24/08/2011 - 14h
Estigma, preconceito, falta de informação. Quando o assunto é aids na terceira idade, essas características estão presentes tanto no cotidiano dos profissionais de saúde quanto no dos usuários dos serviços, afirmaram especialistas durante uma videoconferência realizada nesta quarta-feira pelo Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo.
Segundo a médica Mariliza da Silva, da gerência de Assistência Integral á Saúde do Centro de Referência e Treinamento (CRT) de DST/Aids de São Paulo, as pessoas mais velhas estão se infectando pelo HIV porque não se percebem vulneráveis ao vírus. “Elas associam a aids aos jovens, usuários de drogas injetáveis e homens que fazem sexo com homens”, explicou. Por isso, de acordo com Mariliza, o idoso não se preocupa em usar preservativo. “Quando ele fica viúvo geralmente se relaciona com diferentes pessoas e não se previne.”
A médica do CRT declarou que geralmente as pessoas da terceira idade se descobrem com aids depois de alguma internação. Mariliza afirmou que um dos motivos para o diagnóstico tardio é o fato dos médicos não pedirem exame de HIV para os idosos. “Sintomas como fadiga, dor crônica e perda de peso podem estar relacionados simplesmente à idade, mas também podem ser conseqüência da aids. Os médicos não investigam esta possibilidade.”
Prevenção
Jacqueline Garcia, do Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia, disse que quando o idoso pede remédio para disfunção erétil o médico precisa realizar abordagens sobre práticas sexuais seguras. “Geralmente o idoso não quer fazer o teste de HIV. É necessário utilizar novas formas de abordagem e facilitar o acesso a insumos de prevenção”, declarou.
Já Carlos Rodrigues, da Associação Saúde da Família - ONG que realiza projeto de prevenção ao HIV entre pares para idosos – argumentou que muitas vezes a abordagem da sexualidade é relacionada à reprodução. “Como a mulher idosa não engravida, ela pensa que não tem sentido usar preservativo”, disse. Para Carlos, faltam políticas públicas voltadas à sexualidade das pessoas mais velhas.
Na abertura da videoconferência, a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, avaliou que o diagnóstico tardio do HIV nesse público é uma das lacunas da resposta à aids. Ressaltou também que a interface entre diferentes áreas – como a saúde da mulher – é extremamente importante e que o Estado de São Paulo possui um documento com diretrizes de ações de prevenção às DST/aids em idosos (veja o documento).
Fábio Serrato
CRT DST/Aids-SP - Assessoria de imprensa - Tel.: (11) 5087-9835
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
A CONTROVÉRSIA DE SANDY
Recentemente a entrevista de Sandy à Playboy surpreendeu a todos. A sua declaração mais “polêmica” foi: é possível ter prazer com o sexo anal. Ora, se tal afirmativa fosse feita pela Bruna Surfistinha, ou pela Débora Secco, não teria repercussão nenhuma. Sandy, porém, revestida daquela imagem angelical da menininha que começamos a ver cantar aos 7 anos de idade, sempre acompanhada de seu irmãozinho querido, também angelical, expressar pensamento “devasso” como este! Oh! Meu Deus. O mundo está acabando.
Vamos pensar. Sinceramente, neste exato momento, quantas milhões de mulheres estão por aí a praticar sexo anal. Qual mulher não tentou, pelo menos algumas vezes, variar a relação sexual, seja desta forma ou de outra. Quantas praticam o sexo anal regularmente? Ora, não há nada de devasso nisso. Nada menos do que uma forma alternativa de praticar o sexo, feita por 20 a 30 % da população mundial. Então, por que toda essa polêmica?
Estou com a Sandy. Era preciso acabar com aquela imagem anterior. Sem algo assim ela sempre seria lembrada como aquela menina boazinha que cantava com o irmãozinho, vinda de uma família unida e bem sucedida. Seu público seria composto por patricinhas e patricinhos politicamente corretos. Sandy escolheu destruir uma imagem para começar a construir outra. Podemos questionar se era a melhor maneira, mas se ela realmente queria mudar o jeito de ser vista, não podemos questionar que conseguiu. Agora há uma Sandy mais real, mais parecida com gente do que com anjo. De repente ela está livre. De repente um peso saiu de dentro dela. De repente ela disse: ei! Eu cresci. Quem sabe agora ela também cresça como intérprete, na escolha do repertório, em outras áreas do discurso. A polêmica mais nova é sobre Sandy posar nua ou não. Espero que não o faça. Espero que Sandy não seja, realmente, uma devassa e tão somente uma mulher adulta e senhora de si, como deveriam ser todas.
Vamos pensar. Sinceramente, neste exato momento, quantas milhões de mulheres estão por aí a praticar sexo anal. Qual mulher não tentou, pelo menos algumas vezes, variar a relação sexual, seja desta forma ou de outra. Quantas praticam o sexo anal regularmente? Ora, não há nada de devasso nisso. Nada menos do que uma forma alternativa de praticar o sexo, feita por 20 a 30 % da população mundial. Então, por que toda essa polêmica?
Estou com a Sandy. Era preciso acabar com aquela imagem anterior. Sem algo assim ela sempre seria lembrada como aquela menina boazinha que cantava com o irmãozinho, vinda de uma família unida e bem sucedida. Seu público seria composto por patricinhas e patricinhos politicamente corretos. Sandy escolheu destruir uma imagem para começar a construir outra. Podemos questionar se era a melhor maneira, mas se ela realmente queria mudar o jeito de ser vista, não podemos questionar que conseguiu. Agora há uma Sandy mais real, mais parecida com gente do que com anjo. De repente ela está livre. De repente um peso saiu de dentro dela. De repente ela disse: ei! Eu cresci. Quem sabe agora ela também cresça como intérprete, na escolha do repertório, em outras áreas do discurso. A polêmica mais nova é sobre Sandy posar nua ou não. Espero que não o faça. Espero que Sandy não seja, realmente, uma devassa e tão somente uma mulher adulta e senhora de si, como deveriam ser todas.
Cirurgia plástica genital está cada vez mais popular entre as mulheres
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
24/08/2011 | 11h25 | Pesquisa
Uma nova pesquisa publicada no "International Journal of Obstetrics and Gynaecology" revela que a cirurgia plástica genital é um procedimento médico cada vez mais popular entre as mulheres. Dados do Serviço Nacional de Saúde dos EUA revelam que o número de cirurgias deste tipo aumentou cinco vezes nos últimos 10 anos no território americano.
Este é o primeiro estudo a analisar especificamente as dimensões vaginais das mulheres que procuram a cirurgia cosmética. O estudo observou 33 mulheres que haviam solicitado cirurgia de redução labial vaginal, procedimento que havia sido recomendado pelo médico de clínica geral. A idade média do grupo foi de 23 anos.
Todas as mulheres foram examinadas por um ginecologista e a largura e o comprimento dos pequenos lábios vaginais foram medidos e comparados com os valores considerados mais frequentes entre mulheres.
O estudo descobriu que todas as mulheres que procuram a cirurgia tinham pequenos lábios de tamanho normal, com uma largura média de 26,9 mm (direita) e 24,8 mm (esquerda).
Para apenas três das mulheres havia necessidades de cirurgia para tratar de uma significativa assimetria. Das mulheres para as quais foram recusada a cirurgia, doze (40%) delas ainda permaneciam ansiosas para prosseguir a cirurgia por outros meios, e 11 mulheres aceitaram encaminhamento para um atendimento na área de psicologia. Uma das participantes foi encaminhada a um serviço de saúde mental.
As mulheres foram perguntadas sobre o que gostariam de alcançar com a cirurgia e 20 delas (60%) desejavam ter os lábios vaginais menores para melhorar a aparência. Outras razões incluídas foram: reduzir o desconforto, melhorar a confiança e a vontade de melhorar a relação sexual.
O estudo também analisou quantos anos as mulheres tinham quando começaram a se sentir insatisfeitas com os pequenos lábios vaginais. Vinte e sete mulheres (81%) foram capazes de identificar isso. Destas, cinco mulheres (15%) relataram que desde a idade de 10 anos tinham esta insatisfação; dez (30%) ficaram infelizes com o aspecto estético de suas vaginas entre as idades de 11 anos e 15 anos, cinco (15%) entre 16 e 20 anos, quatro (12%) nos seus 20 e 3 (9%) na casa dos 30 anos.
Razões para este descontentamento incluíram uma autoconsciência crescente da área genital, um desconforto físico, comentários de um parceiro e até assistir programas de TV sobre cirurgia genital cosmética.
Sarah Creighton e Elizabeth Garrett Anderson, do Instituto de Saúde da Mulher, comentaram os resultados da pesquisa:
"É surpreendente que todas as participantes do estudo tinham pequenos lábios vaginais de tamanho normal e, apesar disso, quase metade ainda estava ansiosa para prosseguir a cirurgia como uma opção".
Uma preocupação específica do estudo é a idade de algumas das pacientes encaminhadas para cirurgia, sendo uma tão jovem que tinha apenas 11 anos. O desenvolvimento da genitália externa continua ao longo da adolescência e, em particular dos pequenos lábios, que podem se desenvolver de forma assimétrica, inicialmente e tornarem-se mais simétricos com o tempo.
O editor-chefe adjunto do blog do "International Journal of Obstetrics and Gynaecology", Pierre Martin-Hirsch, acrescentou:
"Muitas mulheres que estão preocupadas em fazer cirurgia plástica vaginal podem ter pequenos lábios de tamanho normal. Uma orientação clara e específica dos médicos é necessária para a operação".
Da Agência O Globo
24/08/2011 | 11h25 | Pesquisa
Uma nova pesquisa publicada no "International Journal of Obstetrics and Gynaecology" revela que a cirurgia plástica genital é um procedimento médico cada vez mais popular entre as mulheres. Dados do Serviço Nacional de Saúde dos EUA revelam que o número de cirurgias deste tipo aumentou cinco vezes nos últimos 10 anos no território americano.
Este é o primeiro estudo a analisar especificamente as dimensões vaginais das mulheres que procuram a cirurgia cosmética. O estudo observou 33 mulheres que haviam solicitado cirurgia de redução labial vaginal, procedimento que havia sido recomendado pelo médico de clínica geral. A idade média do grupo foi de 23 anos.
Todas as mulheres foram examinadas por um ginecologista e a largura e o comprimento dos pequenos lábios vaginais foram medidos e comparados com os valores considerados mais frequentes entre mulheres.
O estudo descobriu que todas as mulheres que procuram a cirurgia tinham pequenos lábios de tamanho normal, com uma largura média de 26,9 mm (direita) e 24,8 mm (esquerda).
Para apenas três das mulheres havia necessidades de cirurgia para tratar de uma significativa assimetria. Das mulheres para as quais foram recusada a cirurgia, doze (40%) delas ainda permaneciam ansiosas para prosseguir a cirurgia por outros meios, e 11 mulheres aceitaram encaminhamento para um atendimento na área de psicologia. Uma das participantes foi encaminhada a um serviço de saúde mental.
As mulheres foram perguntadas sobre o que gostariam de alcançar com a cirurgia e 20 delas (60%) desejavam ter os lábios vaginais menores para melhorar a aparência. Outras razões incluídas foram: reduzir o desconforto, melhorar a confiança e a vontade de melhorar a relação sexual.
O estudo também analisou quantos anos as mulheres tinham quando começaram a se sentir insatisfeitas com os pequenos lábios vaginais. Vinte e sete mulheres (81%) foram capazes de identificar isso. Destas, cinco mulheres (15%) relataram que desde a idade de 10 anos tinham esta insatisfação; dez (30%) ficaram infelizes com o aspecto estético de suas vaginas entre as idades de 11 anos e 15 anos, cinco (15%) entre 16 e 20 anos, quatro (12%) nos seus 20 e 3 (9%) na casa dos 30 anos.
Razões para este descontentamento incluíram uma autoconsciência crescente da área genital, um desconforto físico, comentários de um parceiro e até assistir programas de TV sobre cirurgia genital cosmética.
Sarah Creighton e Elizabeth Garrett Anderson, do Instituto de Saúde da Mulher, comentaram os resultados da pesquisa:
"É surpreendente que todas as participantes do estudo tinham pequenos lábios vaginais de tamanho normal e, apesar disso, quase metade ainda estava ansiosa para prosseguir a cirurgia como uma opção".
Uma preocupação específica do estudo é a idade de algumas das pacientes encaminhadas para cirurgia, sendo uma tão jovem que tinha apenas 11 anos. O desenvolvimento da genitália externa continua ao longo da adolescência e, em particular dos pequenos lábios, que podem se desenvolver de forma assimétrica, inicialmente e tornarem-se mais simétricos com o tempo.
O editor-chefe adjunto do blog do "International Journal of Obstetrics and Gynaecology", Pierre Martin-Hirsch, acrescentou:
"Muitas mulheres que estão preocupadas em fazer cirurgia plástica vaginal podem ter pequenos lábios de tamanho normal. Uma orientação clara e específica dos médicos é necessária para a operação".
Da Agência O Globo
Que Homossexualismo é Este?
- Documento - Que Homossexualismo é Este?
dizjornal@gmail.com
Com os crescentes casos de agressões a homossexuais na cidade reabre-se o debate que se remete a uma questão central: o preconceito como caldo de cultura é mais arraigado e profundo do que se percebe? Existe um numeroso contingente silencioso, que se não aprova a agressão física, intimamente concorda que os homossexuais merecem punição?
É necessário ampliar o debate para melhor digestão do conceito, sem os disfarces do “politicamente correto”, que se esgueira nas vielas do pensamento conservador e de forma dissimulada estimula a discriminação. É como se diz: “tudo é permitido, desde que não seja na minha família.” Existem pais que dão “conselhos” a outros pais de homossexuais, mas jamais resistiriam que esta orientação sexual fosse escolha de um filho seu. Neste embuste sóciointelectual vão se formando os tecidos do comportamento na nossa sociedade como um todo que não é capaz de conter a fúria da intolerância e a visão do outro diferente da expectativa do padrão.
Em 2006, em Niterói, um jovem de 19 anos, Ferrucio Silvestro, teve o rosto desfigurado por agressores homofóbicos ao sair de uma boate gay em São Domingos, na Praça Leoni Ramos. O estudante ficou 4 dias internado no Hospital Antonio Pedro, enquanto o caso, intensamente divulgado, estendeu-se na rede de relacionamento Orkut, onde muita gente aplaudiu os agressores, inclusive dizendo que ele apanhou pouco e deveriam tê-lo matado.
Ao sair do hospital registrou queixa na 76ª DP. Depois de algum tempo “sem progresso e nem solução” o caso foi arquivado e mais uma vez os agressores ficaram impunes. Sem alternativas e sentindo-se ameaçado o jovem mudou-se da cidade.
De lá para cá, muitos casos aconteceram sem que um único episódio si quer tenha sido exemplarmente punido. Na semana passada, o estudante universitário (UFF) Silaedson Silva Junior, ao sair da mesma praça, (Leoni Ramos) ao chegar à altura do Clube Canto do Rio, foi capturado por 3 rapazes que o agrediram com tapas e pontapés. Ele conseguiu se desvencilhar e fugir, não chegando ao mesmo nível de contusões que teve o Ferrucio Silvestro. Mas, a agressão se configurou e o estado de constrangimento se estendeu até a delegacia. Ele alega somente ter conseguido registrar a agressão com caráter homofóbico acompanhado por um advogado.
O delegado da 76ª DP, Dr. Nilton Pereira Silva, declarou que o registro aconteceu e foi acolhido normalmente e sem qualquer dificuldade.
Numa entrevista que ele deu numa emissora de TV disse que o caso seria investigado, embora reconhecesse a dificuldade de identificar os agressores, e que iria buscar alguma gravação de câmeras de prédios da região para conseguir as pistas necessárias.
Voltamos sempre à mesma questão: há acolhimento da queixa, mas a incerteza da solução é sempre expressiva.
O comerciário M. que preferiu não ser identificado disse: “não é que não se consiga registrar a queixa. A questão é como os policiais se comportam perante o fato. Parece até que se divertem e fazem pouco caso da situação. Fica patente que não vão investigar nada e quem sabe, até aprovam a opressão que sofremos. Nos tratam como bichas, mesmo!”
A questão dos direitos do cidadão não diferem, por classe social, credo, raça ou mesmo orientação sexual. Trata-se apenas de um cidadão, e como tal, amparado constitucionalmente: a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
Entre o texto e a realidade existe um hiato de cultura e descaso. O homossexual, ainda que qualificado e até abastado financeiramente e de posição social privilegiada, não é visto da mesma forma quanto aos direitos da cidadania.
Sob um véu de dissimulação é relegado a um plano inferior. Uma espécie de “faz de conta” quanto ao exercício da legalidade. Os policiais, na sua grande maioria, apenas refletem o pensamento da nossa sociedade, e estão profissionalmente despreparados para lidar com situações onde impliquem em desigualdades.
Faz-se necessário re-equipar intelectualmente os nossos profissionais, tanto da Polícia Civil, quanto da Polícia Militar, caso contrário continuaremos na subnotificação dos casos, com a crescente impunidade e agravamento do quadro.
José Cardoso, bibliotecário disse: “muita gente não vai nem à delegacia. Apanha e fica por isso mesmo. As pessoas se sentem desencorajadas pelo constrangimento que são submetidas ao afirmarem que são homossexuais e que foram atacados. O rosário de perguntas é imenso, como se não desejassem caracterizar o fato como homofóbico. Registram com outras denominações, até de agressões, mas não como o caráter que deveriam ter. É homofobia, tem que ser reconhecido como tal.
Mas, a verdade é que em muitos casos fica difícil caracterizar; até por certa desconfiança que é imposta. Aí, preferem deixar para lá. E a porradaria continua!”
O projeto de lei que criminaliza a homofobia foi aprovado no plenário da Câmara. O texto prevê pena de prisão de até 5 anos para quem criticar os homossexuais publicamente, seja qual for a razão. E também estabelece punição a quem preterir homossexuais em uma seleção de emprego, por exemplo. Entretanto, está tudo como antes e tentam novas fórmulas tortas como desculpas mal apresentadas.
A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou em 2010 o projeto de lei n. ° 455, que proíbe a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero nos elevadores. Em seu Artigo 4º, o projeto recomenda ainda que o governo estadual desenvolva “ações de cunho educativo” e de combate a todas essas discriminações.
As tentativas de amenizar problemas desta espécie são tantas que se perdem nas divisões e classificações promovendo o esvaziamento e dispersão do foco de atuação contra a discriminação como um todo. A impressão que se tem é que para que se atue contra o problema específico da homofobia, precisa-se de outras motivações acopladas para dar conteúdo e contexto prático. A deputada Marta Suplicy (PT) que foi a relatora da Lei Contra a Homofobia, acrescentou outras questões, como racismo ao texto e deu uma espécie de salvo conduto aos religiosos nas suas pregações contra o homossexualismo dentro dos seus templos. Evangélicos e católicos alegam que o projeto cria uma casta privilegiada e fere a liberdade religiosa. Mesmo com a lei, há um revestimento renitente de preconceito e receio de enfrentar o problema abertamente, temendo-se as diversas oposições.
A questão objetiva é que dentro deste quadro de dificuldades de aceitação social de uma escolha ou orientação sexual, se dissimula cada vez mais a realidade. Existe muito mais gente que é homossexual, mas esconde a condição temendo a rejeição social. Este numeroso contingente de “enrustidos” ou bissexuais, como preferem se apresentar, estabelece outro nível de categoria ou tipo, se misturando na massa como uma espécie de mutantes ambulantes dissimulados.
O 3º Livro de Moisés, diz que é abominação um homem se deitar com outro; até ai tudo bem, mas não esqueçamos que em Levítico 11, 12 - diz que comer marisco é também abominação. É uma abominação maior ou menor do que a homossexualidade?
A segunda curiosidade é em relação ao homossexualismo feminino que não sofre o mesmo grau de agressão. Há discriminação, mas não há registros de agressões a lésbicas, pelo menos, fisicamente falando.
É novamente o preconceito supostamente machista. É mulher, pode e é até excitante, como dizem alguns. Atualmente há uma espécie de pacto, onde é possível haver um trio amoroso, com todos os requintes e práticas sexuais, compostos de duas mulheres e um homem.
Numa boate da Zona Sul detectamos alguns trios deste tipo. Conseguimos, muito maneirosamente, uma abordagem e questionamos o rapaz: Ele nos disse que uma delas era sua namorada e a outra era namorada dela. Indagamos se ele não tinha sentimentos de posse ou ciúmes, e ele respondeu que não. Só sentiria ciúmes se fosse outro homem. Aí, era um “caso de chifre” e ele não admitiria. No segmento da conversa ele nos afirmou, que não era o caso dele, mas que conhecia outros trios formados de maneira inversa: dois homens e uma mulher. Ela era namorada de um e o outro era namorado do namorado dela.
A verdade é que a diversidade existe e não pode ser simplesmente encarada pelo prisma moral ou religioso. Há toda uma humanidade e sociologia em jogo. Não se trata de costumes, pura e simplesmente. Ninguém se torna homossexual por indução de costumes. Ser homossexual é um fato intrínseco. Acreditamos que o individuo nasce homossexual, do mesmo jeito que outros nascem heterossexuais.
É uma questão de alma. De existência definida e indefensável. Para tanto, é preciso alargar os horizontes intelectuais para uma coexistência pacífica e livre.
Os seres humanos, são apenas humanos, independentes das suas origens e escolhas.
Niterói, 20/08 a 03/098/11 www.dizjornal.com
dizjornal@gmail.com
Com os crescentes casos de agressões a homossexuais na cidade reabre-se o debate que se remete a uma questão central: o preconceito como caldo de cultura é mais arraigado e profundo do que se percebe? Existe um numeroso contingente silencioso, que se não aprova a agressão física, intimamente concorda que os homossexuais merecem punição?
É necessário ampliar o debate para melhor digestão do conceito, sem os disfarces do “politicamente correto”, que se esgueira nas vielas do pensamento conservador e de forma dissimulada estimula a discriminação. É como se diz: “tudo é permitido, desde que não seja na minha família.” Existem pais que dão “conselhos” a outros pais de homossexuais, mas jamais resistiriam que esta orientação sexual fosse escolha de um filho seu. Neste embuste sóciointelectual vão se formando os tecidos do comportamento na nossa sociedade como um todo que não é capaz de conter a fúria da intolerância e a visão do outro diferente da expectativa do padrão.
Em 2006, em Niterói, um jovem de 19 anos, Ferrucio Silvestro, teve o rosto desfigurado por agressores homofóbicos ao sair de uma boate gay em São Domingos, na Praça Leoni Ramos. O estudante ficou 4 dias internado no Hospital Antonio Pedro, enquanto o caso, intensamente divulgado, estendeu-se na rede de relacionamento Orkut, onde muita gente aplaudiu os agressores, inclusive dizendo que ele apanhou pouco e deveriam tê-lo matado.
Ao sair do hospital registrou queixa na 76ª DP. Depois de algum tempo “sem progresso e nem solução” o caso foi arquivado e mais uma vez os agressores ficaram impunes. Sem alternativas e sentindo-se ameaçado o jovem mudou-se da cidade.
De lá para cá, muitos casos aconteceram sem que um único episódio si quer tenha sido exemplarmente punido. Na semana passada, o estudante universitário (UFF) Silaedson Silva Junior, ao sair da mesma praça, (Leoni Ramos) ao chegar à altura do Clube Canto do Rio, foi capturado por 3 rapazes que o agrediram com tapas e pontapés. Ele conseguiu se desvencilhar e fugir, não chegando ao mesmo nível de contusões que teve o Ferrucio Silvestro. Mas, a agressão se configurou e o estado de constrangimento se estendeu até a delegacia. Ele alega somente ter conseguido registrar a agressão com caráter homofóbico acompanhado por um advogado.
O delegado da 76ª DP, Dr. Nilton Pereira Silva, declarou que o registro aconteceu e foi acolhido normalmente e sem qualquer dificuldade.
Numa entrevista que ele deu numa emissora de TV disse que o caso seria investigado, embora reconhecesse a dificuldade de identificar os agressores, e que iria buscar alguma gravação de câmeras de prédios da região para conseguir as pistas necessárias.
Voltamos sempre à mesma questão: há acolhimento da queixa, mas a incerteza da solução é sempre expressiva.
O comerciário M. que preferiu não ser identificado disse: “não é que não se consiga registrar a queixa. A questão é como os policiais se comportam perante o fato. Parece até que se divertem e fazem pouco caso da situação. Fica patente que não vão investigar nada e quem sabe, até aprovam a opressão que sofremos. Nos tratam como bichas, mesmo!”
A questão dos direitos do cidadão não diferem, por classe social, credo, raça ou mesmo orientação sexual. Trata-se apenas de um cidadão, e como tal, amparado constitucionalmente: a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
Entre o texto e a realidade existe um hiato de cultura e descaso. O homossexual, ainda que qualificado e até abastado financeiramente e de posição social privilegiada, não é visto da mesma forma quanto aos direitos da cidadania.
Sob um véu de dissimulação é relegado a um plano inferior. Uma espécie de “faz de conta” quanto ao exercício da legalidade. Os policiais, na sua grande maioria, apenas refletem o pensamento da nossa sociedade, e estão profissionalmente despreparados para lidar com situações onde impliquem em desigualdades.
Faz-se necessário re-equipar intelectualmente os nossos profissionais, tanto da Polícia Civil, quanto da Polícia Militar, caso contrário continuaremos na subnotificação dos casos, com a crescente impunidade e agravamento do quadro.
José Cardoso, bibliotecário disse: “muita gente não vai nem à delegacia. Apanha e fica por isso mesmo. As pessoas se sentem desencorajadas pelo constrangimento que são submetidas ao afirmarem que são homossexuais e que foram atacados. O rosário de perguntas é imenso, como se não desejassem caracterizar o fato como homofóbico. Registram com outras denominações, até de agressões, mas não como o caráter que deveriam ter. É homofobia, tem que ser reconhecido como tal.
Mas, a verdade é que em muitos casos fica difícil caracterizar; até por certa desconfiança que é imposta. Aí, preferem deixar para lá. E a porradaria continua!”
O projeto de lei que criminaliza a homofobia foi aprovado no plenário da Câmara. O texto prevê pena de prisão de até 5 anos para quem criticar os homossexuais publicamente, seja qual for a razão. E também estabelece punição a quem preterir homossexuais em uma seleção de emprego, por exemplo. Entretanto, está tudo como antes e tentam novas fórmulas tortas como desculpas mal apresentadas.
A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou em 2010 o projeto de lei n. ° 455, que proíbe a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero nos elevadores. Em seu Artigo 4º, o projeto recomenda ainda que o governo estadual desenvolva “ações de cunho educativo” e de combate a todas essas discriminações.
As tentativas de amenizar problemas desta espécie são tantas que se perdem nas divisões e classificações promovendo o esvaziamento e dispersão do foco de atuação contra a discriminação como um todo. A impressão que se tem é que para que se atue contra o problema específico da homofobia, precisa-se de outras motivações acopladas para dar conteúdo e contexto prático. A deputada Marta Suplicy (PT) que foi a relatora da Lei Contra a Homofobia, acrescentou outras questões, como racismo ao texto e deu uma espécie de salvo conduto aos religiosos nas suas pregações contra o homossexualismo dentro dos seus templos. Evangélicos e católicos alegam que o projeto cria uma casta privilegiada e fere a liberdade religiosa. Mesmo com a lei, há um revestimento renitente de preconceito e receio de enfrentar o problema abertamente, temendo-se as diversas oposições.
A questão objetiva é que dentro deste quadro de dificuldades de aceitação social de uma escolha ou orientação sexual, se dissimula cada vez mais a realidade. Existe muito mais gente que é homossexual, mas esconde a condição temendo a rejeição social. Este numeroso contingente de “enrustidos” ou bissexuais, como preferem se apresentar, estabelece outro nível de categoria ou tipo, se misturando na massa como uma espécie de mutantes ambulantes dissimulados.
O 3º Livro de Moisés, diz que é abominação um homem se deitar com outro; até ai tudo bem, mas não esqueçamos que em Levítico 11, 12 - diz que comer marisco é também abominação. É uma abominação maior ou menor do que a homossexualidade?
A segunda curiosidade é em relação ao homossexualismo feminino que não sofre o mesmo grau de agressão. Há discriminação, mas não há registros de agressões a lésbicas, pelo menos, fisicamente falando.
É novamente o preconceito supostamente machista. É mulher, pode e é até excitante, como dizem alguns. Atualmente há uma espécie de pacto, onde é possível haver um trio amoroso, com todos os requintes e práticas sexuais, compostos de duas mulheres e um homem.
Numa boate da Zona Sul detectamos alguns trios deste tipo. Conseguimos, muito maneirosamente, uma abordagem e questionamos o rapaz: Ele nos disse que uma delas era sua namorada e a outra era namorada dela. Indagamos se ele não tinha sentimentos de posse ou ciúmes, e ele respondeu que não. Só sentiria ciúmes se fosse outro homem. Aí, era um “caso de chifre” e ele não admitiria. No segmento da conversa ele nos afirmou, que não era o caso dele, mas que conhecia outros trios formados de maneira inversa: dois homens e uma mulher. Ela era namorada de um e o outro era namorado do namorado dela.
A verdade é que a diversidade existe e não pode ser simplesmente encarada pelo prisma moral ou religioso. Há toda uma humanidade e sociologia em jogo. Não se trata de costumes, pura e simplesmente. Ninguém se torna homossexual por indução de costumes. Ser homossexual é um fato intrínseco. Acreditamos que o individuo nasce homossexual, do mesmo jeito que outros nascem heterossexuais.
É uma questão de alma. De existência definida e indefensável. Para tanto, é preciso alargar os horizontes intelectuais para uma coexistência pacífica e livre.
Os seres humanos, são apenas humanos, independentes das suas origens e escolhas.
Niterói, 20/08 a 03/098/11 www.dizjornal.com
Ejaculação precoce: a explosão na hora errada que mexe com os homens
Ejaculação precoce: a explosão na hora errada que mexe com os homens
24/08/2011
A cabeça do homem não é mais a mesma. Estudo, trabalho, status, dívida, rotina... A lista de preocupações aumentou e os estímulos sociais já não são suficientes às suas expectativas. Uma explosão de emoções que pode acabar provocando um grande problema.
Causas que tendem a desabar no momento e no lugar errado. É o estereótipo de virilidade que faz do homem uma máquina de sexo num mundo que se torna cada vez mais competitivo.
O que era para ser prazeroso, tranquilo e para despertar sensações faz tempo que deixou de ser um oásis dos lençóis. E as cenas de sexo contidas na televisão tampouco conseguem estimular a criatividade no momento a dois.
Apesar da tentativa e da necessidade fisiológica, o sexo se tornou um dilema para os homens que sofrem com a ejaculação precoce. E para quem pensa que o assunto se limita a poucos minutos, vale a dica da entrevista a seguir com o urologista Luis Fernando Dip de Francisco Beltrão.
“Os homens pensam que impotência sexual é tudo. E ejaculação precoce não é impotência. O homem que tem ejaculação precoce é potente. Mas a incidência de pacientes com este problema chega a 20%. É relativamente alta”, comentou o médico enquanto falou ao JdeB sobre as causas e as formas de tratamento da precocidade e as possíveis alternativas para fazer da ejaculação um ato complementar do prazer.
JdeB - O que é uma ejaculação normal?
Dr. Luis - Não existe tempo ideal para ejacular. Antigamente existia um tempo limite entre um minuto e um minuto e meio. Hoje a definição mais recente que existe, de três anos atrás, define ejaculação precoce como rápida, muitas vezes antes da penetração vaginal ou logo após e que causa insatisfação do ponto de vista sexual pro paciente e pra sua parceira.
JdeB - Quando a ejaculação precoce é um problema?
Dr. Luis - Acontece quando a pessoa vê que isso está causando certo impacto na sua qualidade de vida e principalmente no ato sexual. Às vezes acontece antes mesmo da penetração, ainda durante o estímulo sexual, a carícia ou o sexo oral.
JdeB - E quais seriam as causas?
Dr. Luis - Não tem uma etiologia muito bem definida. O que se sabe é que existe uma alteração do ciclo de estímulo que acaba hiperestimulando este reflexo e que faz com que o sistema nervoso autônomo — que é quem manda o estímulo involuntário, a ereção é involuntária — gere um estímulo tão excessivo no pênis que o homem tem a ejaculação.
JdeB - A maioria dos casos tem ligação com o lado emocional?
Dr. Luis - Geralmente são pacientes mais ansiosos. Não tem como definir, mas existe esta relação, por exemplo, de algum problema da adolescência e que possa alterar o emocional e gerar a ansiedade no ato sexual. O que hiperestimula e acaba fazendo com que tenha a ejaculação precoce.
JdeB - Mas pode existir problema físico?
Dr. Luis - Geralmente não existe problema anatômico. São pacientes que têm um desenvolvimento sexual normal com tamanho do pênis, volume de testículo e fertilidade tudo normal. Este problema (da ejaculação precoce) não vem acompanhado de curvatura peniana, desenvolvimento reduzido de testículo ou pênis pequeno ou grande. O que se associa, às vezes, é o excesso de pele na glande do pênis. Mas em alguns destes casos se propõe a retirada deste excesso de pele pra diminuir a sensibilidade na glande e retardar a ejaculação.
JdeB - A orientação no início da vida sexual poderia diminuir este problema?
Dr. Luis - Não existe nenhum trabalho que avalie prospectivamente estes pacientes até porque envolve a sexualidade e acaba sendo muito subjetivo. Não tem como fazer uma análise objetiva que controle o tempo da ejaculação desde o início da vida sexual. O que acontece é que o adolescente é estimulado, desde pequeno, por amigos e pais e isso faz com que ele inicie uma vida sexual ou de masturbação mais cedo. Pode até ter uma relação com o fato de o adolescente estar se masturbando no banho e precisar ejacular logo porque alguém quer usar o banheiro. Mas não existe nada provado cientificamente.
JdeB - E como é feito o tratamento?
Dr. Luis - É baseado em abordagem ampla na primeira consulta pra colher detalhes da vida do paciente, sobre como ocorreu o início da vida sexual, se existe algum trauma da primeira relação que tenha gerado esse bloqueio. A ejaculação precoce é definida em primária e secundária. A primária é quando o paciente teve o problema desde o início da vida sexual. E o caso secundário é do paciente que já tinha um tempo de relação sexual e desenvolveu geralmente por algum fator psicológico.
JdeB - Mas são usados medicamentos?
Dr. Luis - O tratamento medicamentoso é feito com ansiolítico, que controla a ejaculação. Mas depende da aceitação do paciente porque o remédio é tomado diariamente por longo período. Depende de cada caso, podem ocorrer efeitos colaterais como náuseas, mal estar e dor de cabeça. Estes medicamentos não foram inventados pra isso, mas hoje já se fazem ansiolíticos pensando no efeito na ejaculação precoce.
JdeB - A ejaculação precoce é um problema frequente?
Dr. Luis - É uma disfunção que afeta muito a qualidade de vida dos pacientes e que é possível tratar. Tem uma droga nova que é utilizada por alguns países, mas que aqui ainda está sendo aprovada pela Anvisa. Ainda não temos amostra deste medicamento que será usado sob demanda. Ou seja, o paciente usa antes de ter o ato sexual.
JdeB - Usar medicamentos pra ereção ajuda?
Dr. Luis - Pode ser associado para retardar. Mas não resolve pro paciente que tem ejaculação precoce. E também não adianta usar pra continuar com o pênis ereto após a relação para poder ter outra relação sexual. Porque depois que o homem ejacula fisiologicamente, existe uma resposta que faz a constrição dos vasos dilatados que permitem a ereção do pênis. Após a relação, há um período de latência para que depois o homem tenha um novo estímulo e um novo ato sexual. Com o uso de medicamento acontece o mesmo. Só diminui este período de latência.
JdeB - E o que ocorre na ejaculação retrógrada?
Dr. Luis - A ejaculação retrógrada é quando o sêmen sai pela parte posterior da uretra. A uretra é dividida em quatro partes. Uma delas é a uretra prostática, de onde sai o sêmen. E quando o sêmen sai, ele sai pelo pênis ou vai pra dentro da bexiga. Pra onde o sêmen vai? Pro lado mais fácil. O estímulo, enviado pelo sistema nervoso central para o pênis emitir o sêmen faz a contração do colo da bexiga. Quando ocorre a ejaculação, o colo da bexiga se contrai e o sêmen é exteriorizado pelo pênis. A ejaculação retrógrada acontece basicamente em duas situações. A primeira é quando o paciente é operado na próstata e perde a resistência da contração do colo da bexiga. Quando ejacula, cai dentro da bexiga. E a segunda situação é em pacientes cadeirantes, que podem ter ejaculação retrógrada.
JdeB - E como se resolve?
Dr. Luis - Não tem como resolver. No caso da cirurgia, a próstata cresce novamente. Quando cresce, ela vai oferecendo resistência na parte de trás de modo que, em algum momento da vida, este homem possa ter ejaculação anterógrada de novo. Por isso que é importante orientar antes da cirurgia para o caso do paciente desejar ter filhos.
JdeB - E tem também a ejaculação retardada?
Dr. Luis - Acontece como efeito colateral de medicamentos que são usados no tratamento da depressão ou de doenças neurológicas. Tem paciente que toma muito medicamento, isso pode fazer com que ele tenha o retardo da ejaculação. A outra causa pode ser a falta de estímulo e a demora para ter ereção. E o homem que demora a ter a ereção, depois disso ele tem que ser muito estimulado até poder ejacular. Mas são causas menos comuns.
24/08/2011
A cabeça do homem não é mais a mesma. Estudo, trabalho, status, dívida, rotina... A lista de preocupações aumentou e os estímulos sociais já não são suficientes às suas expectativas. Uma explosão de emoções que pode acabar provocando um grande problema.
Causas que tendem a desabar no momento e no lugar errado. É o estereótipo de virilidade que faz do homem uma máquina de sexo num mundo que se torna cada vez mais competitivo.
O que era para ser prazeroso, tranquilo e para despertar sensações faz tempo que deixou de ser um oásis dos lençóis. E as cenas de sexo contidas na televisão tampouco conseguem estimular a criatividade no momento a dois.
Apesar da tentativa e da necessidade fisiológica, o sexo se tornou um dilema para os homens que sofrem com a ejaculação precoce. E para quem pensa que o assunto se limita a poucos minutos, vale a dica da entrevista a seguir com o urologista Luis Fernando Dip de Francisco Beltrão.
“Os homens pensam que impotência sexual é tudo. E ejaculação precoce não é impotência. O homem que tem ejaculação precoce é potente. Mas a incidência de pacientes com este problema chega a 20%. É relativamente alta”, comentou o médico enquanto falou ao JdeB sobre as causas e as formas de tratamento da precocidade e as possíveis alternativas para fazer da ejaculação um ato complementar do prazer.
JdeB - O que é uma ejaculação normal?
Dr. Luis - Não existe tempo ideal para ejacular. Antigamente existia um tempo limite entre um minuto e um minuto e meio. Hoje a definição mais recente que existe, de três anos atrás, define ejaculação precoce como rápida, muitas vezes antes da penetração vaginal ou logo após e que causa insatisfação do ponto de vista sexual pro paciente e pra sua parceira.
JdeB - Quando a ejaculação precoce é um problema?
Dr. Luis - Acontece quando a pessoa vê que isso está causando certo impacto na sua qualidade de vida e principalmente no ato sexual. Às vezes acontece antes mesmo da penetração, ainda durante o estímulo sexual, a carícia ou o sexo oral.
JdeB - E quais seriam as causas?
Dr. Luis - Não tem uma etiologia muito bem definida. O que se sabe é que existe uma alteração do ciclo de estímulo que acaba hiperestimulando este reflexo e que faz com que o sistema nervoso autônomo — que é quem manda o estímulo involuntário, a ereção é involuntária — gere um estímulo tão excessivo no pênis que o homem tem a ejaculação.
JdeB - A maioria dos casos tem ligação com o lado emocional?
Dr. Luis - Geralmente são pacientes mais ansiosos. Não tem como definir, mas existe esta relação, por exemplo, de algum problema da adolescência e que possa alterar o emocional e gerar a ansiedade no ato sexual. O que hiperestimula e acaba fazendo com que tenha a ejaculação precoce.
JdeB - Mas pode existir problema físico?
Dr. Luis - Geralmente não existe problema anatômico. São pacientes que têm um desenvolvimento sexual normal com tamanho do pênis, volume de testículo e fertilidade tudo normal. Este problema (da ejaculação precoce) não vem acompanhado de curvatura peniana, desenvolvimento reduzido de testículo ou pênis pequeno ou grande. O que se associa, às vezes, é o excesso de pele na glande do pênis. Mas em alguns destes casos se propõe a retirada deste excesso de pele pra diminuir a sensibilidade na glande e retardar a ejaculação.
JdeB - A orientação no início da vida sexual poderia diminuir este problema?
Dr. Luis - Não existe nenhum trabalho que avalie prospectivamente estes pacientes até porque envolve a sexualidade e acaba sendo muito subjetivo. Não tem como fazer uma análise objetiva que controle o tempo da ejaculação desde o início da vida sexual. O que acontece é que o adolescente é estimulado, desde pequeno, por amigos e pais e isso faz com que ele inicie uma vida sexual ou de masturbação mais cedo. Pode até ter uma relação com o fato de o adolescente estar se masturbando no banho e precisar ejacular logo porque alguém quer usar o banheiro. Mas não existe nada provado cientificamente.
JdeB - E como é feito o tratamento?
Dr. Luis - É baseado em abordagem ampla na primeira consulta pra colher detalhes da vida do paciente, sobre como ocorreu o início da vida sexual, se existe algum trauma da primeira relação que tenha gerado esse bloqueio. A ejaculação precoce é definida em primária e secundária. A primária é quando o paciente teve o problema desde o início da vida sexual. E o caso secundário é do paciente que já tinha um tempo de relação sexual e desenvolveu geralmente por algum fator psicológico.
JdeB - Mas são usados medicamentos?
Dr. Luis - O tratamento medicamentoso é feito com ansiolítico, que controla a ejaculação. Mas depende da aceitação do paciente porque o remédio é tomado diariamente por longo período. Depende de cada caso, podem ocorrer efeitos colaterais como náuseas, mal estar e dor de cabeça. Estes medicamentos não foram inventados pra isso, mas hoje já se fazem ansiolíticos pensando no efeito na ejaculação precoce.
JdeB - A ejaculação precoce é um problema frequente?
Dr. Luis - É uma disfunção que afeta muito a qualidade de vida dos pacientes e que é possível tratar. Tem uma droga nova que é utilizada por alguns países, mas que aqui ainda está sendo aprovada pela Anvisa. Ainda não temos amostra deste medicamento que será usado sob demanda. Ou seja, o paciente usa antes de ter o ato sexual.
JdeB - Usar medicamentos pra ereção ajuda?
Dr. Luis - Pode ser associado para retardar. Mas não resolve pro paciente que tem ejaculação precoce. E também não adianta usar pra continuar com o pênis ereto após a relação para poder ter outra relação sexual. Porque depois que o homem ejacula fisiologicamente, existe uma resposta que faz a constrição dos vasos dilatados que permitem a ereção do pênis. Após a relação, há um período de latência para que depois o homem tenha um novo estímulo e um novo ato sexual. Com o uso de medicamento acontece o mesmo. Só diminui este período de latência.
JdeB - E o que ocorre na ejaculação retrógrada?
Dr. Luis - A ejaculação retrógrada é quando o sêmen sai pela parte posterior da uretra. A uretra é dividida em quatro partes. Uma delas é a uretra prostática, de onde sai o sêmen. E quando o sêmen sai, ele sai pelo pênis ou vai pra dentro da bexiga. Pra onde o sêmen vai? Pro lado mais fácil. O estímulo, enviado pelo sistema nervoso central para o pênis emitir o sêmen faz a contração do colo da bexiga. Quando ocorre a ejaculação, o colo da bexiga se contrai e o sêmen é exteriorizado pelo pênis. A ejaculação retrógrada acontece basicamente em duas situações. A primeira é quando o paciente é operado na próstata e perde a resistência da contração do colo da bexiga. Quando ejacula, cai dentro da bexiga. E a segunda situação é em pacientes cadeirantes, que podem ter ejaculação retrógrada.
JdeB - E como se resolve?
Dr. Luis - Não tem como resolver. No caso da cirurgia, a próstata cresce novamente. Quando cresce, ela vai oferecendo resistência na parte de trás de modo que, em algum momento da vida, este homem possa ter ejaculação anterógrada de novo. Por isso que é importante orientar antes da cirurgia para o caso do paciente desejar ter filhos.
JdeB - E tem também a ejaculação retardada?
Dr. Luis - Acontece como efeito colateral de medicamentos que são usados no tratamento da depressão ou de doenças neurológicas. Tem paciente que toma muito medicamento, isso pode fazer com que ele tenha o retardo da ejaculação. A outra causa pode ser a falta de estímulo e a demora para ter ereção. E o homem que demora a ter a ereção, depois disso ele tem que ser muito estimulado até poder ejacular. Mas são causas menos comuns.
Anvisa proíbe importação de remédio contra impotência sexual
Anvisa proíbe importação de remédio contra impotência sexual
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
24/08/2011 | 19h30
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a importação e a venda do remédio Erofast Sildenafil, usado contra a impotência sexual.
Produzido por um laboratório do Paraguai, o medicamento não tem registro na agência reguladora. A decisão da Anvisa foi publicada hoje (24) no Diário Oficial da União.
O Ministério da Saúde publicou portaria liberando R$ 9,3 milhões adicionais para exames de diagnóstico precoce dos cânceres de mama e de útero. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) será responsável por monitorar a qualidade dos exames.
Da Agência Brasil
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
24/08/2011 | 19h30
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a importação e a venda do remédio Erofast Sildenafil, usado contra a impotência sexual.
Produzido por um laboratório do Paraguai, o medicamento não tem registro na agência reguladora. A decisão da Anvisa foi publicada hoje (24) no Diário Oficial da União.
O Ministério da Saúde publicou portaria liberando R$ 9,3 milhões adicionais para exames de diagnóstico precoce dos cânceres de mama e de útero. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) será responsável por monitorar a qualidade dos exames.
Da Agência Brasil
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Ejaculação precoce atinge um em cada quatro homens
Ejaculação precoce atinge um em cada quatro homens
28/05/2011 |
Um em cada quatro homens brasileiros vivencia a ejaculação precoce, quadro no qual o indivíduo ejacula rapidamente (entre 30 segundos e 1 minuto, em média), sem que seja possível estabelecer um controle voluntário. A EP, como é chamada, é responsável por 40% das queixas feitas nos consultórios de terapia sexual.
A maioria dos pacientes é formada por homens casados ou com parceira fixa, declara o médico Evandro Cunha, do Hospital Urológico de Brasília. “Usualmente, eles levam cerca de quatro anos após os primeiros sintomas para procurar um especialista”, diz.
“Os homens em geral demoram a procurar ajuda por várias razões. Alguns acham que a ejaculação rápida é sinal de virilidade, outros têm vergonha e existem aqueles que desconhecem como poderia ser de outra forma, pois não costumam conversar sobre isso com os amigos, até por receio de serem motivo de brincadeiras. E há também os que ‘culpam’ a parceira ou o estresse momentâneo”, pontua Liliana Seger, doutora em psicologia clínica e especializada em sexualidade. Muitos homens procuram ajuda somente quando a parceira indica uma insatisfação, diz Liliana.
Categorias
Sem possibilidade de prevenção, essa alteração sexual – que afeta de maneira drástica a vida sexual e consequentemente a autoestima do homem – divide-se em duas categorias: a de origem primária, que pode ocorrer desde a primeira relação sexual na adolescência e é característica do indivíduo, porém passível de tratamento; e a de origem secundária, que é uma disfunção que pode ocorrer após o início de uma vida sexual normal e que surge por algum motivo (trauma e estresse, por exemplo).
A secundária ainda pode ser dividida em outras duas formas: secundária situacional, ou seja, em algumas situações o indivíduo tem, em outras não – às vezes com uma parceira e não com outra, por exemplo – e a absoluta, que pode durar um longo período ou enquanto o problema físico ou emocional não for tratado.
Controle da ansiedade
Evandro Cunha esclarece que quadros de ansiedade e depressão também podem estar ligados à EP tanto de origem primária quanto secundária: “Caso o quadro se torne crônico, é essencial acompanhamento médico”. O tratamento em geral consiste na psicoterapia, podendo, de acordo com a resposta do paciente, ser complementada por medicamentos.
“Além disso, os tratamentos para EP incluem técnicas de terapia sexual de curta duração – em média 12 a 15 sessões – e exercícios para aprender a controlar a ejaculação e avaliar os aspectos geradores de ansiedade que estão presente nesses pacientes”, pontua Liliana, que lembra também que o problema não é complexo e nem excepcional.
“Homens que sofrem de EP não precisam ficar ainda mais ansiosos com esse tipo de diagnóstico: é algo que pode ocorrer com qualquer um, em qualquer momento da vida, tem tratamento e muitas vezes esse tratamento é rápido”, explica Liliana.
28/05/2011 |
Um em cada quatro homens brasileiros vivencia a ejaculação precoce, quadro no qual o indivíduo ejacula rapidamente (entre 30 segundos e 1 minuto, em média), sem que seja possível estabelecer um controle voluntário. A EP, como é chamada, é responsável por 40% das queixas feitas nos consultórios de terapia sexual.
A maioria dos pacientes é formada por homens casados ou com parceira fixa, declara o médico Evandro Cunha, do Hospital Urológico de Brasília. “Usualmente, eles levam cerca de quatro anos após os primeiros sintomas para procurar um especialista”, diz.
“Os homens em geral demoram a procurar ajuda por várias razões. Alguns acham que a ejaculação rápida é sinal de virilidade, outros têm vergonha e existem aqueles que desconhecem como poderia ser de outra forma, pois não costumam conversar sobre isso com os amigos, até por receio de serem motivo de brincadeiras. E há também os que ‘culpam’ a parceira ou o estresse momentâneo”, pontua Liliana Seger, doutora em psicologia clínica e especializada em sexualidade. Muitos homens procuram ajuda somente quando a parceira indica uma insatisfação, diz Liliana.
Categorias
Sem possibilidade de prevenção, essa alteração sexual – que afeta de maneira drástica a vida sexual e consequentemente a autoestima do homem – divide-se em duas categorias: a de origem primária, que pode ocorrer desde a primeira relação sexual na adolescência e é característica do indivíduo, porém passível de tratamento; e a de origem secundária, que é uma disfunção que pode ocorrer após o início de uma vida sexual normal e que surge por algum motivo (trauma e estresse, por exemplo).
A secundária ainda pode ser dividida em outras duas formas: secundária situacional, ou seja, em algumas situações o indivíduo tem, em outras não – às vezes com uma parceira e não com outra, por exemplo – e a absoluta, que pode durar um longo período ou enquanto o problema físico ou emocional não for tratado.
Controle da ansiedade
Evandro Cunha esclarece que quadros de ansiedade e depressão também podem estar ligados à EP tanto de origem primária quanto secundária: “Caso o quadro se torne crônico, é essencial acompanhamento médico”. O tratamento em geral consiste na psicoterapia, podendo, de acordo com a resposta do paciente, ser complementada por medicamentos.
“Além disso, os tratamentos para EP incluem técnicas de terapia sexual de curta duração – em média 12 a 15 sessões – e exercícios para aprender a controlar a ejaculação e avaliar os aspectos geradores de ansiedade que estão presente nesses pacientes”, pontua Liliana, que lembra também que o problema não é complexo e nem excepcional.
“Homens que sofrem de EP não precisam ficar ainda mais ansiosos com esse tipo de diagnóstico: é algo que pode ocorrer com qualquer um, em qualquer momento da vida, tem tratamento e muitas vezes esse tratamento é rápido”, explica Liliana.
Assinar:
Comentários (Atom)