão se sentindo incapazes de assumir seu próprio parto, de dar à luz naturalmente, elas também começam a se sentir incapazes de engravidar sem a ajuda do médico e da Medicina?
Helena – E isso é também efeito de um discurso que está na cultura. As razões são muitas. Acho que há o medo da responsabilidade, na medida em que vira uma decisão de tantas consequências econômicas e corporais. E há um certo distanciamento do próprio corpo, dos processos que acontecem no corpo e que assustam. Muitas mulheres empresárias, executivas não menstruam mais, por exemplo.
- O que vocês estão dizendo é que supostamente as mulheres teriam hoje um maior controle sobre o próprio corpo. Mas, de certo modo, as decisões estão sendo delegadas à Medicina?
Danielle - Exatamente.
Verônica - É interessante pensar que lá atrás havia uma leitura nas Ciências Sociais de que a mulher sofria mais repressão na cultura porque, por causa desses processos fisiológicos, a mulher tinha um pé mais dentro da natureza. A hipótese era de que, por isso ser ameaçador, então o homem/a cultura exercia um controle maior sobre a vida dela. Se a gente atualizar essa ideia, hoje, ao tentar reassumir o controle sobre o corpo, a mulher está sendo novamente controlada. Acho que é isso que a gente foi observando.
- Outra questão que vocês levantam na pesquisa é que, para ser mãe, é preciso deixar de ser filha. E parece que esta tem sido uma passagem difícil para muitas mulheres...
Verônica - Dentro dessa cultura que valoriza muito a imagem, essa coisa de não poder envelhecer, de não haver diferenças entre gerações, encontramos também isso. Para ser mãe, você tem que deixar de ser filha, você tem que deixar agora o seu filho acontecer. Então, passar para este lugar, o de deixar de ser filha para ser mãe, exige uma operação subjetiva muito grande. É muito difícil.
Helena – Justamente. E aí entra a questão de como se lida com as perdas atualmente. Os lutos e as perdas. Está mais difícil fazer luto hoje. E virar mãe implica em um luto. O luto da filha, o luto de uma posição. Isso também estaria dificultado, na cultura atual, onde não se pode perder nada.
Verônica – E nada pode deixar marcas. Nem marca da velhice, nem marca da gravidez. Então você pega os famosos, que são formadores de opinião/imagem: mulheres que têm filhos e já aparecem na sequência com um corpo sem marca nenhuma de uma gravidez. Nessa cultura, nada pode fazer marca, nada pode fazer ruga.
- E como entra esta questão, que também é muito presente na nossa cultura, de que não há limites, de que se pode tudo?
Verônica – Percebemos isso... Se eu tenho vontade, eu posso. Que vai até para a coisa da educação da criança, da falta de limites, de eu não poder lidar com o meu desejo. O meu desejo impera, é imperativo. Então, eu QUERO ter um filho, e a qualquer custo eu vou ter esse filho. Agora, esse filho, às vezes, muitas vezes até, não está no lugar de filho mesmo. Ele está mais como objeto de satisfação narcísica para esse casal, para essa mulher. A gente continua achando que existe uma tendência para isso: para não poder lidar com a perda, com a frustração, com o limite que às vezes o próprio corpo impõe. Só que a coisa se complica bastante porque às vezes, muitas vezes, essa limitação que o corpo mostra é um sintoma. É um sintoma dessas próprias dificuldades, da própria falta de condições de exercer a maternidade. A certa altura, propusemos, em nossa pesquisa, uma divisão entre vontade e desejo. Quando a mulher chega para o médico e fala “eu quero ter um filho”, seria importante se ele pudesse sugerir questões para essa mulher, levando-a a diferenciar entre vontade e desejo. Eu posso querer ter um filho, e te digo que quero, mas desejo mesmo? Inconscientemente talvez o desejo desta mulher não seja este. Se você percebe isso, você consegue trabalhar com essa pessoa, ajudando-a a desfazer esse conflito que está lá dentro, o de querer e não querer, e poder falar que quer e não quer. Porque fala muito que quer, mas onde há espaço para aparecer a parte que não quer? E o “não quer” também não é absoluto, né? Porque tem um lado que quer também.
Danielle - É importante deixar claro que a questão não é com a técnica, ou com quem procura essa tecnologia. A questão é cultural. Diz respeito ao lugar que tem um filho hoje, ao lugar dos corpos, ao lugar do controle. A gente não está discutindo os casos de reprodução assistida, mas o que isso nos faz ver sobre os tempos em que vivemos.
Verônica – Quando a mulher chega ao consultório, a dor daquela mulher que quer ter um filho é verdadeira. Achamos que ela pode ter um filho, mas achamos também que é preciso tomar cuidado. Aquela mulher vive a deficiência como sendo dela, quando a gente acha que essa infertilidade diz respeito à forma como está sendo processada toda essa questão na cultura: da mulher, do lugar de mãe, do lugar da maternidade. Não se trata de ser contra a reprodução assistida, mas de questionar como estamos lidando com a tecnologia. E o que essa forma de lidar diz da nossa época.
- Uma das questões da reprodução assistida trazida por vocês é a de que, já que você pagou tão caro e se submeteu a tantos procedimentos para engravidar, então está provado que você deseja este filho e é certo que você vai amá-lo. A realidade tem mostrado que as relações humanas são mais complicadas que isso...
Helena - Eu acho que uma coisa muito complicada em relação a isso é a questão da ambivalência. Porque toda grávida, toda mãe, é ambivalente em relação aos filhos. Quer, não quer; ama e odeia... Uma vez feita a reprodução assistida, o filho tem de ser amado. É como se a ambivalência pudesse ser eliminada da cena.
Danielle - É como se o fato de ter procurado a reprodução assistida eliminasse, automaticamente, qualquer ambivalência. Isso é uma loucura completa.
Helena - E isso penaliza as mães, porque, afinal, fizeram tanto esforço... Ou seja, a mulher usou essa tecnologia que custa tão caro, que no SUS não estão pagando, e depois fica em conflito com a gravidez, com a maternidade? Como assim? Parte-se da ideia de que a tecnologia pode tornar o processo da maternidade asséptico e sem conflitos. Só que, na realidade, não é assim que acontece. O conflito não some, a ambivalência não some porque usou tecnologia para engravidar.
- Pegando este gancho, me deparo hoje com um certo desamparo dos pais. Porque, para se tornar pai e mãe é preciso abrir um espaço interno. Não é só transformar uma parte da casa em quarto do bebê e chamar uma decoradora. Mas parece que esse processo de abrir um espaço interno e se preparar internamente para receber o filho não é vivido por muitos pais ao longo da gestação. E então, de repente, estão com um filho nos braços, mas sem espaço interno, porque os conflitos não foram vividos no seu tempo – e nem mesmo se admite que os conflitos existam. Então, esses pais ficam muito angustiados, às vezes desesperados... Faz sentido para vocês o que estou dizendo?
Helena - Achamos que não ter espaço interno tem a ver com a efetividade atual. Por que a efetividade hoje em dia prevalece sobre a afetividade. Deu uma virada nisso. Por falta de espaço interno.
Verônica – Temos uma situação ocorrida no grupo que pode traduzir isso. O que a gente vai vendo com essas mulheres é que assumem muito cedo a questão da infertilidade. Elas assumem o discurso da infertilidade de uma forma intensa. E num desamparo muito grande. Tivemos um momento no grupo em que, depois de falar sobre a Medicina e a técnica, lá pelas tantas uma delas começou a lembrar que a mãe fazia um caldo de galinha, elas começaram a lembrar do resguardo, e que no tempo de suas avós ou mães não se podia lavar o cabelo durante a menstruação. E aí começa um movimento no grupo que foi muito interessante, o de resgatar algo do simbólico mesmo, algo de um corpo olhado pelo outro. Disso que a gente estava falando: de as mulheres trocarem informações sobre o que está acontecendo com o próprio corpo.
- De um saber que não é médico....
Helena – Sim, de um saber que era herdado das mães. Porque hoje você não pergunta mais para a mãe, para a avó: “Como é que faz isso?”. Antes, o pedido de como se faz isso ou aquilo era para as mulheres da família. Hoje, elas ligam para o pediatra. Acho que é importante pensar o quanto o processo de reprodução assistida, e todas essas questões, repercutem na forma como os pais se apropriam dos filhos.
- Eu escuto muito a seguinte frase dita por mulheres as mais diversas: “Acho que não vou conseguir engravidar...”. Assim, do nada. Ao longo da pesquisa, vocês chegaram a perceber se as mulheres já se consideravam inférteis antes dos exames e do diagnóstico? Se o médico apenas confirmava uma infertilidade em que elas já acreditavam mesmo antes de procurá-lo?
Danielle – Eu me lembro de exemplos do consultório. Acho que atualmente a questão da infertilidade está muito presente. As mulheres, realmente, de 25, 27, 28 anos, se perguntam se vão conseguir engravidar, se vão ter dificuldade... Faz parte, já, do discurso. E este discurso costuma ser confirmado muito facilmente. Bastam seis meses de tentativa e já partem para a tecnologia.
Helena - A forma como a idéia da reprodução aparece na mídia já traz embutida a ideia de que as mulheres são inférteis, que precisam de uma assistência para engravidar.
- Vocês acham que toda essa questão também se dá, em parte, por uma relação de consumo? Porque há um momento em que a maior parte dos casais se sente obrigada a ter um filho. Não parece só ser uma questão de desejo, para alguns, mas também de imagem. Aí tem o filho. Só que ter um filho não é como ter um carro. Não dá pra vender e comprar outro – ou devolver se não está satisfeito com o desempenho. Nem dá para escolher o modelo, o sexo ou a cor dos olhos. Há algo da ordem do incontrolável de ter um filho que parece estar surpreendendo alguns pais...
Danielle - Tive uma paciente que fez um lapso a respeito do filho. Ela o chamou de carro. E o trabalho foi entender que, naquele momento, o que ela queria era um carro – e não um filho. Um carro em que ela escolhia a cor, o tamanho, o preço... Naquele momento da análise, para ela, soltou alguma coisa. Ela investiu no carro, ela e o marido compraram um carro incrível. Porque o projeto era esse mesmo. Muito mais tarde, ela começou a se preparar para ter um filho, e daí toda a história já era outra: os sonhos, como fazer ninho etc. Porque daí a história passa por como é que você vai lidar com a situação da ordem do não-controle mesmo. Era importante distinguir estas duas coisas e ficar tranquila. No momento em que o projeto é carro, o projeto é carro. Mas carro e filho não vão coincidir, não são a mesma coisa. Não dá para comprar um filho. E aí você protege a mãe e protege o filho.
Verônica - Lembrei de uma psicanalista que fala dos efeitos da tecnologia sobre a subjetividade humana. Acho que isso também é uma das coisas que assusta no fato de ter filhos, isso de que supostamente a felicidade do filho teria de ser garantida pelo oferecimento de TUDO pelos pais. O filho tem de ser feliz e você tem de dar todas as respostas para ele, tem de supostamente atender todas as necessidades dele. Essa psicanalista fala que um dos efeitos da tecnologia, por exemplo, se dá sobre a experiência do tempo de espera. Antigamente, você ligava a televisão e esperava a válvula esquentar, a imagem demorava a aparecer. Depois, você passa a apertar o botão e a imagem imediatamente aparece. E ela começa a notar no consultório que antes os filhos chamavam a mãe puxando a saia, puxando a roupa. (Verônica mostra o movimento de puxar.) E que depois passou a ser apertando assim... (Ela simula o toque em um controle remoto). É uma imagem de como a resposta tem de ser imediata. Se aperta, tem de responder. Então, eu acho que tem isso, essa coisa do controle, de que eu posso programar ter um filho, faço as contas de quanto vai custar. E também parece que é necessário se antecipar a tudo. Não é algo que está dado, e vamos ver o que acontece. É como se você não contasse com a experiência vivida. Que a experiência, no processo de construção desta maternidade e desta paternidade, fosse abrindo caminhos e trazendo elementos para você construir uma resposta para a situação. Essa questão do tempo é fundamental. E ela aparece em todas as etapas do processo.
- Por que vocês se indignaram com o tratamento dado aos pais que manifestaram a intenção de entregar para adoção uma das trigêmeas?
Helena - A gente foi lendo na imprensa e se dando conta de que havia um linchamento moral daquele casal. Uma mulher de 28 anos teve três meninas. Desde o início o casal se angustiou e anunciou que queria dar uma das meninas para adoção. E, quando nasceram as três, eles reafirmaram esse desejo. Não dá para ter certeza, porque as informações dadas pela imprensa são desencontradas, mas é possível que tenham escolhido dar para adoção a mais frágil das três. E aí o hospital denuncia para o Conselho Tutelar que esses pais estão rejeitando uma das crianças e a medida da Justiça é separá-las dos pais. Mandaram as trigêmeas para um abrigo. E os pais só poderiam vê-las durante duas horas por semana. Achamos que toda essa história tem que ser contextualizada para que a responsabilidade não recaia apenas sobre o casal. Há outros atores e fatores em cena.
- Vocês acham que os pais foram abandonados?
Danielle - Foram.
Verônica - Mas acho que eles não foram abandonados neste momento. Porque não deveria ser assim: eu tenho três filhos e escolho um. Você já sabe disso antes, e o que vai fazer. Porque aí vem de novo essa coisa da vontade. Do controle. Dessa coisa de que eu posso tudo. Então, se eu engravidei de três eu posso querer só dois. Como é que você se implica naquilo que acontece na sua vida? Eu me desfaço disso? É que nem novela? Mata, porque aquele personagem está demais? Descarto? O que nos chama a atenção é o que a gente vinha falando: como uma questão que é montada culturalmente – faz parte do discurso da cultura – é jogada, e esse casal passa a ser o único representante da falha. Quando é muito claro que a falha está em todo o processo. A questão não passa por tirar a responsabilidade do casal, mas a falha começou muito antes e estamos todos implicados nela. Qual é o discurso da Medicina, amplamente divulgado pela mídia? Implanta, escolhe, descarta, reduz...
- Aí, de repente, fica todo mundo surpreendido, não é? Somos todos inocentes... Nunca ninguém tinha falado nisso...
Helena – Nos cabe perguntar sobre a responsabilidade pela implantação de três embriões no útero de uma jovem de 28 anos. De que forma essa decisão foi tomada? A decisão cabe ao casal ou à equipe médica responsável pelo procedimento da reprodução assistida? Os casais são suficientemente esclarecidos sobre todo o processo da fertilização in vitro e sobre o destino dado aos embriões que não forem utilizados? É certo que o procedimento de implantação de embriões numa mulher jovem tem mais chances de dar certo, de os embriões se fixarem e seguirem se desenvolvendo, do que numa mulher de mais idade.
Vale a pena lembrar também da existência da técnica de redução embrionária, muito discutida no âmbito da medicina reprodutiva e praticada, embora proibida, no Brasil. Trata-se da técnica que permite a eliminação de um ou mais embriões, ainda em fase celular, em pacientes que geraram mais de um. Também chamada de técnica de “descarte de embriões”, é defendida por uma parte dos médicos como sendo necessária em mulheres com gravidez de risco por se tratar de uma gestação múltipla.
É evidente que o dilema vivido pelo casal não é um dilema que só lhes diz respeito, pois é explicitamente trazido à cena e posto em prática pela Medicina, cujas tecnologias de reprodução assistida estão à disposição no mercado. Este casal está, então, inserido em uma cultura em que a opção de “descartar um dos fetos” está colocada.
Já vimos reportagens, antes deste caso, contra as quais ninguém se manifestou ou se indignou. O título de uma delas, manchete de uma revista, era o seguinte: “A escolha mais difícil. O aumento no numero de gestações múltiplas coloca o dilema: abortar ou não alguns dos fetos?”. Quer dizer, está na manchete de uma revista, mas, na hora em que isso se encarna em alguém, que eu posso escolher, que eu posso descartar, porque está na Mídia, está na Medicina... há toda essa reação. E, paradoxalmente, na hora em que a Justiça determina a separação entre as crianças e os pais, como uma medida supostamente protetora, a amamentação é interrompida e impõe-se o abandono das crianças.
Danielle – Fala-se, por exemplo, da gravidez de risco. Mas há outra questão, que é o risco subjetivo, que fica completamente anulada. A gravidez é de risco não apenas porque são três bebês. Mas também porque lidar com três crianças que nascem, em geral, superprematuras, em situações de uma fragilidade extrema e absoluta, é um risco gigantesco. Porque é complicado fazer laço com três filhos ao mesmo tempo; é complicado fazer laço com três bebês que nascem frágeis, perigando morrer, perigando ter mil sequelas. Todas essas questões ficam muito negligenciadas no processo da reprodução assistida.
Verônica – Assim como fica negligenciada a figura do médico, que surge numa fala totalmente impávida neste caso. Ele disse: “Nunca vi um caso desses acontecer antes, de uma mãe rejeitar o filho”.
Helena – Ele foi o médico da mulher, foi ele quem implantou os embriões. Ela era paciente dele, e em vez de defendê-la e dizer “Eu conheço esta pessoa...”, ele se desimplica de um jeito muito irresponsável.
- Por que vocês acham que este casal sofreu um linchamento moral?
Helena - No cenário da reprodução assistida se intensifica de novo a questão do mito do amor materno. É isso o que, afinal, o médico enfatiza no discurso dele: “Eu nunca vi pais que, depois de quererem engravidar, rejeitam um filho...” Parece que, no mundo da reprodução assistida, não pode existir dor, perda, luto, conflito, ambivalência. Fica uma coisa chapada, onde só cabe sucesso, sentimentos positivos, potência, amor. Há um nível de negação muito intenso neste mundo. Há uma negação intensa de todo o lado do sombrio, digamos assim. E a positivação e a intensificação muito hipócrita, inclusive, de que não há conflito, não há ambivalência.
Danielle - Neste mundo obviamente todos querem ter um filho, obviamente todos querem ter muitos filhos e obviamente todos vão amá-los. De repente, há um encontro com o avesso disso. Então, é o seguinte: eu não tenho nada a ver com isso. Isso é ela – não eu. Jogam o conflito para cima do mais frágil.
Helena – Quando surge algo assim, como neste caso das trigêmeas, vira um escândalo. O médico diz: “Bom, nunca vi isso”. É hipócrita, é cruel, é uma negação. Há uma coisa muito negadora, em vários campos, como o menino lá do Realengo que matou todo mundo. A sociedade, a escola, não tem nada a ver com isso. Ele é um monstro que fez isso. Então, acho que há um certo parentesco de colocar a monstruosidade no indivíduo e, assim, a sociedade pode negar ter qualquer relação com essa violência, ambivalência, rejeição. O problema está no indivíduo. Há várias situações em que todo mundo se exime da responsabilidade. Nós não somos violentos – o violento é o outro. Não só violento, como um monstro. Como neste caso das trigêmeas. Ninguém diz: “Não cuidamos direito desta menina, que engravidou de três bebês”. É melhor negar e simplificar. Agora, você imagina o estrago que foi feito nesse começo de família, nestes pais e nestas filhas...
- Ao analisar o caso das trigêmeas, vocês afirmam o seguinte: “Tomemos, que o filho é nosso!”. O que significa isso?
Helena - Acho que “o filho é nosso” neste sentido, de que a gente precisa se comprometer com aquilo que está em jogo.
Danielle - E que a gente, como cultura, está veiculando e fazendo aparecer. Então acho que a ideia do “nosso” é: precisamos nos implicar e nos responsabilizar por aquilo que estamos fazendo acontecer.
Verônica – O que este casal está explicitando da nossa cultura? Por que causaram tanta indignação? São questões que precisamos nos colocar. Há uma banalização do processo todo, doação e descarte de óvulos, há uma banalização do que é ter três filhos ao mesmo tempo. Pensar sobre isso é responsabilidade de todo mundo. Esta, afinal, é uma produção da nossa cultura. Neste sentido é que “o filho é nosso”. É preciso também olhar para a idealização desse controle. Porque, de fato, não existe controle nesse nível. Implantam-se cinco embriões para tentar que dois deem certo. Então, os médicos jogam com isso. Só que o problema de jogar com isso é que no final da linha há um bebê. Ele está ali. E, agora, faz o que com ele?
Helena - Estamos todos implicados. Mas, em vez de problematizar, acusamos. E nos retiramos da cena. A ideia do “Tomemos, que o filho é nosso!” é reconhecer que estamos todos dentro da cena. O casal também tem de se responsabilizar. O problema foi responsabilizar a eles, exclusivamente, deixando-os sós. Eu acho que o “Tomemos que o filho é nosso!” é assim: este é um fruto da nossa cultura. É filho da cultura, não só deste casal.
- O que eu acho muito curioso é que existe essa tecnologia toda, nada precisa ser natural, nem o parto nem a reprodução, que pode ser feita num tubo de ensaio e não na cama, e no fim disso tudo a sociedade abre uns olhos espantados e exige a sacralidade do amor materno. “Como assim, essa mãe não acha maravilhosos ter três bebês ao mesmo tempo? Ah, nunca se viu uma coisa dessas...” Voltamos ao mito, como vocês disseram.
Helena - Eu acho que a mãe volta ao lugar idealizado via tecnologia. Ela foi destituída desse lugar tão idealizado, e ela volta a ser restituída a esse lugar com a tecnologia da reprodução assistida. O que volta com a reprodução assistida é justamente o mito do amor materno.
- Como assim?
Helena - Desse jeito. Se ser mãe passa a não ser mais tão valorizado – ser executiva talvez tenha mais valor, ou ser uma grande esportista, ou ter dinheiro, ou ter um carro bacana... As tecnologias de reprodução assistida possibilitam que as mulheres voltem a ser mães. Essa mãe que eles fabricam, que eles possibilitam/produzem, tem de ser uma mãe com letra maiúscula: uma mãe sem conflito com a maternidade, que nunca vai rejeitar o filho. De certo modo, a tecnologia possibilita a volta de “A Mãe”. E esta mãe não tem sombra, não tem marca. É a mãe com o letreiro e as luzes piscando. Ela retorna, e tem de refazer o mito do amor materno, porque também isso justifica a existência das tecnologias, da pesquisa, das ampliações dessas fronteiras tecnológicas. Então, é como o médico das trigêmeas falou: “Nossa, toda essa tecnologia, todo esse empenho, e eu nunca vi uma mãe depois de tudo isso não querer um filho”.
- O médico parece ter se sentido traído, né?
Verônica - Nesta pesquisa, a gente participou de algumas reuniões dos médicos do setor de reprodução. Em uma das discussões, eles debatiam a taxa de fertilidade. Um dos participantes disse: “Bom, a inseminação artificial bovina é perfeita, ela tem resultados ótimos, porque você usa o melhor reprodutor com aquela que tem mais condições de reproduzir. Nossos pacientes aqui são os piores reprodutores. As matrizes que a gente tem são falhas”. O que pensamos é que essa idéia remete ao biológico, ao corpo como uma máquina de procriação.
Helena – A gente fala muito que a Medicina retira o sujeito de cena, né? Acho que tem um pouco a ver com isso. O sujeito é aquele que é dividido, que tem conflitos. Sem conflitos não há sujeito.
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI251605-15230,00.html
O caso das trigêmeas e o lugar da maternidade em nosso tempo
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
No início deste ano, imprensa e público se chocaram com o caso de um casal paranaense que teve trigêmeas, depois de se submeter a técnicas de reprodução assistida, e quis dar uma delas para adoção. As meninas nasceram em janeiro de um parto prematuro e ficaram por quase um mês na UTI neonatal de uma maternidade de Curitiba. Os pais já haviam manifestado a intenção de entregar um dos bebês para ser adotado antes do nascimento. Mas, “denunciados” pelos funcionários do hospital ao Conselho Tutelar por “rejeitar” uma das filhas, supostamente a mais frágil, perderam a guarda das três. Em fevereiro, as meninas foram colocadas em um abrigo por intervenção judicial. Os bebês ficaram afastados dos pais por dois meses e meio, com visitas restritas a duas horas semanais. Em maio, a Justiça deu a guarda temporária a parentes e permitiu que os pais pudessem visitá-las diariamente. Desde o início, os pais declararam-se arrependidos de terem desejado dar uma das crianças para adoção e tentaram reaver a guarda das três filhas. O médico que acompanhou o casal em todo o processo da reprodução assistida, disse à imprensa: “Eu nunca vi um casal rejeitar os filhos após um tratamento para engravidar. Muito menos rejeitar um ou rejeitar dois. Isso realmente é uma novidade”.
Quando o caso tornou-se público, o casal virou uma espécie de monstro. A ideia, disseminada no senso comum, era: como pais, que desejaram tanto ter filhos, a ponto de se submeter a um procedimento caro e nem sempre bem sucedido, tiveram a coragem de “abandonar” a mais frágil das crianças? Danielle Breyton, Helena Albuquerque e Verônica Melo estavam entre as poucas vozes dissonantes. Psicanalistas do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, elas pesquisam as questões da reprodução assistida desde 1997, no grupo denominado “O feminino no imaginário cultural contemporâneo”.
Impressionadas com o linchamento dos pais pela sociedade, elas escreveram um texto para a imprensa intitulado “Responsabilidades no caso das trigêmeas”. Tiveram dificuldade para encontrar espaço para publicá-lo, apesar da qualidade do trabalho e da experiência de 14 anos de estudos da questão da reprodução assistida. Vale a pena pensar se a falta de espaço pode significar uma resistência a escutar algo que adicione maior complexidade ao debate e algo que nos implique a todos – em vez de apenas demonizar os pais.
No texto, que tive a oportunidade de ler, as psicanalistas fazem algumas perguntas incômodas: “De quem é a responsabilidade pela implantação de três ou quatro embriões no útero de uma jovem de 28 anos? A quem cabe a decisão que implica tamanhos riscos? Ao casal? À equipe médica? Ao Estado?”. Desde o início deste ano, uma norma do Conselho Federal de Medicina determina que, no caso de mulheres com até 35 anos, devem ser implantados no máximo dois embriões, já que uma gravidez múltipla traz riscos para a mãe e para os bebês, sem contar as demais sequelas físicas e psíquicas. Entre os 36 e os 39 anos recomenda-se implantar três embriões. E apenas mulheres com mais de 40 anos podem ter quatro embriões implantados.
As psicanalistas apontam que, no caso das trigêmeas, os pais incorporaram algo que faz parte do discurso hegemônico, plenamente assimilado pela sociedade e amplamente divulgado pela mídia em centenas de reportagens. Neste discurso, os termos “escolha, doação, descarte e redução” são corriqueiros na área da reprodução assistida. No texto, elas criticam a desimplicação de todos no caso, a começar pelo médico, e afirmam que as trigêmeas não são apenas filhas de seus pais – mas de uma cultura. Neste sentido, são filhas de todos nós.
Quando o caso tornou-se público, chamou a atenção a incapacidade da maioria das pessoas que se manifestaram de parar para pensar, ainda que por um instante: “Como deve se sentir uma mulher de 28 anos com três bebês prematuros ao mesmo tempo?”. Quem tem apenas um, saudável e nascido de nove meses, sabe que não é fácil, especialmente nos primeiros tempos. É possível para qualquer um imaginar como pode ser difícil e assustador cuidar de três prematuros. Reconhecer a dor do outro não significa tirar-lhe a responsabilidade, apenas admitir que é preciso ter mais cuidado antes de julgar. Por que a condenação dos pais pela sociedade foi imediata e massiva é algo que vale a pena pensar. E talvez as imagens estampadas em jornais e revistas, assim como nas telas da TV, de casais sorridentes com sua ninhada de filhos nascidos na mesma gestação, que todos nós já vimos alguma vez, possam ser uma pequena parte da explicação.
O caso provoca ainda uma série de questões. Que Justiça é esta que prefere colocar três recém-nascidas em um abrigo em vez de deixá-las com os pais, que se dizem arrependidos e dispostos a criar as três filhas? Por que, como disse a advogada do casal, não ajudá-los a lidar com as dificuldades em vez de puni-los? E que sociedade é esta que se apressa a linchar o casal, preferindo transformar os pais em monstros e assim se afastar por completo do que a horroriza, em vez de pensar se não tem nada a ver com isso? O debate vale a pena não para que possamos encontrar outro culpado, mas para compreender o que tudo isso diz da época em que vivemos.
Convidei Danielle, Helena e Verônica para uma conversa nesta coluna. Não apenas sobre o caso das trigêmeas, mas sobre a reprodução assistida e o lugar da maternidade no nosso tempo. Na entrevista a seguir, destaco três temas que considero mais instigantes. O primeiro é a percepção de um paralelo entre parto natural e cesárea/reprodução natural e reprodução assistida. As psicanalistas perceberam, ao acompanhar grupos de pais à espera do procedimento, que, se o parto natural tornou-se exceção no Brasil, com prevalência da cesariana na maioria dos nascimentos, o mesmo começa a acontecer com a reprodução: um número crescente de mulheres, cada vez mais jovens e cada vez mais cedo, se consideram inférteis e incapazes de engravidar naturalmente, em relações sexuais com seus parceiros.
Outro tema muito interessante é que a tecnologia é amplamente usada e festejada no processo da reprodução e do nascimento, mas assim que o filho nasce volta-se imediatamente ao mito do amor materno: todos aqueles que colaboraram e às vezes até decidiram os processos relativos à reprodução e ao parto saem de cena, e o filho volta a ser dos pais e principalmente da mãe, já que é ela que tem licença maternidade de quatro ou seis meses. E então a sociedade exige que esta mãe ame incondicionalmente e de imediato seu filho e dê conta de tudo, mesmo que sejam três prematuras, como no caso que gerou a polêmica. Esta mãe não pode ter conflitos, dúvidas ou medos. Qualquer sentimento menos nobre diante de um bebê que chora sem parar ou que ela teme perder é considerado “antinatural” e ameaçaria um determinado ideal de maternidade. Da mulher se espera que seja uma supermãe – ou então correrá o risco de a sociedade transformá-la numa bruxa a ser queimada na fogueira midiática.
Por fim, vale a pena pensar no que a tecnologia deu às mulheres. É importante sublinhar que a tecnologia deu muito. Mas o reconhecimento dos benefícios deve servir também para nos estimular a problematizar as questões. Na conversa a seguir, Danielle, Helena e Verônica mostram que, de certo modo, o controle de novo está fora das mulheres – e na mão do poder hegemônico sobre o corpo na nossa época, que é o da Medicina. Perguntar sempre vale a pena. E pode nos levar a respostas intrigantes. É isso que tento fazer na conversa a seguir.
- Como surgiu a ideia de pesquisar a reprodução assistida?
Helena Albuquerque - A ideia do grupo era pesquisar o feminino na cultura e buscar respostas para uma série de perguntas. Mudou alguma coisa em relação à mulher? Os conflitos e as angústias das mulheres são os mesmos? A mulher lida melhor com a sexualidade do que já lidou numa época mais repressiva? O grupo intercalava o estudo de textos psicanalíticos sobre o feminino com as questões da cultura e da clínica. Estávamos às voltas com a questão da reprodução assistida no consultório, e o tema surgiu na discussão. Resolvemos montar, então, um pequeno grupo para estudar os efeitos da tecnologia da reprodução assistida no feminino: na mulher, no jeito de conceber de um casal, no jeito de conceber a gravidez, o parto, a criança; se estas coisas se mantinham no mesmo lugar, se mudavam de lugar. Depois de um tempo de estudo teórico, fomos fazer uma pesquisa de campo no Hospital Pérola Byington, onde há um Serviço de Reprodução Humana totalmente gratuito que atende mulheres do Brasil inteiro. O foco da nossa pesquisa era investigar como ficava a ideia da infertilidade uma vez dado o diagnóstico: como os casais processavam isso subjetivamente, o que para eles era infertilidade, o que o diagnóstico causava em suas vidas. Trabalhamos com dois grupos de casais que selecionamos na fila de espera do Serviço de Reprodução Humana.
- Por que vocês escolheram este tema e não outro?
Verônica Melo - Acho que partimos de situações que a gente vivia, ou na clínica, ou com pessoas próximas, amigos que estavam buscando a reprodução assistida.
A mulher começa a se atrapalhar com coisas que sempre foram sentidas como sendo dela, sobre as quais tinha uma maior apropriação: menstruação, gravidez, amamentação passam a ser tomadas por uma parte da Medicina e da Mídia quase como se fosse doenças, disfunções. Ou seja, ficam na fronteira da patologia. Aparecem situações como, por exemplo: se a menstruação atrapalha, uma injeção a elimina.
A Psicanálise nasce, como todo mundo sabe, a partir das mulheres histéricas. Na época de Freud, a mulher tinha como marco de valor a procriação. Era este o papel social dela. Então, vamos estudando o que foi se passando na história da cultura e que lugares a mulher foi percorrendo e foi assumindo. E aí chegamos hoje a uma mulher que pilota aviões, mas se atrapalha com a amamentação. Começamos a prestar atenção nas propagandas de laboratórios e de clínicas especializadas em reprodução assistida, chamando a mulher com um tipo de mensagem mais ou menos assim: “Você não precisa mais ter de decidir entre progredir na carreira e ter filhos. Não se incomode com isso, porque você pode congelar óvulos, você pode congelar os embriões e postergar. Você pode ter filho lá pra frente”.
Danielle Breyton - O que inclusive não é verdade, não é? É uma propaganda enganosa. Porque uma mulher, depois dos 40 anos, mesmo com reprodução assistida possivelmente vai ter dificuldades para engravidar.
- O que começa a chamar a atenção de vocês é uma espécie de ilusão de controle da mulher sobre o seu próprio corpo?
Verônica – Sim, é uma armadilha para a mulher. Como se ela tivesse o poder nas mãos dela de decidir: “Então eu posso parar a minha menstruação; então eu posso ter uma carreira brilhante e depois eu vou ser mãe”. E é uma mentira porque, na verdade, depois de tudo o que ela conquistou, vai acabar sucumbindo, de novo, a uma demanda da cultura. De certo modo, depois de tudo o que conquistou acaba virando um objeto da Medicina.
Danielle - De um lado, temos um discurso supostamente libertador, de autonomia sobre o próprio corpo. De outro, há um controle absoluto sobre os corpos e sobre o tempo.
Helena - E este é outro tema forte na nossa pesquisa. Como se dá o discurso médico, qual é a proposta da Medicina. Não é que todo médico seja assim, mas é o que prevalece. Percebemos que, desde que o parto foi transferido para a mão da Medicina, ele foi, de certa forma, patologizado. E o discurso feminista, de uma forma enviesada, acaba submetendo a mulher a um controle maior do corpo, via Medicina. Parece que antes havia mais espaços para a mulher ocupar por conta própria do que depois que a Medicina se impõe com um discurso muito hegemônico. Décadas atrás, o problema da mulher era a fertilidade e a tentativa de ter uma vida sexual sem engravidar. Isso dá uma virada muito impressionante. O filho não é mais algo que acontece um pouco imprevistamente, sem planejamento. Você decide ter um filho. Então, tem uma conta a fazer: é preciso saber se o filho cabe no orçamento. É muito comum ouvirmos: “Olha, a gente vai ter um filho só. Não vai ter o segundo filho porque não temos dinheiro”. Então, há uma contabilidade. Há a questão da carreira, do corpo, do tempo e do filho, entre outras. Há uma decisão que precisa ser ser tomada e que torna mais difícil ter um filho. Sem contar que agora seu filho tem de ser feliz. (Risos)
Danielle – E você tem de continuar com seu corpo incrível e trabalhando como você sempre trabalhou...
Helena - E seu filho tem de ter um carro, uma casa...
Verônica - Tem um custo que já é pré-avaliado do filho. Em reunião de escola, há pais falando: “Olha, com a mensalidade dava para comprar um carro por ano...”.
Helena - Com uma equação colocada desta maneira, ter um filho torna-se uma decisão difícil de ser tomada.
- Vocês acham que a mulher perdeu muito nessa mudança?
Helena - Ela ganhou muito também.
Danielle - Ganha e perde. Problematizar isso não é questionar todo o ganho que as mulheres tiveram, pelo contrário.
- Vocês mencionaram a questão do controle do corpo e do tempo. Como a questão do tempo entra na infertilidade e na reprodução assistida?
Verônica - Quando a gente entrou no tema da infertilidade, nos deparamos com trabalhos que apontavam para uma mudança. Se antes considerar que uma mulher tinha problemas de infertilidade se dava após um certo tempo de pesquisa, de estudo da própria mulher mesmo, da fisiologia dela e tal, este tempo foi sendo suprimido. Hoje, o diagnóstico é dado num tempo muito mais curto: “É infértil, vamos começar a fazer tratamento”.
- Mais ou menos quanto tempo?
Verônica - Na Europa, eram dois anos de espera. E nos Estados Unidos um ano. Aqui também, mas está diminuindo.
Danielle - Três meses...
Helena - Três meses, elas estão ansiosas, e os médicos – alguns, outros não – as encaminham para começar uma reprodução assistida, que vai virando um pouco uma questão mercadológica, né? São procedimentos caros. Em nossa pesquisa, percebemos um paralelo com a questão do parto normal e da cesariana. A cesariana salva a vida de muitas mulheres que têm complicações no parto, assim como de bebês. Mas virou uma distorção, na medida em que hoje, no Brasil, 80% dos partos são cesarianas. Da mesma forma, há um paralelo entre engravidar com relações sexuais, do jeito natural, e ter filhos via reprodução assistida. É como se um deslocamento parecido começasse a ser feito. O francês Jacques Testart (responsável pelo nascimento do primeiro bebê de proveta na França, em 1982) disse que engravidar normalmente vai virar coisa de ecologista. E aí temos vários filmes sobre esse tema, como “Gattaca – A Experiência Genética” (Andrew Niccol, 1997).
Danielle - É como se a liberdade passasse pelo controle. É uma questão do controle esse deslocamento da cesariana. Se organiza, planeja e ponto. Já há muitos casais que resolvem partir para a reprodução assistida com esse intuito: controlar, já. De uma vez só tem dois filhos e já resolve o problema.
Verônica - E para os médicos também. No parto normal, por exemplo. Uma coisa é ficar ali, com um trabalho de parto que vai levar cinco, seis, sete horas. A outra é marcar horário e resolver. Na questão da reprodução há este mesmo paralelo. Como determinar se ali existe um caso de infertilidade, de esterilidade? Quanto tempo se espera a gravidez acontecer sem intervenção? O tempo está diminuindo, mesmo para casais muito jovens. Nos chamava muito a atenção os números do ESCA (Esterilidade Sem Causa Aparente). Essas estatísticas agora estão diminuindo, porque é necessário justificar o procedimento e acabam achando uma causa. Acham a causa, às vezes, e um mês depois a mulher engravida sem intervenção nenhuma.
- É como se o médico, simbolicamente, fosse para a cama com o casal, não?
Helena – Ele passa a fazer parte da cena...
- Vocês perceberam, ao longo da pesquisa, que alguns casais que se declaravam inférteis no consultório médico nem mesmo tinham relações sexuais. Precisavam de reprodução assistida porque não transavam...
Danielle – Há, inclusive, um livro sobre isso, (“Mal-Estar na Procriação – As mulheres e A Medicina da Reprodução”), de uma psicanalista francesa, Marie-Magdeleine Chatel. Ela percebeu que, nas entrevistas médicas, o médico não perguntava sobre as relações sexuais. Então, numa das consultas, das quais participava como observadora, ela pergunta sobre a frequência com que tinham relações sexuais, e o casal responde que não tinha. Mas não ocorria aos médicos fazer essa pergunta.
Verônica – Essa é outra escuta que tem de ser incluída na entrevista médica. Porque não existe um olhar para algo que possa também ser coadjuvante nessa infertilidade.
Helena - É como se não interessasse, não precisasse. A relação sexual fosse supérflua.
Verônica - Tanto é que os folhetinhos que a gente ia arrecadando nas clínicas de fertilização falavam para a mulher o seguinte: “Se distraia, não pense no assunto, vá ao shopping...”. (Risos)
- Vocês perceberam que, assim como as mulheres estão se sentindo incapazes de assumir seu próprio parto, de dar à luz naturalmente, elas também começam a se sentir incapazes de engravidar sem a ajuda do médico e da Medicina?
Helena – E isso é também efeito de um discurso que está na cultura. As razões são muitas. Acho que há o medo da responsabilidade, na medida em que vira uma decisão de tantas consequências econômicas e corporais. E há um certo distanciamento do próprio corpo, dos processos que acontecem no corpo e que assustam. Muitas mulheres empresárias, executivas não menstruam mais, por exemplo.
- O que vocês estão dizendo é que supostamente as mulheres teriam hoje um maior controle sobre o próprio corpo. Mas, de certo modo, as decisões estão sendo delegadas à Medicina?
Danielle - Exatamente.
Verônica - É interessante pensar que lá atrás havia uma leitura nas Ciências Sociais de que a mulher sofria mais repressão na cultura porque, por causa desses processos fisiológicos, a mulher tinha um pé mais dentro da natureza. A hipótese era de que, por isso ser ameaçador, então o homem/a cultura exercia um controle maior sobre a vida dela. Se a gente atualizar essa ideia, hoje, ao tentar reassumir o controle sobre o corpo, a mulher está sendo novamente controlada. Acho que é isso que a gente foi observando.
- Outra questão que vocês levantam na pesquisa é que, para ser mãe, é preciso deixar de ser filha. E parece que esta tem sido uma passagem difícil para muitas mulheres...
Verônica - Dentro dessa cultura que valoriza muito a imagem, essa coisa de não poder envelhecer, de não haver diferenças entre gerações, encontramos também isso. Para ser mãe, você tem que deixar de ser filha, você tem que deixar agora o seu filho acontecer. Então, passar para este lugar, o de deixar de ser filha para ser mãe, exige uma operação subjetiva muito grande. É muito difícil.
Helena – Justamente. E aí entra a questão de como se lida com as perdas atualmente. Os lutos e as perdas. Está mais difícil fazer luto hoje. E virar mãe implica em um luto. O luto da filha, o luto de uma posição. Isso também estaria dificultado, na cultura atual, onde não se pode perder nada.
Verônica – E nada pode deixar marcas. Nem marca da velhice, nem marca da gravidez. Então você pega os famosos, que são formadores de opinião/imagem: mulheres que têm filhos e já aparecem na sequência com um corpo sem marca nenhuma de uma gravidez. Nessa cultura, nada pode fazer marca, nada pode fazer ruga.
- E como entra esta questão, que também é muito presente na nossa cultura, de que não há limites, de que se pode tudo?
Verônica – Percebemos isso... Se eu tenho vontade, eu posso. Que vai até para a coisa da educação da criança, da falta de limites, de eu não poder lidar com o meu desejo. O meu desejo impera, é imperativo. Então, eu QUERO ter um filho, e a qualquer custo eu vou ter esse filho. Agora, esse filho, às vezes, muitas vezes até, não está no lugar de filho mesmo. Ele está mais como objeto de satisfação narcísica para esse casal, para essa mulher. A gente continua achando que existe uma tendência para isso: para não poder lidar com a perda, com a frustração, com o limite que às vezes o próprio corpo impõe. Só que a coisa se complica bastante porque às vezes, muitas vezes, essa limitação que o corpo mostra é um sintoma. É um sintoma dessas próprias dificuldades, da própria falta de condições de exercer a maternidade. A certa altura, propusemos, em nossa pesquisa, uma divisão entre vontade e desejo. Quando a mulher chega para o médico e fala “eu quero ter um filho”, seria importante se ele pudesse sugerir questões para essa mulher, levando-a a diferenciar entre vontade e desejo. Eu posso querer ter um filho, e te digo que quero, mas desejo mesmo? Inconscientemente talvez o desejo desta mulher não seja este. Se você percebe isso, você consegue trabalhar com essa pessoa, ajudando-a a desfazer esse conflito que está lá dentro, o de querer e não querer, e poder falar que quer e não quer. Porque fala muito que quer, mas onde há espaço para aparecer a parte que não quer? E o “não quer” também não é absoluto, né? Porque tem um lado que quer também.
Danielle - É importante deixar claro que a questão não é com a técnica, ou com quem procura essa tecnologia. A questão é cultural. Diz respeito ao lugar que tem um filho hoje, ao lugar dos corpos, ao lugar do controle. A gente não está discutindo os casos de reprodução assistida, mas o que isso nos faz ver sobre os tempos em que vivemos.
Verônica – Quando a mulher chega ao consultório, a dor daquela mulher que quer ter um filho é verdadeira. Achamos que ela pode ter um filho, mas achamos também que é preciso tomar cuidado. Aquela mulher vive a deficiência como sendo dela, quando a gente acha que essa infertilidade diz respeito à forma como está sendo processada toda essa questão na cultura: da mulher, do lugar de mãe, do lugar da maternidade. Não se trata de ser contra a reprodução assistida, mas de questionar como estamos lidando com a tecnologia. E o que essa forma de lidar diz da nossa época.
- Uma das questões da reprodução assistida trazida por vocês é a de que, já que você pagou tão caro e se submeteu a tantos procedimentos para engravidar, então está provado que você deseja este filho e é certo que você vai amá-lo. A realidade tem mostrado que as relações humanas são mais complicadas que isso...
Helena - Eu acho que uma coisa muito complicada em relação a isso é a questão da ambivalência. Porque toda grávida, toda mãe, é ambivalente em relação aos filhos. Quer, não quer; ama e odeia... Uma vez feita a reprodução assistida, o filho tem de ser amado. É como se a ambivalência pudesse ser eliminada da cena.
Danielle - É como se o fato de ter procurado a reprodução assistida eliminasse, automaticamente, qualquer ambivalência. Isso é uma loucura completa.
Helena - E isso penaliza as mães, porque, afinal, fizeram tanto esforço... Ou seja, a mulher usou essa tecnologia que custa tão caro, que no SUS não estão pagando, e depois fica em conflito com a gravidez, com a maternidade? Como assim? Parte-se da ideia de que a tecnologia pode tornar o processo da maternidade asséptico e sem conflitos. Só que, na realidade, não é assim que acontece. O conflito não some, a ambivalência não some porque usou tecnologia para engravidar.
- Pegando este gancho, me deparo hoje com um certo desamparo dos pais. Porque, para se tornar pai e mãe é preciso abrir um espaço interno. Não é só transformar uma parte da casa em quarto do bebê e chamar uma decoradora. Mas parece que esse processo de abrir um espaço interno e se preparar internamente para receber o filho não é vivido por muitos pais ao longo da gestação. E então, de repente, estão com um filho nos braços, mas sem espaço interno, porque os conflitos não foram vividos no seu tempo – e nem mesmo se admite que os conflitos existam. Então, esses pais ficam muito angustiados, às vezes desesperados... Faz sentido para vocês o que estou dizendo?
Helena - Achamos que não ter espaço interno tem a ver com a efetividade atual. Por que a efetividade hoje em dia prevalece sobre a afetividade. Deu uma virada nisso. Por falta de espaço interno.
Verônica – Temos uma situação ocorrida no grupo que pode traduzir isso. O que a gente vai vendo com essas mulheres é que assumem muito cedo a questão da infertilidade. Elas assumem o discurso da infertilidade de uma forma intensa. E num desamparo muito grande. Tivemos um momento no grupo em que, depois de falar sobre a Medicina e a técnica, lá pelas tantas uma delas começou a lembrar que a mãe fazia um caldo de galinha, elas começaram a lembrar do resguardo, e que no tempo de suas avós ou mães não se podia lavar o cabelo durante a menstruação. E aí começa um movimento no grupo que foi muito interessante, o de resgatar algo do simbólico mesmo, algo de um corpo olhado pelo outro. Disso que a gente estava falando: de as mulheres trocarem informações sobre o que está acontecendo com o próprio corpo.
- De um saber que não é médico....
Helena – Sim, de um saber que era herdado das mães. Porque hoje você não pergunta mais para a mãe, para a avó: “Como é que faz isso?”. Antes, o pedido de como se faz isso ou aquilo era para as mulheres da família. Hoje, elas ligam para o pediatra. Acho que é importante pensar o quanto o processo de reprodução assistida, e todas essas questões, repercutem na forma como os pais se apropriam dos filhos.
- Eu escuto muito a seguinte frase dita por mulheres as mais diversas: “Acho que não vou conseguir engravidar...”. Assim, do nada. Ao longo da pesquisa, vocês chegaram a perceber se as mulheres já se consideravam inférteis antes dos exames e do diagnóstico? Se o médico apenas confirmava uma infertilidade em que elas já acreditavam mesmo antes de procurá-lo?
Danielle – Eu me lembro de exemplos do consultório. Acho que atualmente a questão da infertilidade está muito presente. As mulheres, realmente, de 25, 27, 28 anos, se perguntam se vão conseguir engravidar, se vão ter dificuldade... Faz parte, já, do discurso. E este discurso costuma ser confirmado muito facilmente. Bastam seis meses de tentativa e já partem para a tecnologia.
Helena - A forma como a idéia da reprodução aparece na mídia já traz embutida a ideia de que as mulheres são inférteis, que precisam de uma assistência para engravidar.
- Vocês acham que toda essa questão também se dá, em parte, por uma relação de consumo? Porque há um momento em que a maior parte dos casais se sente obrigada a ter um filho. Não parece só ser uma questão de desejo, para alguns, mas também de imagem. Aí tem o filho. Só que ter um filho não é como ter um carro. Não dá pra vender e comprar outro – ou devolver se não está satisfeito com o desempenho. Nem dá para escolher o modelo, o sexo ou a cor dos olhos. Há algo da ordem do incontrolável de ter um filho que parece estar surpreendendo alguns pais...
Danielle - Tive uma paciente que fez um lapso a respeito do filho. Ela o chamou de carro. E o trabalho foi entender que, naquele momento, o que ela queria era um carro – e não um filho. Um carro em que ela escolhia a cor, o tamanho, o preço... Naquele momento da análise, para ela, soltou alguma coisa. Ela investiu no carro, ela e o marido compraram um carro incrível. Porque o projeto era esse mesmo. Muito mais tarde, ela começou a se preparar para ter um filho, e daí toda a história já era outra: os sonhos, como fazer ninho etc. Porque daí a história passa por como é que você vai lidar com a situação da ordem do não-controle mesmo. Era importante distinguir estas duas coisas e ficar tranquila. No momento em que o projeto é carro, o projeto é carro. Mas carro e filho não vão coincidir, não são a mesma coisa. Não dá para comprar um filho. E aí você protege a mãe e protege o filho.
Verônica - Lembrei de uma psicanalista que fala dos efeitos da tecnologia sobre a subjetividade humana. Acho que isso também é uma das coisas que assusta no fato de ter filhos, isso de que supostamente a felicidade do filho teria de ser garantida pelo oferecimento de TUDO pelos pais. O filho tem de ser feliz e você tem de dar todas as respostas para ele, tem de supostamente atender todas as necessidades dele. Essa psicanalista fala que um dos efeitos da tecnologia, por exemplo, se dá sobre a experiência do tempo de espera. Antigamente, você ligava a televisão e esperava a válvula esquentar, a imagem demorava a aparecer. Depois, você passa a apertar o botão e a imagem imediatamente aparece. E ela começa a notar no consultório que antes os filhos chamavam a mãe puxando a saia, puxando a roupa. (Verônica mostra o movimento de puxar.) E que depois passou a ser apertando assim... (Ela simula o toque em um controle remoto). É uma imagem de como a resposta tem de ser imediata. Se aperta, tem de responder. Então, eu acho que tem isso, essa coisa do controle, de que eu posso programar ter um filho, faço as contas de quanto vai custar. E também parece que é necessário se antecipar a tudo. Não é algo que está dado, e vamos ver o que acontece. É como se você não contasse com a experiência vivida. Que a experiência, no processo de construção desta maternidade e desta paternidade, fosse abrindo caminhos e trazendo elementos para você construir uma resposta para a situação. Essa questão do tempo é fundamental. E ela aparece em todas as etapas do processo.
- Por que vocês se indignaram com o tratamento dado aos pais que manifestaram a intenção de entregar para adoção uma das trigêmeas?
Helena - A gente foi lendo na imprensa e se dando conta de que havia um linchamento moral daquele casal. Uma mulher de 28 anos teve três meninas. Desde o início o casal se angustiou e anunciou que queria dar uma das meninas para adoção. E, quando nasceram as três, eles reafirmaram esse desejo. Não dá para ter certeza, porque as informações dadas pela imprensa são desencontradas, mas é possível que tenham escolhido dar para adoção a mais frágil das três. E aí o hospital denuncia para o Conselho Tutelar que esses pais estão rejeitando uma das crianças e a medida da Justiça é separá-las dos pais. Mandaram as trigêmeas para um abrigo. E os pais só poderiam vê-las durante duas horas por semana. Achamos que toda essa história tem que ser contextualizada para que a responsabilidade não recaia apenas sobre o casal. Há outros atores e fatores em cena.
- Vocês acham que os pais foram abandonados?
Danielle - Foram.
Verônica - Mas acho que eles não foram abandonados neste momento. Porque não deveria ser assim: eu tenho três filhos e escolho um. Você já sabe disso antes, e o que vai fazer. Porque aí vem de novo essa coisa da vontade. Do controle. Dessa coisa de que eu posso tudo. Então, se eu engravidei de três eu posso querer só dois. Como é que você se implica naquilo que acontece na sua vida? Eu me desfaço disso? É que nem novela? Mata, porque aquele personagem está demais? Descarto? O que nos chama a atenção é o que a gente vinha falando: como uma questão que é montada culturalmente – faz parte do discurso da cultura – é jogada, e esse casal passa a ser o único representante da falha. Quando é muito claro que a falha está em todo o processo. A questão não passa por tirar a responsabilidade do casal, mas a falha começou muito antes e estamos todos implicados nela. Qual é o discurso da Medicina, amplamente divulgado pela mídia? Implanta, escolhe, descarta, reduz...
- Aí, de repente, fica todo mundo surpreendido, não é? Somos todos inocentes... Nunca ninguém tinha falado nisso...
Helena – Nos cabe perguntar sobre a responsabilidade pela implantação de três embriões no útero de uma jovem de 28 anos. De que forma essa decisão foi tomada? A decisão cabe ao casal ou à equipe médica responsável pelo procedimento da reprodução assistida? Os casais são suficientemente esclarecidos sobre todo o processo da fertilização in vitro e sobre o destino dado aos embriões que não forem utilizados? É certo que o procedimento de implantação de embriões numa mulher jovem tem mais chances de dar certo, de os embriões se fixarem e seguirem se desenvolvendo, do que numa mulher de mais idade.
Vale a pena lembrar também da existência da técnica de redução embrionária, muito discutida no âmbito da medicina reprodutiva e praticada, embora proibida, no Brasil. Trata-se da técnica que permite a eliminação de um ou mais embriões, ainda em fase celular, em pacientes que geraram mais de um. Também chamada de técnica de “descarte de embriões”, é defendida por uma parte dos médicos como sendo necessária em mulheres com gravidez de risco por se tratar de uma gestação múltipla.
É evidente que o dilema vivido pelo casal não é um dilema que só lhes diz respeito, pois é explicitamente trazido à cena e posto em prática pela Medicina, cujas tecnologias de reprodução assistida estão à disposição no mercado. Este casal está, então, inserido em uma cultura em que a opção de “descartar um dos fetos” está colocada.
Já vimos reportagens, antes deste caso, contra as quais ninguém se manifestou ou se indignou. O título de uma delas, manchete de uma revista, era o seguinte: “A escolha mais difícil. O aumento no numero de gestações múltiplas coloca o dilema: abortar ou não alguns dos fetos?”. Quer dizer, está na manchete de uma revista, mas, na hora em que isso se encarna em alguém, que eu posso escolher, que eu posso descartar, porque está na Mídia, está na Medicina... há toda essa reação. E, paradoxalmente, na hora em que a Justiça determina a separação entre as crianças e os pais, como uma medida supostamente protetora, a amamentação é interrompida e impõe-se o abandono das crianças.
Danielle – Fala-se, por exemplo, da gravidez de risco. Mas há outra questão, que é o risco subjetivo, que fica completamente anulada. A gravidez é de risco não apenas porque são três bebês. Mas também porque lidar com três crianças que nascem, em geral, superprematuras, em situações de uma fragilidade extrema e absoluta, é um risco gigantesco. Porque é complicado fazer laço com três filhos ao mesmo tempo; é complicado fazer laço com três bebês que nascem frágeis, perigando morrer, perigando ter mil sequelas. Todas essas questões ficam muito negligenciadas no processo da reprodução assistida.
Verônica – Assim como fica negligenciada a figura do médico, que surge numa fala totalmente impávida neste caso. Ele disse: “Nunca vi um caso desses acontecer antes, de uma mãe rejeitar o filho”.
Helena – Ele foi o médico da mulher, foi ele quem implantou os embriões. Ela era paciente dele, e em vez de defendê-la e dizer “Eu conheço esta pessoa...”, ele se desimplica de um jeito muito irresponsável.
- Por que vocês acham que este casal sofreu um linchamento moral?
Helena - No cenário da reprodução assistida se intensifica de novo a questão do mito do amor materno. É isso o que, afinal, o médico enfatiza no discurso dele: “Eu nunca vi pais que, depois de quererem engravidar, rejeitam um filho...” Parece que, no mundo da reprodução assistida, não pode existir dor, perda, luto, conflito, ambivalência. Fica uma coisa chapada, onde só cabe sucesso, sentimentos positivos, potência, amor. Há um nível de negação muito intenso neste mundo. Há uma negação intensa de todo o lado do sombrio, digamos assim. E a positivação e a intensificação muito hipócrita, inclusive, de que não há conflito, não há ambivalência.
Danielle - Neste mundo obviamente todos querem ter um filho, obviamente todos querem ter muitos filhos e obviamente todos vão amá-los. De repente, há um encontro com o avesso disso. Então, é o seguinte: eu não tenho nada a ver com isso. Isso é ela – não eu. Jogam o conflito para cima do mais frágil.
Helena – Quando surge algo assim, como neste caso das trigêmeas, vira um escândalo. O médico diz: “Bom, nunca vi isso”. É hipócrita, é cruel, é uma negação. Há uma coisa muito negadora, em vários campos, como o menino lá do Realengo que matou todo mundo. A sociedade, a escola, não tem nada a ver com isso. Ele é um monstro que fez isso. Então, acho que há um certo parentesco de colocar a monstruosidade no indivíduo e, assim, a sociedade pode negar ter qualquer relação com essa violência, ambivalência, rejeição. O problema está no indivíduo. Há várias situações em que todo mundo se exime da responsabilidade. Nós não somos violentos – o violento é o outro. Não só violento, como um monstro. Como neste caso das trigêmeas. Ninguém diz: “Não cuidamos direito desta menina, que engravidou de três bebês”. É melhor negar e simplificar. Agora, você imagina o estrago que foi feito nesse começo de família, nestes pais e nestas filhas...
- Ao analisar o caso das trigêmeas, vocês afirmam o seguinte: “Tomemos, que o filho é nosso!”. O que significa isso?
Helena - Acho que “o filho é nosso” neste sentido, de que a gente precisa se comprometer com aquilo que está em jogo.
Danielle - E que a gente, como cultura, está veiculando e fazendo aparecer. Então acho que a ideia do “nosso” é: precisamos nos implicar e nos responsabilizar por aquilo que estamos fazendo acontecer.
Verônica – O que este casal está explicitando da nossa cultura? Por que causaram tanta indignação? São questões que precisamos nos colocar. Há uma banalização do processo todo, doação e descarte de óvulos, há uma banalização do que é ter três filhos ao mesmo tempo. Pensar sobre isso é responsabilidade de todo mundo. Esta, afinal, é uma produção da nossa cultura. Neste sentido é que “o filho é nosso”. É preciso também olhar para a idealização desse controle. Porque, de fato, não existe controle nesse nível. Implantam-se cinco embriões para tentar que dois deem certo. Então, os médicos jogam com isso. Só que o problema de jogar com isso é que no final da linha há um bebê. Ele está ali. E, agora, faz o que com ele?
Helena - Estamos todos implicados. Mas, em vez de problematizar, acusamos. E nos retiramos da cena. A ideia do “Tomemos, que o filho é nosso!” é reconhecer que estamos todos dentro da cena. O casal também tem de se responsabilizar. O problema foi responsabilizar a eles, exclusivamente, deixando-os sós. Eu acho que o “Tomemos que o filho é nosso!” é assim: este é um fruto da nossa cultura. É filho da cultura, não só deste casal.
- O que eu acho muito curioso é que existe essa tecnologia toda, nada precisa ser natural, nem o parto nem a reprodução, que pode ser feita num tubo de ensaio e não na cama, e no fim disso tudo a sociedade abre uns olhos espantados e exige a sacralidade do amor materno. “Como assim, essa mãe não acha maravilhosos ter três bebês ao mesmo tempo? Ah, nunca se viu uma coisa dessas...” Voltamos ao mito, como vocês disseram.
Helena - Eu acho que a mãe volta ao lugar idealizado via tecnologia. Ela foi destituída desse lugar tão idealizado, e ela volta a ser restituída a esse lugar com a tecnologia da reprodução assistida. O que volta com a reprodução assistida é justamente o mito do amor materno.
- Como assim?
Helena - Desse jeito. Se ser mãe passa a não ser mais tão valorizado – ser executiva talvez tenha mais valor, ou ser uma grande esportista, ou ter dinheiro, ou ter um carro bacana... As tecnologias de reprodução assistida possibilitam que as mulheres voltem a ser mães. Essa mãe que eles fabricam, que eles possibilitam/produzem, tem de ser uma mãe com letra maiúscula: uma mãe sem conflito com a maternidade, que nunca vai rejeitar o filho. De certo modo, a tecnologia possibilita a volta de “A Mãe”. E esta mãe não tem sombra, não tem marca. É a mãe com o letreiro e as luzes piscando. Ela retorna, e tem de refazer o mito do amor materno, porque também isso justifica a existência das tecnologias, da pesquisa, das ampliações dessas fronteiras tecnológicas. Então, é como o médico das trigêmeas falou: “Nossa, toda essa tecnologia, todo esse empenho, e eu nunca vi uma mãe depois de tudo isso não querer um filho”.
- O médico parece ter se sentido traído, né?
Verônica - Nesta pesquisa, a gente participou de algumas reuniões dos médicos do setor de reprodução. Em uma das discussões, eles debatiam a taxa de fertilidade. Um dos participantes disse: “Bom, a inseminação artificial bovina é perfeita, ela tem resultados ótimos, porque você usa o melhor reprodutor com aquela que tem mais condições de reproduzir. Nossos pacientes aqui são os piores reprodutores. As matrizes que a gente tem são falhas”. O que pensamos é que essa idéia remete ao biológico, ao corpo como uma máquina de procriação.
Helena – A gente fala muito que a Medicina retira o sujeito de cena, né? Acho que tem um pouco a ver com isso. O sujeito é aquele que é dividido, que tem conflitos. Sem conflitos não há sujeito.
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI251605-15230,00.html
Sexóloga recomenda masturbar-se uma vez por semana
quinta-feira, 21 de julho de 2011 21:09
Da Redação
Segundo OMS, aqueles que se masturbam pelo menos três vezes ao dia têm tendência a compulsão sexual
Muitos não imaginam, mas a masturbação pode se transformar num vício e fazer com que a pessoa use horas do dia para se aventurar em frente ao computador e revistas com o objetivo de saciar a si mesmo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) aqueles que se masturbam pelo menos três vezes ao dia podem ter a tendência a uma compulsão sexual.
“O normal é que a pessoa se masturbe de uma a três vezes por semana”, explica Carla Cecarello, psicóloga e sexóloga. Coordenadora do projeto Ambsex (Ambulatório de Sexualidade), Carla é autora do livro Sexualmente, nós queremos discutir a relação.
Francisco Carlos Anello, ginecologista obstetra pós-graduado em Sexualidade Humana pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash) diz que a prática é sadia. “Porém se a pessoa tiver tendência à compulsão sexual o assunto ganha outros aspectos”, comenta Anello.
Carla ressalta que os pais devem ficar atentos ao comportamento dos filhos. “Se eles passam muito tempo na internet, ou no banheiro deve ter uma atenção maior”, afirma.
Repressão
Anello conta que o tabu sobre o assunto teve início no século 15, quando a sociedade acreditava que as pessoas que se masturbavam ficavam loucas e os meninos iam dormir com as mãos amarradas. “Todos os mitos criados eram uma forma de inibir as pessoas da prática da masturbação”, relata o ginecologista.
Segundo Carla, a ação era reprimida, pois não podia jogar o esperma na terra. “Na Bíblia dizia que Onã desejava a mulher de seu irmão então praticava a masturbação”, conta. Segundo a psicóloga, a relação sexual há alguns anos era bastante repressora e para inibir a prática foram criados mitos como, quem se masturba fica com espinhas, pelos na mão etc.
Mulheres
O ato de saciar sexualmente a si mesmo nunca foi visto com bons olhos pela sociedade. Quando o assunto é direcionado às mulheres o tabu é certo. Segundo Anello, o fato se dá pela criação judaica cristã. “A menina sempre é reprimida quando o assunto é sexo”, diz.
Para Carla Cecarello, as ações da mídia têm tornado o assunto menos pejorativo. “Apesar de ser visto de forma melhor ainda não é prática aceita para as mulheres”, pontua Carla. Ainda segundo a psicóloga, o ato não precisa ser realizado sozinho. “A masturbação pode ser uma ferramenta para o casal se conhecer melhor”, diz. (Colaborou Larissa Marçal)
http://www.reporterdiario.com.br/Noticia/299192/sexologa-recomenda-masturbacao-uma-vez-por-semana/
Da Redação
Segundo OMS, aqueles que se masturbam pelo menos três vezes ao dia têm tendência a compulsão sexual
Muitos não imaginam, mas a masturbação pode se transformar num vício e fazer com que a pessoa use horas do dia para se aventurar em frente ao computador e revistas com o objetivo de saciar a si mesmo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) aqueles que se masturbam pelo menos três vezes ao dia podem ter a tendência a uma compulsão sexual.
“O normal é que a pessoa se masturbe de uma a três vezes por semana”, explica Carla Cecarello, psicóloga e sexóloga. Coordenadora do projeto Ambsex (Ambulatório de Sexualidade), Carla é autora do livro Sexualmente, nós queremos discutir a relação.
Francisco Carlos Anello, ginecologista obstetra pós-graduado em Sexualidade Humana pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash) diz que a prática é sadia. “Porém se a pessoa tiver tendência à compulsão sexual o assunto ganha outros aspectos”, comenta Anello.
Carla ressalta que os pais devem ficar atentos ao comportamento dos filhos. “Se eles passam muito tempo na internet, ou no banheiro deve ter uma atenção maior”, afirma.
Repressão
Anello conta que o tabu sobre o assunto teve início no século 15, quando a sociedade acreditava que as pessoas que se masturbavam ficavam loucas e os meninos iam dormir com as mãos amarradas. “Todos os mitos criados eram uma forma de inibir as pessoas da prática da masturbação”, relata o ginecologista.
Segundo Carla, a ação era reprimida, pois não podia jogar o esperma na terra. “Na Bíblia dizia que Onã desejava a mulher de seu irmão então praticava a masturbação”, conta. Segundo a psicóloga, a relação sexual há alguns anos era bastante repressora e para inibir a prática foram criados mitos como, quem se masturba fica com espinhas, pelos na mão etc.
Mulheres
O ato de saciar sexualmente a si mesmo nunca foi visto com bons olhos pela sociedade. Quando o assunto é direcionado às mulheres o tabu é certo. Segundo Anello, o fato se dá pela criação judaica cristã. “A menina sempre é reprimida quando o assunto é sexo”, diz.
Para Carla Cecarello, as ações da mídia têm tornado o assunto menos pejorativo. “Apesar de ser visto de forma melhor ainda não é prática aceita para as mulheres”, pontua Carla. Ainda segundo a psicóloga, o ato não precisa ser realizado sozinho. “A masturbação pode ser uma ferramenta para o casal se conhecer melhor”, diz. (Colaborou Larissa Marçal)
http://www.reporterdiario.com.br/Noticia/299192/sexologa-recomenda-masturbacao-uma-vez-por-semana/
Prefeitura do Embu emite nota sobre polêmica cartilha
Prefeitura do Embu emite nota sobre polêmica cartilha
A polêmica cartilha sobre sexualidade, publicada e distribuída no mês passado para alunos da rede pública de Embu das Artes, causou mal estar no governo do prefeito Chico Brito. Nesta semana, a secretaria de educação da cidade publicou uma nota explicando o ocorrido. Rosemary Mendes defendeu a cartilha, mas disse que vai abrir sindicância para apurar como a cartilha foi entregue para alunos de outra faixa etária.
“A distribuição do livro “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” na Escola Municipal Elza Marreiro não estava autorizada pela Secretaria de Educação, conforme padrões adotados para sua entrega às famílias desde o lançamento em 2005. Estamos apurando responsabilidades através de sindicância”, disse em nota a secretária.
A revista “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” serviria como referência para a educação sexual dos jovens das redes municipal e estadual de ensino de Embu das Artes acabou causando polêmica entre alguns pais e alunos. A cartilha começou a ser elaborada em 2005, mas não pode ser divulgada, pois a comissão responsável preferiu fazer um trabalho primeiramente com a família.
A seguir, a nota na íntegra
O Governo da Cidade de Embu das Artes esclarece que a revista “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” foi editada em 2005, ano em que recebeu o prêmio nacional Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), promovido pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, para premiar ações relevantes e de impacto na área, desenvolvidas pelos serviços de saúde estaduais e municipais.
A publicação, um projeto federal (Ministério da Saúde), estadual (Diretoria de Ensino Taboão da Serra) e municipal (secretarias de Saúde e Educação), contando com apoio da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e outras instituições, foi editada para levar informações a um público-alvo de famílias e estudantes das redes municipal e estadual de Embu das Artes.
Em parceria com Projeto Ecos – Educação Continuada em Orientação Sexual, Organização não Governamental, que há mais de 20 anos atua capacitando profissionais para o trabalho de educação sexual no País, a Prefeitura de Embu das Artes preparou educadores e profissionais da rede para fazer a distribuição da publicação aos pais dos estudantes. Vale lembrar que a revista contém um encarte com passatempos e recreações pedagógicas a ser entregue ao estudante, depois que recebe as informações dos pais e se estes assim decidirem.
Em 2005 foram impressos 30 mil exemplares de “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” e em 2008, 50 mil, com apoio de Papel Suzano, ex-Ripasa. São 55 mil alunos da rede municipal e estadual.
A distribuição do livro “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” na Escola Municipal Elza Marreiro não estava autorizada pela Secretaria de Educação, conforme padrões adotados para sua entrega às famílias desde o lançamento em 2005. Estamos apurando responsabilidades através de sindicância.
Rosimary Mendes Matos
Secretária de Educação de Embu das Artes
http://www.otaboanense.com.br/noticia/5218/prefeitura-do-embu-emite-nota-sobre-pol%C3%AAmica-cartilha/
A polêmica cartilha sobre sexualidade, publicada e distribuída no mês passado para alunos da rede pública de Embu das Artes, causou mal estar no governo do prefeito Chico Brito. Nesta semana, a secretaria de educação da cidade publicou uma nota explicando o ocorrido. Rosemary Mendes defendeu a cartilha, mas disse que vai abrir sindicância para apurar como a cartilha foi entregue para alunos de outra faixa etária.
“A distribuição do livro “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” na Escola Municipal Elza Marreiro não estava autorizada pela Secretaria de Educação, conforme padrões adotados para sua entrega às famílias desde o lançamento em 2005. Estamos apurando responsabilidades através de sindicância”, disse em nota a secretária.
A revista “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” serviria como referência para a educação sexual dos jovens das redes municipal e estadual de ensino de Embu das Artes acabou causando polêmica entre alguns pais e alunos. A cartilha começou a ser elaborada em 2005, mas não pode ser divulgada, pois a comissão responsável preferiu fazer um trabalho primeiramente com a família.
A seguir, a nota na íntegra
O Governo da Cidade de Embu das Artes esclarece que a revista “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” foi editada em 2005, ano em que recebeu o prêmio nacional Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), promovido pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, para premiar ações relevantes e de impacto na área, desenvolvidas pelos serviços de saúde estaduais e municipais.
A publicação, um projeto federal (Ministério da Saúde), estadual (Diretoria de Ensino Taboão da Serra) e municipal (secretarias de Saúde e Educação), contando com apoio da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e outras instituições, foi editada para levar informações a um público-alvo de famílias e estudantes das redes municipal e estadual de Embu das Artes.
Em parceria com Projeto Ecos – Educação Continuada em Orientação Sexual, Organização não Governamental, que há mais de 20 anos atua capacitando profissionais para o trabalho de educação sexual no País, a Prefeitura de Embu das Artes preparou educadores e profissionais da rede para fazer a distribuição da publicação aos pais dos estudantes. Vale lembrar que a revista contém um encarte com passatempos e recreações pedagógicas a ser entregue ao estudante, depois que recebe as informações dos pais e se estes assim decidirem.
Em 2005 foram impressos 30 mil exemplares de “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” e em 2008, 50 mil, com apoio de Papel Suzano, ex-Ripasa. São 55 mil alunos da rede municipal e estadual.
A distribuição do livro “Conversando e Descobrindo: a Criança e a Sexualidade” na Escola Municipal Elza Marreiro não estava autorizada pela Secretaria de Educação, conforme padrões adotados para sua entrega às famílias desde o lançamento em 2005. Estamos apurando responsabilidades através de sindicância.
Rosimary Mendes Matos
Secretária de Educação de Embu das Artes
http://www.otaboanense.com.br/noticia/5218/prefeitura-do-embu-emite-nota-sobre-pol%C3%AAmica-cartilha/
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