terça-feira, 19 de abril de 2011

Desejo feminino

Desejo feminino
Além dos hormônios, estudo mostra os distúrbios que afetam a sexualidade e a libido das mulheres

Por Maria Fernanda Schardong
02/03/2010

Uma dor de cabeça repentina, um mal estar sem justificativa, a preocupação com a mãe doente, os filhos que não chegam, a reunião no dia seguinte. A lista de desculpas para evitar o sexo cresce na mesma proporção que o número de mulheres que sofrem do Distúrbio do Desejo Sexual Hipoativo, alertam pesquisadores europeus. A boa notícia é que é possível identificar e tratar o problema que pode trazer prejuízos emocionais também para os homens.

O estudo denominado DESIRE (em português, Desejo e seus Efeitos sobre a Sexualidade Feminina incluindo Relacionamentos) identificou 7.542 mulheres entre 18 e 88 anos, da França, Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido, com baixo desejo sexual e desconfortos associados ao sexo. Desse total, 5.098 participaram do resultado final da análise, que foi apresentada na edição de 2010 da reunião anual da Sociedade Internacional para o Estudo da Saúde Sexual da Mulher (ISSWSH), na Flórida, EUA.

As participantes do estudo foram questionadas sobre uma série de atitudes e comportamentos ligados às suas experiências de baixo desejo sexual. Os relatórios de frequência e nível de desejo sexual nos últimos 12 meses foram significativamente correlacionados com os relatórios do nível de angústia sobre o baixo apetite sexual e com cada uma dessas respostas negativas. Grande parte das mulheres relatou a experimentação, frequentemente ou sempre, durante os três meses anteriores, de emoções negativas como a insatisfação com o sexo, a culpa sobre as dificuldades sexuais e a angústia diante da vida sexual que levavam.

Para a especialista em Sexualidade e membro do Centro de Estudos e Pesquisas do Comportamento e Sexualidade (CEPCOS), Márcia Atik, a falta de apetite sexual, definitivamente, tem muito mais causas emocionais e culturais do que qualquer outra razão. “Não dá para negar que, depois de certa idade, mudanças físicas ocorrem. Porém, elas não precisam interferir diretamente no desejo pelo parceiro. Quando isso ocorre, não tenho dúvida que as causas são muito mais emocionais e culturais. Sabemos que quando a mulher tem autonomia sobre o seu corpo e desejo e mantém uma relação afetiva de qualidade, ela terá todas as respostas sexuais íntegras, independentemente da idade”, afirma ela.

O que a maioria das mulheres que sofre desse distúrbio quer ouvir é que os hormônios podem ser os grandes vilões dessa história. Porém, os distúrbios hormonais constituem a menor parte do problema. "Historicamente, a mulher se vê mais mulher quando tem capacidade de procriar. Mas isso não é verdade, e a maioria sabe. Entretanto, o tabu da menopausa, ligado à mulher que já cumpriu seu papel de mãe e mulher, acaba impedindo o sexo feminino de dar continuidade a uma vida sexual satisfatória. Sem falar na faixa etária dos 50 que ainda é fruto de uma geração onde o sexo era tratado como necessidade masculina e obrigação feminina”, explica e sexóloga.

Fugir do sexo nunca é a melhor opção. Uma conversa franca e aberta com o parceiro, a ajuda de um profissional capacitado e até um bate-papo entre amigas pode facilitar o entendimento debaixo dos lençóis. “Em casos mais graves, acompanhamento psicológico e tratamentos hormonais podem até ser indicados. Porém, conversas informais entre amigas e, principalmente, com um parceiro que a valorize e reconheça seu potencial faz com que a mulher reverta essa dificuldade e refaça seu caminho em busca de sua sexualidade prazerosa”, aconselha Márcia.
http://www.maisde50.com.br/editoria_conteudo2.asp?conteudo_id=7771

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